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Mostrando postagens com o rótulo Ecologia

Estão de brincadeira!

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  COPs mais parecem exercício masoquista de autoengano coletivo   José Eli da Veiga Professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP), é autor, entre outros, de “O Antropoceno e as Humanidades” (Editora 34); mantém o site www.zeeli.pro.br   Não são nas conferências do clima que devem ser depositadas esperanças por algum freio ao inexorável processo de aquecimento global Merecem máxima atenção duas recentes notícias sobre os gases de efeito estufa (GEE): uma sobre o metano (CH 4 ) e outra sobre o dióxido de carbono (CO 2 ). Mostram o quanto têm sido enganosas as 29 negociações anuais da Convenção do Clima (COPs), das quais a mais surrealista tende a ser a próxima, em Belém do Pará.   O drama do metano foi bem destacado esta Folha no último 16 de novembro: os avisos de vazamento permanecem simplesmente ignorados . Foram respondidos tão somente 1% dos 1.200 alertas para grandes emissões feitos pela ONU. As emissões d...

O tempo está se esgotando!

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  O planeta flerta com o ponto sem volta   Eduardo Geraque Jornalista   KIM CAMPBELL COP-30, em Belém, é oportunidade de recomeço global na luta para desacelerar as mudanças climáticas, diz ex-premier do Canadá Considerar questões técnicas, políticas e humanas com o objetivo de criar pontes e empatia para que a sociedade enfrente as mudanças climáticas. É nesse tom que Kim Campbell , ex-primeira-ministra do Canadá, apresentou no Estadão Summit ESG 2024 , nesta quinta-feira, 26 de setembro, no Teatro B32, em São Paulo, a importância da COP-30 , reunião climática da ONU que será realizada em novembro de 2025 na cidade de Belém, no norte do Brasil.   “ O planeta flerta com o ponto sem volta . O corte do uso de combustíveis fósseis é urgente . Assim como as discussões sobre adaptação e sobre formas de financiar os países menos desenvolvidos a enfrentar a crise climática”, afirmou Campbell.   Apesar de o ponto de não retorno estar próximo — o que pode se...

Atenção aos sinais

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  Ninguém pode alegar que não sabia!   Oded Grajew Presidente emérito do Instituto Ethos, conselheiro do Instituto Cidades Sustentáveis e idealizador do Fórum Social Mundial; fundador e ex-presidente da Fundação Abrinq   Vítimas da enchente retiram seus pertences em Porto Alegre - Foto: Bruno Santos - 22.mai.25/Folhapress - Folhapress Mudança climática e desigualdade social estão conectadas e se retroalimentam Meus pais eram judeus e viveram na Polônia nos anos 1930. Hitler assumiu o poder na Alemanha em 1933 e iniciou a perseguição aos judeus promulgando leis chamadas de “proteção do sangue”, que excluíam qualquer direito ao povo judaico. Em 1938 , promoveu a Noite dos Cristais , que causou a destruição de lojas de judeus e a prisão de muitos deles , levados para campos de concentração. Em todos os seus discursos , Hitler anunciava seus planos de exterminar o povo judeu . A partir da invasão da Polônia em 1938, ele começou a colocar em prática seus planos que ...

Um clima mais pesado

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  Adaptação a eventos extremos precisa ser tão veloz quanto mudança climática   Natalie Unterstell Mestre em Administração Pública pela Universidade Harvard e presidente do Instituto Talanoa, think tank dedicado à política climática        Brasil tem que investir em plano baseado na melhor ciência e aberto à participação social [ RESUMO ] Tempestades severas, como a que atingiu o Rio Grande do Sul, se tornarão mais frequentes com o aquecimento global, o que torna imprescindível a adaptação aos novos padrões climáticos . Essa tarefa é necessariamente coletiva e, para alcançar seus objetivos, deve ser guiada por informações científicas de qualidade , ter uma governança que garanta o cumprimento de suas metas e, ainda mais importante, resultar de um engajamento profundo da sociedade .   Você pode ser liberal ou conservador, ambientalista ou terraplanista, ter votado em Bolsonaro, Lula ou nulo no segundo turno das eleições de 2022. Para a mudanç...

Como nascem os extremos do clima

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  Crise climática produz cenários extremos, alterando probabilidade e frequência de grandes desastres   Reinaldo José Lopes Jornalista especializado em biologia e arqueologia, autor de “1499: O Brasil Antes de Cabral”   Mudanças criam um mundo mais arriscado e imprevisível para nós e para o resto da biosfera Afinal de contas, até onde é possível afirmar que uma catástrofe como a que está assolando o Rio Grande do Sul está ligada à crise climática antropogênica (ou seja, causada pela nossa espécie)? Será que outros desastres, acontecidos recentemente ou que ainda estão por vir, podem ser atribuídos a essa causa? As respostas não são simples, mas espero que esta coluna sirva como um guia para os perplexos, esclarecendo os pontos mais importantes da lógica que liga eventos climáticos extremos à crise global que a humanidade provocou. A primeira grande falácia que a gente precisa enfrentar ao falar sobre esse tema é o uso de frases como “Ah, o clima sempre mudou...

A crise ambiental existe, não é teoria

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  Desastres como o do RS têm potencial para furar bolha do negacionismo   Celso Rocha de Barros Servidor federal, é doutor em Sociologia pela Universidade de Oxford (Inglaterra) e autor do livro: “PT, uma História”   Tanque do Exército é utilizado em trabalhos de resgate em área alagada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul - Diego Vara - 10.mai.24/Reuters Bolsonarismo lança campanha de desinformação que não se via desde a pandemia de Covid-19 Quem mente que não há aquecimento global tem tudo para ser popular . Afinal, está dizendo para o público que ninguém precisa fazer nada, que o problema não existe. A preguiça muitas vezes faz ideias ruins que não dão trabalho parecerem boas . Além disso, é fácil mentir que o Brasil será mais rico se for possível plantar mais perto dos rios, se for possível fazer pastos ou minas onde hoje há florestas. O sujeito que desmata tem um benefício tangível para si, mais soja, mais minério, e ainda pode apresentar isso como "rique...

De quem é a culpa?

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  No Rio Grande do Sul, é hora de apontar o dedo   Thiago Amparo Advogado, é professor de Direito Internacional e Direitos Humanos na FGV Direito SP. Doutor pela Central European University (Budapeste)   Expor responsabilidades não é crueldade, mas honrar as vítimas É hora de apontar o dedo para a Prefeitura de Porto Alegre , sob a gestão de Sebastião Melo (MDB), que destinou zero real em 2023 para a prevenção contra enchentes e recusou a contratação de 443 funcionários para o DMAE (Departamento Municipal de Águas e Esgotos) — o qual, desde 2013, foi cortado pela metade. Não é surpreendente , portanto, que o sistema de contenção de cheias, datado da década de 1970, não tenha dado conta . Prof. Thiago Amparo (FGV-SP) É hora de apontar o dedo para o governo do Rio Grande do Sul , sob a gestão de Eduardo Leite (PSDB), pelo atraso de três dias na comunicação sobre a tragédia iminente , entre o primeiro boletim meteorológico (26/4) e a primeira postagem do governado...