Um país a ser reconstruído
Bolsonaro demonstrou que democratização brasileira é incompleta
Professora do Insper, Ph.D. em Economia pela Universidade de Nova York em Stony Brook
LAURA KARPUSKA |
Bolsonaro
está usando a máquina do Estado para comprar votos
Há pouco mais de um ano, fui chamada para participar de um projeto com colegas das mais variadas áreas. Entre nós, havia economistas, ativistas sociais, advogados, cientistas políticos, urbanistas, administradores públicos e jornalistas. A ideia era pensar em políticas públicas que poderiam ajudar o Brasil.
Fazíamos reuniões quinzenais, debatendo temas de
especialização de cada um de nós. Aprendi muito durante estes encontros. Em
algum momento, pareceu natural reunir tudo que tínhamos discutido no formato
de um livro: Reconstrução: o Brasil nos anos 20 [Saraiva Jurídica,
2022].
O que nos uniu foi a ideia de que o governo Bolsonaro representava
um atraso institucional, social, econômico e ambiental ao Brasil.
Livro publicado pela editora Saraiva Jurídica em associação com o IDP - 23 de fevereiro de 2022 - Preço de capa: R$ 129,00 |
Sentíamos que seria preciso reconstruir o País após o atual
governo. A ideia era pensar em políticas públicas que abraçassem:
* diversidade,
* respeito ao meio
ambiente e
* que considerassem que desigualdade atrasa crescimento – quem espera o bolo crescer para depois repartir nunca alcança um outro lugar.
Nas últimas semanas, vimos que a frente ampla de apoio ao Lula aumentou. Todos que se unem a esta frente ampla, como Fernando Henrique Cardoso, Marina Silva, Simone Tebet – o grande destaque deste primeiro turno –, e Geraldo Alckmin, mostram que temos a possibilidade de cultivar nossa democracia.
Bolsonaro tentou de alguma forma compor sua própria frente. Ela é menos ampla. Ao que parece, se compõe de Moro, senador eleito, ex-juiz e ex-ministro de Bolsonaro que havia deixado o governo acusando o presidente de interferir na Polícia Federal. A política gera situações constrangedoras mesmo.
Como Bolsonaro está comprando votos
Bolsonaro também está
usando a máquina pública para comprar votos:
* Vale-taxista.
* Vale-caminhoneiro.
* Redução da
tributação sobre gasolina e diesel.
* Cancelamento do
auxílio emergencial em meses críticos da pandemia, mas criação do programa
Auxílio Brasil perto das eleições.
* Permissão para
criação de gastos permanentes em anos de eleição.
* Crédito consignado
para recebedores do Auxílio Brasil.
* Antecipação de
benefícios sociais.
* Uso de FGTS futuro.
A lista de ações do atual governo para fins eleitoreiros é larga – e custosa para os cofres públicos e para o bom funcionamento da democracia.
Não há reconstrução possível com um novo governo Bolsonaro.
Fonte: O Estado de S. Paulo – Economia & Negócios – Sexta-feira, 21 de outubro de 2022 – Pág. B5 – Internet: clique aqui (Acesso em: 21/10/2022).
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