Luto ensina que as pessoas que morrem fazem parte da nossa vida para sempre
CLÁUDIA COLUCCI
DE SÃO PAULO
Um incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), causou a morte de
234 pessoas e deixou mais de cem hospitalizadas,
na madrugada de 27 de janeiro.
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Reconhecimento dos corpos acontece no Centro Desportivo Municipal, em Santa Maria (RS) - Foto: Ronald Mendes / Agencia RBS |
Estudiosos do assunto consideram difícil precisar a duração "normal" para o luto. Em geral, o processo pode levar de um a três anos.
Há pelo menos quatro etapas a serem percorridas:
- aceitar a realidade da perda,
- elaborar a dor da perda,
- ajustar-se a um ambiente onde está faltando a pessoa que morreu e, finalmente,
- continuar vivendo sem a pessoa amada.
Segundo Parkes, uma das coisas que o luto ensina é que as pessoas que amamos nunca perdemos. Elas são parte da nossa vida para sempre.
O problema é que, no primeiro momento em que se perde alguém, sente-se que todas as coisas boas que vieram com essa pessoa se perderam também.
Só quando a pessoa para de tentar recuperar é que percebe que nunca perdeu, diz o psiquiatra na obra "Luto, Estudos sobre a Perda na Vida Adulta" (editora Summus).
O luto por um filho jovem é tido como um dos mais complicados, que pode demorar décadas para ser elaborado.
Atualmente, até eventos cardíacos estão associados a lutos mal elaborados. Nessas situações, há uma liberação excessiva de hormônios relacionados ao estresse, como a adrenalina e a cortisona, que provocam fraqueza do músculo cardíaco.
Por isso, recomenda-se que os sistemas de saúde tenham planos de emergência que ofereçam suporte psicológico às vítimas de tragédias.
Fonte: Folha de S. Paulo - Cotidiano - Tragédia no Sul - 29/01/2013 - 04h00 - Internet: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1222026-analise-luto-ensina-que-as-pessoas-que-morrem-fazem-parte-da-nossa-vida-para-sempre.shtml
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