Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Psicologia

Natal em família?

Imagem
  Por que o Natal se reduziria à família?   Vera Iaconelli Diretora do Instituto Gerar de Psicanálise, autora de “Manifesto Antimaternalista” e “Felicidade Ordinária”. É doutora em psicologia pela USP   Nem todos têm relações edificantes com a própria família Para alguns, a angústia pré-natalina começa em outubro, e, mal escrevo essa frase, imagino que se corre o risco da criação de uma síndrome com esse nome. Seria a “síndrome pré-natalina” , cujo diagnóstico e tratamento estariam no manual de diagnósticos de saúde mental (DSM), texto que preza por criar rótulos comercializáveis para as infinitas mazelas humanas.   O fato é que todo ano sou impelida, pelo que escuto no divã e por experiência própria, a escrever sobre família e Natal, uma vez que o sofrimento observado nesta época é palpável . As famílias se fundam sobre uma dupla (ou um trio, tanto faz), que funciona como uma dobradiça que reúne parentes de ambos os lados . Ela implica numa forçada de b...

Liderança para os tempos de hoje

Imagem
  Não adianta ser um grande líder em resultados com baixa inteligência emocional   Jayanne Rodrigues Jornalista   Entrevista com:  Ana Guimarães Diretora de recrutamento executivo da Robert Half   ANA GUIMARÃES As habilidades emocionais devem seguir como fatores decisivos na seleção de profissionais para cargos do alto escalão Competências técnicas ou emocionais: o que pesa mais na hora de selecionar uma liderança? Para a diretora de recrutamento executivo da Robert Half, Ana Guimarães, as soft skills (habilidades comportamentais) são fatores decisivos na seleção de profissionais do alto escalão. Embora não sejam novidade, essas competências se tornaram indispensáveis e são avaliadas com rigor nos processos seletivos para posições executivas. Em alguns casos, a ausência pode até ser um fator eliminatório .   “Não adianta um executivo ser um grande líder em resultados, mas ter baixa inteligência emocional e acabar comprometendo a autoes...

Querer não saber

Imagem
  A era do encanto da ignorância   Mark Lilla The New York Times ─ Professor de Humanidades da Universidade Columbia e autor do livro “Ignorance and Bliss: On Wanting Not to Know” ( Ignorância e Felicidade: Sobre Não Querer Saber ), do qual este ensaio foi adaptado   Cada vez mais gente rejeita atualmente a racionalidade, classificando-a como um empenho inútil que serve apenas para disfarçar maquinações do poder Aristóteles ensinou que todos os seres humanos desejam o conhecimento. Nossa própria experiência nos ensina que todos os seres humanos também desejam não conhecer, às vezes vorazmente. Isso sempre foi verdadeiro, mas há certos períodos históricos em que ne g a ç ões de verdades parecem assumir uma vantagem, como se algum vírus psicológico se espalhasse de maneiras misteriosas, com o antídoto subitamente impotente . O atual período é um desses.   Cada vez mais gente rejeita atualmente a racionalidade, classificando-a como um empenho inútil que serve...

Por que agimos como agimos?

Imagem
  Ideologia, ideologia   Eugênio Bucci Jornalista e professor da Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo (ECA-USP)   EUGÊNIO BUCCI Pesquisa revela fragmentos de um sistema em que a identidade se dissolve no líder forte e rico, e nos explica, em parte, por que dezenas de milhões sufragaram os golpistas Conforme vai ficando mais evidente – como se fosse possível ficar ainda mais evidente, e como se fosse preciso – que o ocupante da Presidência da República até 2022 tramava, planejava e tentava executar um golpe de Estado , uma pergunta se projeta para fora das sombras da conveniência: * como explicar o apoio que ele angariou ? * Por que tantos ricaços o adularam de modo tão pegajoso? * Por que tantos políticos experientes se dobraram em mesuras tão solícitas? * Por que tantos segmentos da caserna [= militares] se comportaram feito gangues tão analfabetas? * E, por fim, por que as massas espoliadas se prestaram a aplaudi-lo quando ...

Que personagem!

Imagem
  Coach — política neofascista e traumaturgia   Tales Ab’Sáber Doutor em Psicologia Clínica e mestre em Artes pela Universidade de São Paulo (USP), é membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae e professor de Filosofia da Psicanálise no curso de Filosofia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)   Um povo que deseja o fascista novo em folha O coach é a representação limite da financeirização do capital — a sua máxima abstração e pureza, dominando a produção e a guerra global — no âmbito da cultura. Psicólogo definido pelo incremento da produtividade de seu cliente, o coach teve origem na ruína do mundo do trabalho , das profissões e de suas éticas , no mundo da fragmentação e monadizacão do destino do trabalhador, vendedor de qualquer coisa que ninguém quer comprar .   Ele é o próprio sintoma encarnado da vida das classes médias sob o risco de não serem produtivas, por fim dispensáveis, pela presença da política permanente d...

Escutar é preciso

Imagem
  Precisamos urgentemente de um curso de “escutatória”   Mirian Goldenberg Antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é autora de « A Invenção de uma Bela Velhice »   Desenho de: Claudia Liz - Folhapress « A gente ama não é a pessoa que fala bonito, é a pessoa que escuta bonito » , ensinou Rubem Alves Fui convidada para participar do programa Sem Censura , na TV Brasil , no dia 1º de outubro, Dia Internacional da Pessoa Idosa . Contei para a minha melhor amiga, Thais, de 99 anos, que adorei o convite, mas que, como era o dia de enviar o relatório da minha pesquisa de pós-doutorado sobre “Envelhecimento, Autonomia e Felicidade”, seria impossível aceitar.   “ Mirian, você tem que ir ao programa . Ainda mais no Dia do Idoso.”   “Mas Thais, estou no meio de um turbilhão, tenho que terminar meu relatório.”   “ Eu quero muito te assistir . E é muito importante que as pessoas escutem o que você fala sobre os mais velh...