Não cantaremos a internet
Julio Groppa Aquino Com a toxicodependência cognitiva que causa, ela deve ser proibida em aula, diz professor Meu pai morreu há exatos 20 anos; ele não conheceu a internet. Nem minha mãe, que se foi logo depois. Nem Guimarães Rosa, nem Clarice Lispector, nem Carlos Drummond - de quem parafraseio o título acima. É bem provável que Cazuza tampouco. Michel Foucault, certamente não. Teriam eles nos legado o que legaram caso tivessem sido interceptados pelo imperativo informativo-comunicacional perpetrado pelo advento da rede mundial de computadores? Teriam eles páginas próprias? Valer-se-iam do Google para construir seus feitos? Responderiam a nossos e-mails? As discussões no Parlamento brasileiro em torno do Marco Civil da Internet constituem uma ocasião propícia para que ganhemos alguma distância reflexiva acerca desse fenômeno sociocultural sem precedentes na história humana, cujos efeitos sobre nossos modos de vida se mostram não apenas incontáveis, mas também cada vez mai...