4º Domingo da Quaresma – Ano A – Homilia
Evangelho: João 9,1-41
Frei Alberto Maggi
Padre e biblista italiano dos Servos de Maria (Servitas)
Jesus
abre os nossos olhos para sermos livres
O capítulo 9 do Evangelho de João contém uma severa acusação contra a cegueira de uma instituição religiosa, para a qual o bem da doutrina é mais importante do que o bem do ser humano. O contexto é o seguinte: Jesus sai, ou melhor, foge do templo, após uma tentativa de apedrejamento (cf. Jo 8,59), mas, saindo do templo, encontra as pessoas que não podem entrar no templo, os excluídos. Vamos ler, então.
João
9,1-7: «Naquele tempo, ao passar, Jesus viu um homem cego de
nascença. Os discípulos perguntaram a Jesus: “Mestre, quem pecou para que
nascesse cego: ele ou os seus pais?” Jesus respondeu: “Nem ele nem seus pais
pecaram, mas isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele. É
necessário que nós realizemos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia. Vem
a noite, em que ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, eu sou a luz
do mundo”. Dito isto, Jesus cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a
sobre os olhos do cego. E disse-lhe: “Vai lavar-te na piscina de Siloé” (que
quer dizer: Enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando.»
A cegueira não era considerada uma
enfermidade, mas um castigo, uma maldição enviada por Deus para os pecados dos
homens. Para desculpar Deus dos males, o homem foi acusado. Por que o mal
existe? Porque o homem cometeu um pecado, e o Senhor o castiga. «Seus
discípulos lhe perguntaram: “Rabi, quem pecou para que ele nascesse cego, ele
ou seus pais?”», portanto, que a cegueira fosse consequência do pecado, não
havia dúvida, o problema era saber se o indivíduo cego já havia pecado, ou os
seus pais. Jesus exclui, taxativamente, qualquer relação entre o mal, o pecado e o
castigo divino.
Ele diz: “Nem ele pecou, nem seus pais, mas foi uma ocasião para que se manifestem nele as obras de Deus”. Jesus continua a ação criadora do Pai e, a este indivíduo, depois de ter dito que é a luz do mundo, “fez um pouco de lama, aplicou sobre os olhos”, são os mesmos gestos que o criador realizou, na criação do primeiro homem, Jesus continua sua ação criadora (cf. Gn 2,7). Depois, envia o cego ao tanque de Siloé, este importante tanque de Jerusalém, que significa, sublinha o evangelista, o “Enviado”, por quê? Indo ao encontro do enviado, Jesus, que disse de si mesmo: Eu sou a luz do mundo, recupera-se a vista. Com efeito, “foi, lavou-se e voltou enxergando”.
João
9,8-9: «Os
vizinhos e os que costumavam ver o cego ― pois ele era mendigo ― diziam: “Não é
aquele que ficava pedindo esmola?” Uns diziam: “Sim, é ele!” Outros afirmavam:
“Não é ele, mas alguém parecido com ele”. Ele, porém, dizia: “Sou eu mesmo!”»
Mas começam os problemas desse indivíduo, que não é reconhecido, não é reconhecido pelos vizinhos, alguns dizem: é ele, não é ele, mas como não o reconhecem? Não é que suas conotações mudaram, apenas, antes ele não tinha a luz nos olhos, agora ele vê, ele tem a visão. Por que não é reconhecido? Porque quando se encontra Jesus, adquire-se uma liberdade, uma dignidade tal que mesmo parecendo como se era antes, a pessoa, na realidade, está completamente diferente! E ele, o ex-cego, responde com a expressão: “eu sou!”, não “sou eu”! Ele reivindica para si o nome divino, o nome exclusivo que, na Bíblia, é usado para Deus, e, nos Evangelhos, para Jesus. Por quê? Como está escrito no prólogo de João, aos que o acolheram, Jesus deu-lhes a capacidade de se tornarem filhos de Deus.
João
9,10-16: «Então
lhe perguntaram: “Como é que se abriram os teus olhos?” Ele respondeu: “Aquele
homem chamado Jesus fez lama, colocou-a nos meus olhos e disse-me: ‘Vai a Siloé
e lava-te’. Então fui, lavei-me e comecei a ver”. Perguntaram-lhe: “Onde está
ele?” Respondeu: “Não sei”. Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido
cego. Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do
cego. Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus como tinha recuperado a
vista. Respondeu-lhes: “Colocou lama sobre meus olhos, fui lavar-me e agora
vejo!” Disseram, então, alguns dos fariseus: “Esse homem não vem de Deus, pois
não guarda o sábado”. Mas outros diziam: “Como pode um pecador fazer tais
sinais?”»
