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SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE - Homilia

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Evangelho: João 16,12-15 Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 12 “Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora. 13 Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. 14 Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará.  15 Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu”. JOSÉ ANTONIO PAGOLA MISTÉRIO DE BONDADE Ao longo dos séculos, os teólogos se esforçaram para investigar o mistério de Deus aprofundando-se, conceitualmente, em sua natureza e expondo suas conclusões com diferentes linguagens. Porém, frequentemente, nossas palavras mais escondem do que revelam o seu mistério. Jesus não fala muito de Deus. Oferece-nos, simplesmente, a sua experiência. Jesus chama a Deus de "Pai" e o experimenta como um mistério de b...

Todos os diabos da Bíblia [Informe-se bem!]

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Giuseppe Barbaglio Il Manifesto 25-09-1986 Giuseppe Barbaglio - biblista italiano Não parece arriscado pensar que o diabo ou Satanás seja uma projeção externa de um dinamismo interno que leva a pessoa ao mal. Os textos bíblicos concordam em rejeitar toda banalização das forças do mal presentes e operantes na existência humana e na história. A opinião é do teólogo e biblista italiano Giuseppe Barbaglio (1934-2007), em artigo póstumo. Neste verão, durante as audiências das quartas-feiras, o papa [João Paulo II] se deteve longamente sobre a crença católica nos anjos e no diabo. Nasceu daí, surpreendentemente, uma viva discussão nos jornais, limitada, porém, ao motivo demoníaco, com intervenções de "laicos" e de crentes: ouviram-se vozes de consenso e tomadas de posição de dissidência (também de matriz católica); aqueles que chegaram a zombar do ponto de vista do papa, e aqueles que acreditaram ver nisso um dogma católico igual a outros e, portanto, um patrimôn...

DEMOCRACIA É EDUCAÇÃO

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ROBERTO DAMATTA * Todo mundo fala em democracia e educação, sem perceber que as palavras têm conotações especiais. No Brasil, a palavra educação não significa somente instrução, mas polidez, calma e delicadeza. O "mal-educado" ou o "ignorante" não é quem não tem saber, mas é o "grosseirão" inclinado ao gesto brusco ou à violência. O "bem-educado" é aquele que - calado consciente e superior - espera a sua vez. Fazemos uma clara distinção entre o "bem" e o "mal-educado": o fino, o grosso, o sensível e o boçal. Essa representação enlaça o par "educação e democracia". Pois a voz do povo mostra uma dualidade hierárquica. No plano superior, ficam os "bem-educados" (gente instruída e fina). No inferior, estão não apenas os não instruídos, mas os mal-educados. Embaraçamos a ignorância definidora do não saber com a grosseria - esse avatar atribuído aos afoitos e, por extensão preconceituosa, aos subalternos....

Pensamento mediano [A classe média]

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JESSÉ DE SOUZA * Jessé de Souza - sociólogo (UFMG) Singularmente perversa e infantilizada, nossa classe média é o suporte de uma visão de mundo que transforma exploração em generosidade A professora Marilena Chauí propõe uma discussão interessante e oportuna acerca da classe média brasileira. Seu julgamento indignado é certeiro, ainda que abstrato e indiferenciado. Mais interessante que o burburinho causado é perceber a "justificação" do privilégio dessa classe para que possamos compreendê-la. Antes de tudo, o que é "privilégio"? E como ele se reproduz? Em todas as sociedades modernas, como a brasileira, os privilégios que asseguram acesso diferencial aos bens ou recursos que todos desejamos, sejam materiais, como carro e casa, sejam imateriais, como o prestígio e o charme que asseguram a conquista de um parceiro erótico, por exemplo, são explicados a partir da apropriação diferencial de certos "capitais" - que vão pré-decidir toda a competição...

Indicador defasado "esconde" 22 milhões de miseráveis do país

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JOÃO CARLOS MAGALHÃES DE BRASÍLIA Governo define a linha da miséria em R$ 70 per capita desde junho de 2011,  sem corrigir o valor pela inflação Desde a data que essa linha foi estabelecida, os preços subiram em média 10,8%,  segundo cálculo pelo IPCA O número de miseráveis reconhecidos em cadastro pelo governo subiria de zero para ao menos 22,3 milhões caso a renda usada oficialmente para definir a indigência fosse corrigida pela inflação. É o que revelam dados produzidos pelo Ministério do Desenvolvimento Social , a pedido da Folha de S. Paulo , com base no Cadastro Único, que reúne informações de mais de 71 milhões de beneficiários de programas sociais. Desde ao menos junho de 2011 o governo usa o valor de R$ 70 como "linha de miséria" -ganho mensal per capita abaixo do qual a pessoa é considerada extremamente pobre. Ele foi estabelecido, com base em recomendação do Banco Mundial, como principal parâmetro da iniciativa de Dilma para cumprir sua ma...

O Papa Francisco é um paradoxo?

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Hans Küng El País 10-05-2013 Hans Küng - teólogo “Nós não devemos, em todo o caso, nos resignar, mas, na falta de impulsos reformistas ‘a partir de cima’, a partir da hierarquia, devemos promover decididamente reformas ‘a partir de baixo’, a partir do povo. Se o Papa Francisco adotar o enfoque das reformas, contará com o amplo apoio do povo, para além dos muros da Igreja católica. Mas se, ao contrário, optar por continuar como até agora e não solucionar a necessidade de reformas, o grito de ‘indignai-vos! Indignez-vous !’ ressoará cada vez mais forte inclusive dentro da própria Igreja católica e provocará reformas a partir de baixo que se materializarão inclusive sem a aprovação da hierarquia e, em muitos casos, apesar de suas tentativas de abafá-las", escreve Hans Küng , teólogo. Quem iria pensá-lo? Quando, por ocasião do meu 85º aniversário, tomei a resoluta decisão de renunciar aos meus cargos honoríficos, estava persuadido de que o sonho que eu vinha acalentando...

''No nosso mundo desencantado, ensinar a fé é uma arte''

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Enzo Bianchi La Stampa 12-05-2013 Publicamos um trecho do novo livro de Enzo Bianchi, Fede e fiducia (Ed. Einaudi) [tradução: Fé e Confiança ].  "As palavras deste livro" – explica o prior de Bose – "são palavras cruzadas em um diálogo com pensadores dos quais eu me encontrei ao lado, em debate, na França e na Itália". São eles: Massimo Cacciari, Claude Geffré, Christoph Theobald, Adolphe Gesché, Remo Bodei, Luc Ferry, André Comte-Sponville, Régis Debray, Julia Kristeva e Joseph Moingt. Exemplares do novo livro do monge e teólogo italiano ENZO BIANCHI Vivemos em uma época marcada por muitos obstáculos, por diversas contradições causadas à fé, de modo que a fé parece incapaz de interessar aos homens e às mulheres de hoje, que vivem na indiferença com relação ao cristianismo e, mais em geral, a toda busca de Deus. Não só naqueles que se dizem crentes e cristãos de fato, justamente, a fé parece tênue, de pouco fôlego, incapaz de manifestar aquela f...