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Sobrará para nós

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  Brasil sentirá impacto da nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos   Gunther Rudzit e Leonardo Trevisan Professores de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing   Novas diretrizes buscam aumentar influência americana e formar coalizões internacionais para minar China Dois eventos recentes têm potencial de impactar diretamente interesses brasileiros, principalmente as áreas militar e comercial – a guerra da Ucrânia e a nova National Security Strategy – por isso, precisam ser analisados por quem faz negócios aqui com qualquer parte do mundo e, principalmente, pelo vencedor das eleições presidenciais.  Do ponto de vista militar, nossas relações sempre foram muito próximas dos Estados Unidos e países europeus, tanto em termos doutrinários quanto de equipamento. Hoje, há dois programas de reequipamento que são considerados estratégicos pelas nossas Forças : * o do submarino pela Marinha e * do caça pela Forç...

Um país a ser reconstruído

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  Bolsonaro demonstrou que democratização brasileira é incompleta   Laura Karpuska Professora do Insper, Ph.D. em Economia pela Universidade de Nova York em Stony Brook   LAURA KARPUSKA Bolsonaro está usando a máquina do Estado para comprar votos Há pouco mais de um ano, fui chamada para participar de um projeto com colegas das mais variadas áreas. Entre nós, havia economistas, ativistas sociais, advogados, cientistas políticos, urbanistas, administradores públicos e jornalistas. A ideia era pensar em políticas públicas que poderiam ajudar o Brasil .  Fazíamos reuniões quinzenais, debatendo temas de especialização de cada um de nós. Aprendi muito durante estes encontros. Em algum momento, pareceu natural reunir tudo que tínhamos discutido no formato de um livro: Reconstrução: o Brasil nos anos 20 [Saraiva Jurídica, 2022]. O que nos uniu foi a ideia de que o governo Bolsonaro representava um atraso institucional, social, econômico e ambiental ao Brasil. ...

30º Domingo do Tempo Comum – Ano C – Homilia

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  Evangelho: Lucas 18,9-14   Alberto Maggi * Frade da Ordem dos Servos de Maria (Servitas) e renomado biblista italiano   A humildade salva: o amor de Deus é para quem necessita, não para quem merece! Jesus, em seu ensinamento, apresentou Deus como um Pai cujo amor não é atraído pelos méritos das pessoas, mas por suas necessidades . É isso que o evangelista Lucas expressa no capítulo 18, versículos 9 a 14. Vamos ler.   Lucas 18,9: ** «Para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola.» E a parábola tem um endereço bem específico! Jesus dirige esta mensagem àqueles que se sentem justos . Justo significa – do ponto de vista religioso – aqueles que se consideram completamente corretos com Deus de acordo com sua prática religiosa, de acordo com sua situação, e por isso desprezam os outros. É típico de pessoas religiosas. Quando alguém se sente tão bem com Deus, então se permite julgar, condenar e desp...

Da Verdade

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  Reflexões de um cardeal brasileiro   Leonardo Steiner Cardeal-arcebispo de Manaus (AM)   Dom Leonardo Ulrich Steiner - cardeal e arcebispo de Manaus (AM) Na fé não existem inimigos. Encontram-se os diferentes que formam a fraternidade, a comunidade   «Quem mente a si mesmo e escuta as próprias mentiras , chega ao ponto de já não poder distinguir a verdade dentro de si mesmo nem ao seu redor, e assim começa a deixar de ter estima de si mesmo e dos outros . Depois, dado que já não tem estima de ninguém, cessa também de amar , e então na falta de amor, para se sentir ocupado e distrair, abandona-se às paixões e aos prazeres triviais e, por culpa dos seus vícios, torna-se como uma besta ; e tudo isso deriva do mentir contínuo aos outros e a si mesmo» ( Fiódor Dostoevskij , Os irmãos Karamazov ). O viver humano que conduz à integridade e à convivência social saudável, fraterna, nasce do amor e da verdade. O amor como fonte das relações, a razão das relaçõ...

Dois Brasis se enfrentam em 2022?

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  Analisando os números das eleições   Bernardo Ricupero Professor no Departamento de Ciência Política da USP. Autor, entre outros livros, de “Romantismo e a ideia de nação no Brasil” (WMF Martins Fontes)   A melhor oposição para explicar as eleições de 2022 não é “arcaico” x “moderno”, mas “pobres” x “ricos” Ninguém esperava os resultados do 1º turno das eleições de 2022. Provavelmente elas só foram menos surpreendentes do que os resultados do 1º turno de 2018, quando Jair Bolsonaro teve 46% dos votos e quase não precisou enfrentar o 2º turno. Na esteira do capitão reformado foram então eleitas figuras desconhecidas como Romeu Zema em Minas Gerais e Wilson Witzel no Rio de Janeiro.  Agora o mais inesperado foi novamente a votação de Bolsonaro, só 5% atrás da de Luiz Inácio Lula da Silva , ao passo que as pesquisas indicavam uma diferença de até 14% entre os dois primeiros colocados da disputa. Mais uma vez, na onda bolsonarista, foram eleitos senadores co...

E agora???

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  Uma revolução de sinais invertidos   Vladimir Safatle Professor titular de Filosofia na USP. Autor, entre outros livros, de “Maneiras de transformar mundos: Lacan, política e emancipação” (Autêntica)   VLADIMIR SAFATLE Essa eleição é certamente o momento mais dramático da história brasileira. Ela mostra que não existe mais país onde ainda era possível costurar grandes pactos Talvez fosse o caso de começar lembrando quantas vezes, nesses últimos anos, ouvimos analistas dizerem que Jair Bolsonaro estava politicamente morto. Quantas vezes ouvimos que ele estava isolado, desmoralizado, com não mais do que 12% de eleitores em seu núcleo duro. No entanto, ele terminou o primeiro turno fazendo: * dois governadores fundamentais da federação, Minas Gerais e Rio de Janeiro, * com seu candidato chegando em primeiro lugar em São Paulo e * com uma bancada parlamentar forte, ampliada e coesa.  Caso, de fato, ele eleja os governadores dos três estados mais rico...