A partir daqui, começa uma série de interrogatórios e, pela primeira vez, eles perguntam a ele: “Como se abriram teus olhos?” Essa expressão sete vezes se repetirá! Este é o tema desta passagem: abrir os olhos era um sinal da libertação do povo da sua opressão, é isso que o Messias realiza. Tem um cego que recuperou a visão, isso é bom, mas o povo não pode opinar, o povo tem que estar sempre submisso ao que as autoridades religiosas pensam, são elas que definem se é bom e ruim, ou não. Então eles o levaram aos fariseus, líderes espirituais do povo, aquele que havia sido cego, e aqui está o problema: era sábado. No sábado é preciso observar aquele que é considerado o mandamento mais importante, existe uma série de trabalhos, umas boas 1521 ações que são proibidas e, entre estas, está fazer lama e tratar de enfermos, então aqui houve uma transgressão, uma violação do sábado. E os fariseus perguntam-lhe novamente como recuperou a vista, e dão uma sentença: “esse homem”, Jesus, “não vem de Deus, pois não observa o sábado”. Para eles, algo vem ou não de Deus dependendo se observa ou não a lei. Já para Jesus vir ou não de Deus, vai depender da atitude que se tem para com o ser humano. No entanto, para os líderes religiosos o único critério de julgamento é a observância da lei.
João
9,17-23: «E havia divergência entre
eles. Perguntaram outra vez ao cego: “E tu, que dizes daquele que te abriu os
olhos?” Respondeu: “É um profeta”. Então, os judeus não acreditaram que ele
tinha sido cego e que tinha recuperado a vista. Chamaram os pais dele e
perguntaram-lhes: “Este é o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é
que ele agora está enxergando?” Os seus pais disseram: “Sabemos que este é
nosso filho e que nasceu cego. Como agora está enxergando, isso não sabemos. E
quem lhe abriu os olhos também não sabemos. Interrogai-o, ele é maior de idade,
ele pode falar por si mesmo”. Os seus pais disseram isso, porque tinham medo
das autoridades judaicas. De fato, os judeus já tinham combinado expulsar da
comunidade quem declarasse que Jesus era o Messias. Foi por isso que seus pais
disseram: “É maior de idade. Interrogai-o a ele”.»
Mas há divergências, outros lhe perguntam: mas como pode um pecador fazer
uma coisa dessas? Perguntam de novo ao cego, e aqui está a ironia do
evangelista, os fariseus aspiravam ao título de guias dos cegos,
e são cegos, ao contrário, o que era cego, agora, recuperou a visão, diz ele: “é
um profeta”.
Os fariseus diziam: “não vem de Deus”, o cego, porém, afirma que é um profeta, portanto vem de Deus. Entram em campo as mais altas autoridades religiosas, os Judeus, que neste evangelho não indicam o povo com este termo, mas os líderes religiosos, que não querem acreditar que ele era cego. Para defender sua doutrina, eles negam as evidências: as autoridades religiosas, diante dos novos acontecimentos da vida, não tendo respostas para dar, entrelaçam-se no absolutismo de sua doutrina, negam as evidências, para não encontrar contradições em sua doutrina, e eles o intimidam. Intimidam os pais com um interrogatório, em que questionam se é o filho deles, se ele nasceu cego, e os pais respondem de uma forma que parece covarde: não sabemos, ele já tem idade, perguntem-lhe. Por que eles respondem assim? O evangelista revela: “Seus pais disseram isso porque tinham medo dos judeus”, isto é, dos líderes religiosos, que “pois estes já tinham combinado expulsar da sinagoga quem confessasse que Jesus era o Cristo”. Ser expulso da sinagoga não significa ser expulso de um local de culto, o que não seria um grande mal, mas significava a exclusão da vida civil, da vida social. Com os expulsos da sinagoga era necessário manter uma distância de 2 metros, não se podia comprar nem vender nada a eles, portanto, era a morte civil.
João
9,24-25: «Então,
os judeus chamaram de novo o homem que tinha sido cego. Disseram-lhe: “Dá
glória a Deus! Nós sabemos que esse homem é um pecador”. Então ele respondeu: “Se
ele é pecador, não sei. Só sei que eu era cego e agora vejo”.»
