A ameaça―ainda―sem nome
É hora de ligar o alarme
Ruy Castro
Jornalista e escritor, membro da Academia Brasileira de Letras
BENITO MUSSOLINI & ADOLF HITLER: muitos não aprenderam nada com a história!!! |
A Internacional da
Extrema Direita apenas começou e, aos poucos, vai ganhando todas
Nos anos 1930, o mundo tremia ao ouvir falar do Comintern, a Internacional Comunista. Hoje, sem nome, há uma Internacional da Extrema Direita, e o mundo ainda não se tocou. Ela já detém o governo na Itália, Polônia, Hungria e Holanda. Integra ou apoia o governo na Finlândia, Suécia e Grécia. Cresce a galope na França. Chegou perto nas eleições em Portugal e Espanha. Pândega ou trágica, venceu na Argentina. Promove o terror na Alemanha, no Canadá e na Nova Zelândia. E os Estados Unidos podem ter Trump de volta.
No Brasil, Bolsonaro tem processos e acusações suficientes para enjaulá-lo por 500 anos. Isso ainda não aconteceu porque a Justiça tem de seguir o seu curso “normal” ― embora se trate de um anormal que, vitorioso na eleição ou no golpe, implantaria uma ditadura que nos faria sentir saudade dos militares. Daí, Bolsonaro continua à solta, arrotando ameaças e pautando a imprensa.
O povo: massa de manobra nas mãos dos populistas da extrema-direita |
A extrema
direita tem uma receita universal:
* Populismo,
*
nacionalismo,
* discurso
moral e religioso.
* Xenofobia,
repúdio a imigrantes e racismo.
* Desprezo
pelos partidos e pregação da antipolítica.
*
Domesticação ou fechamento do Judiciário.
* População
armada.
*
Antiliberalismo.
*
Negacionismo.
* Rejeição às
teses identitárias e
* rancor
contra artistas e intelectuais.
* E, com o
apoio de seus zumbis nas redes sociais, disseminação de fake news,
* discurso
de ódio, com ameaças físicas e
* inversão
de conceitos ― falam de “liberdade”, “democracia” e “eleições limpas” e, quando
no poder, esses valores são os primeiros a ser cancelados.
Elon
Musk, o Führer das plataformas digitais, encarna esse programa. Seu desacato
ao Brasil poderia ter sido ditado por Bolsonaro.
Mais cedo do que pensamos, o mundo pagará caro por essa tecnologia sem pátria e
sem freios.
O Comintern fracassou em tudo e acabou em 1943. A Internacional da Extrema Direita apenas começou e, aos poucos, vai ganhando todas.
Fonte: Folha de S. Paulo – Colunista – Quarta-feira, 10 de abril de 2024 – Pág. A2 – Internet: clique aqui (Acesso em: 16/04/2024).
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