O cristianismo é mais que religião
Para os primeiros cristãos, o cristianismo era uma forma nova de viver
José Antonio Pagola
Biblista e Teólogo espanhol
Afresco das primeiras comunidades no interior das Catacumbas de São Calixto, em Roma |
O mais importante é viver como Jesus
Os cristãos de primeira e segunda geração nunca pensaram que uma religião estava nascendo com eles. Na verdade, não sabiam com que nome designar aquele movimento que crescia de forma insuspeitada. Eles ainda vivam impactados pela memória de Jesus, que eles sentiam vivo no meio deles.
Por isso, os grupos que se reuniam em cidades como Corinto ou Éfeso passaram a ser chamados de “igrejas”, ou seja, comunidades que se formavam chamadas pela mesma fé em Jesus. Em outros lugares, o cristianismo foi chamado de “o caminho”. Um escrito redigido por volta do ano 80 e chamado de carta aos Hebreus diz que é um “caminho novo e vivo” para encarar a vida [Hb 10,20]. O caminho “inaugurado” por Jesus e que deve ser percorrido “com os olhos fixos n’Ele”.
Não há dúvidas! Para esses primeiros
crentes, o cristianismo não era propriamente uma religião, mas uma nova maneira
de viver.
O principal para eles não era viver dentro de uma instituição
religiosa, mas aprender juntos a viver como Jesus no meio daquele vasto
império.
Aqui estava sua força. Isso era o que eles podiam oferecer a todos.
Neste clima, compreendem-se bem
as palavras que o quarto evangelho põe nos lábios de Jesus: “Eu sou o
caminho, a verdade e a vida” [Jo 14,6a]. Este é o ponto de partida do
cristianismo.
O cristão é o homem ou a mulher que, em
Jesus, descobre a melhor maneira de viver, a verdade mais segura
para se guiar, o segredo mais esperançoso da vida.
Este caminho é muito concreto. De nada adianta se sentir conservador ou se declarar progressista. A opção que temos que fazer é outra.
Ou organizamos a vida à nossa maneira ou aprendemos a viver segundo
Jesus.
"O Bom Pastor" - afresco no interior das Catacumbas de São Calixto, em Roma |
*
Indiferença para com quem sofre ou compaixão em todas as suas
formas.
*
Só bem-estar para mim e para os meus ou um mundo mais humano para
todos.
*
Intolerância e exclusão daqueles que são diferentes ou uma atitude
aberta e acolhedora para com todos.
*
Esquecimento de Deus ou comunicação confiante no Pai de todos.
* Fatalismo e resignação ou esperança última para toda a criação.
Traduzido do espanhol e editado por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.
Fonte: Religión Digital – Buenas Noticias – Segunda-feira, 1º de maio de 2023 – Internet: clique aqui (Acesso em: 05/05/2023).
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