“Tornaram a chamar o que fora cego”, que de curado milagrosamente passa a interrogado/investigado, e disseram-lhe: “Dá glória a Deus!”, esta é uma fórmula, uma expressão que significa reconhecer, confessar a verdade, mesmo que venha em sua desvantagem, em seu detrimento. É a sentença. Enquanto os fariseus estavam divididos entre os que diziam que ele era pecador e os que se interrogavam como um pecador poderia ter curado um cego, eles, os Judeus, não tinham dúvidas: as autoridades religiosas nunca têm dúvidas, para eles tudo é claro: “Sabemos que esse homem é um pecador”, e aí vem toda a ironia do ex-cego, que praticamente responde dizendo: olha, eu não sei nada de teologia, falo da minha experiência, e na verdade ele diz “se é pecador eu não sei”, isso é da sua conta se ele é pecador ou não, “uma coisa eu sei, que eu era cego e agora vejo”, ele fala baseado em sua própria experiência, vocês dizem que ele é pecador, eu não me importo, minha experiência diz que para mim isso é positivo. O evangelista está dizendo, aqui, que o primado da consciência é mais importante do que qualquer doutrina, mesmo que fosse uma lei divina: o homem decide o bem e o mal com base em sua própria experiência, não com base em uma doutrina, que decreta o que é bem ou o que é mal. Então ele diz: não estou entrando no campo teológico, estou falando da minha experiência.
João
9,26-29: «Perguntaram-lhe
então: “Que é que ele te fez? Como te abriu os olhos?” Respondeu ele: “Eu já
vos disse, e não escutastes. Por que quereis ouvir de novo? Por acaso quereis
tornar-vos discípulos dele?” Então insultaram-no, dizendo: “Tu, sim, és
discípulo dele! Nós somos discípulos de Moisés. Nós sabemos que Deus falou a
Moisés, mas esse, não sabemos de onde é”.»
E novamente, pela quinta vez em um total de sete, eles perguntarão a ele: “Como ele te abriu os olhos?” Esta é a preocupação das autoridades religiosas, porque se as pessoas abrirem os olhos, acabou para elas, é o fim de tudo. E, sempre com ironia, aquele que era cego pergunta: “Acaso quereis tornar-vos discípulos dele?”. Quando as autoridades religiosas não sabem como responder, como retrucar, recorrem à violência, primeiro à violência verbal e, se possível, também à violência física, “eles começaram a insultá-lo”, dizendo: você é que será discípulo dele, nós somos os discípulos de Moisés! Portanto, não seguem Jesus vivo, mas um homem morto: Moisés. “Nós sabemos que Deus falou a Moisés”, e, então, com um termo pejorativo ― nos Evangelhos os líderes, os fariseus nunca mencionarão Jesus, mas sempre usarão esta expressão ― “mas esse, não sabemos de onde é”.
João
9,30-41: «Respondeu-lhes
o homem: “Espantoso! Vós não sabeis de onde ele é? No entanto, ele abriu-me os
olhos! Sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aquele que é
piedoso e que faz a sua vontade. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto
os olhos a um cego de nascença. Se este homem não viesse de Deus, não poderia
fazer nada”. Os fariseus disseram-lhe: “Tu nasceste todo em pecado e estás nos
ensinando?” E expulsaram-no da comunidade. Jesus soube que o tinham expulsado. Encontrando-o,
perguntou-lhe: “Acreditas no Filho do Homem?” Respondeu ele: “Quem é, Senhor,
para que eu creia nele?” Jesus disse: “Tu o estás vendo; é aquele que está
falando contigo”. Exclamou ele: “Eu creio, Senhor!” E prostrou-se diante de
Jesus. Então, Jesus disse: “Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a
fim de que os que não veem, vejam, e os que veem se tornem cegos”. Alguns
fariseus, que estavam com ele, ouviram isto e lhe disseram: “Porventura, também
nós somos cegos?” Respondeu-lhes Jesus: “Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas
como dizeis: ‘Nós vemos’, o vosso pecado permanece”.»
E é aqui que entra o bom senso do ex-cego de nascença: o bom senso das pessoas é mais verdadeiro e importante do que os valores da doutrina, e ele faz um raciocínio muito simples: mas nunca se ouviu falar que um cego de nascença recuperou a visão, se esse homem não viesse de Deus, nada poderia ter feito. É tão claro, como as autoridades religiosas não podem entender isso? Não sabendo como revidar, respondem com violência: “Tu nasceste todo em pecado e queres nos ensinar?” Eles não querem aprender, são eles que ensinam, “e o expulsaram”. O pobre ex-cego de nascença deveria voltar a ser cego, para dar-lhes razão! Recuperar a visão é ruim, porque ele a recuperou por meio de um pecador. Mas, expulso da religião, não faz mal, porque encontra a fé, encontra Jesus que o acolhe, dá a sua adesão a Jesus, e a passagem do Evangelho termina com uma sentença muito severa de Jesus aos fariseus, que aspiravam ao título de guias de cegos. Jesus diz-lhes: “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como dizeis: ‘Nós vemos’, o vosso pecado permanece”. Qual é a cegueira? Quando o bem da doutrina da lei é colocado em primeiro lugar, antes mesmo do bem dos seres humanos, esta é a cegueira que nos impede de ler os acontecimentos da história.
* Traduzido e
editado do italiano por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.
** Todos os textos bíblicos citados foram extraídos de: Sagrada Congregação para o Culto Divino. Trad. CNBB. Palavra do Senhor I: lecionário dominical A-B-C. São Paulo: Paulus, 1994.
Reflexão
Pessoal
Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo
«O pior cego é
aquele que não quer ver, ouvir nem acreditar. O pior cego, é aquele se faz de
surdo. Aliás o pior cego não é cego, é burro!»
(Heloá Marques: escritora brasileira)
Quando a realidade, quando os fatos, quando a verdade da situação não se adéquam àquilo que penso, àquilo que creio como certo, àquilo que entendo como verdade, que se danem a realidade e os fatos! Deve, sempre, prevalecer o que eu penso, o que eu quero, o que eu concebo como o certo, o que eu planejo para a minha vida!
Essas afirmações, acima, podem parecer absurdas, mas é o que mais acontece nos tempos atuais, infelizmente! Isso se dá no campo das relações pessoais, no campo da política, no campo da economia, no campo da religião e assim segue. A pior cegueira é aquela irreconhecível! Aquela da qual o cego não se apercebe! Isso ocorre quando se coloca uma ideologia, uma forma de ver e interpretar os fatos acima da própria realidade, acima da própria história!
Por isso, ver com
retidão, ver com exatidão a vida, a realidade é fundamental, importantíssimo!
Tanto o é, que Jesus mesmo o diz:
“Eu vim a este mundo para um julgamento
[discernimento], a fim de que os que não veem, passem a ver; e os que veem,
tornem-se cegos” (Jo 9,39).
Aqueles que Jesus define como “os que veem” são os autossuficientes, que confiam em suas próprias luzes como transparece na arrogância do julgamento que as autoridades religiosas judaicas fazem seja do ex-cego como de Jesus (cf. Jo 9,24.29.34). As verdadeiras e autênticas visão e audição da realidade, da vida, quem nos oferece é Deus! Basta conferir: Dt 29,3; Is 6,9-10; Jr 5,21; Ez 12,2. Por isso, muitos têm olhos, mas não veem; têm ouvidos, mas não ouvem!
O grande discernimento que falta ao ser humano é a fé! Não a fé em Deus, não a fé em seu Filho, mas a fé no ser humano, como aquela que manifestou o ex-cego de nascença quando encontrou Jesus em sua vida! É o que se lê em Jo 9,35b: “Tu crês no Filho do Homem?” E quando Jesus revela que ele é o Filho do Homem, o ex-cego faz sua profissão de fé: “Eu creio, Senhor!” (Jo 9,38a). O “Filho do Homem” é o ser humano pleno, segundo a imagem de Deus, quando o criou (cf. Gn 1,26-27). A grande desgraça da humanidade reside, justamente, no fato de não crermos no ser humano, por isso, não o respeitamos, não o tratamos como se deve, não queremos conviver, de verdade, com ele! Não por acaso, cresce tanto o número de animais domésticos de estimação e decresce o número de novos nascimentos humanos! Hoje, muitos preferem e se sentem muito melhor ao lado de um animalzinho do que de um outro semelhante!
Quando se insiste demasiadamente no pecado, na culpabilidade humana, na miséria do ser humano, é porque não se confia, tanto assim, no ser humano! Isso se passou com os líderes religiosos do tempo de Jesus e ocorre, ainda hoje, com tantas lideranças humanas. Contudo, essa atitude demonstra falta de fé! Sim, porque Deus se encarnou no ser humano (cf. Jo 1,14) e é, justamente, no ser humano onde, acima de tudo, encontramos Deus!
«Ó Pai, estaríamos cegos para sempre se não tivesses enviado o teu Filho para nos abrir os olhos; a sua vida era um dom contínuo, a sua mão sempre estendida, o seu olhar procurava continuamente outros olhares. Por meio dele, estiveste ao nosso lado, despertaste em nós o desejo de ver e no batismo deste-nos a água que nos liberta da cegueira e nos torna filhos da luz. Saibamos nós também aproximar-nos dos nossos irmãos que ainda estão cegos e mostrar-lhes o caminho que conduz à luz. Amém.»
(Fonte: Gianfranco Venturi. 4ª Domenica di Quaresima: orazione finale. In: CILIA, Anthony O.Carm. Lectio Divina sui vangeli festivi: per l’anno liturgico A. Leumann [TO]: Elledici, 2010, p. 165-166.)
Fonte: Centro Studi Biblici “G. Vannucci” – Videomelie e trascrizioni – IV Domenica della Quaresima – Anno A – 22 marzo 2020 – Internet: clique aqui (Acesso em: 13/03/2023).
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