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Vendendo ilusões: não caia nessa!

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  Sergio Moro, o candidato coach   Mariliz Pereira Jorge Jornalista e roteirista de televisão   O Brasil não aguenta mais amadores Quando vejo gente disposta a votar em Sergio Moro para presidente entendo o sucesso do coach que convenceu 60 pessoas despreparadas a subir os 2.400 metros do Pico dos Marins, interior de São Paulo . A metade que chegou ao cume precisou ser resgatada, uma epopeia de nove horas, que evitou uma tragédia, segundo os bombeiros.   O curso vendido por Pablo Marçal , chamado de « O pior ano de suas vidas », incluía essa expedição. Marçal em sua conta no Instagram escreveu, «só conquista o topo dessa montanha quem está disposto a entregar todos os recursos durante o caminho. Sangue, suor, lágrimas e gordura. O que te impede de viver aventuras como essa? ».   Não ser trouxa me parece uma boa razão . Isso inclui não cair no papo furado de coaches e não votar em aventureiros . Sergio Moro é um pré-candidato que se encaixa nas ...

Uma religião para o mundo de hoje

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  O risco de nos tornarmos uma religião sem demanda, apenas de oferta   José María Castillo Teólogo espanhol reconhecido internacionalmente – Artigo publicado por «Religión Digital», na quinta-feira, 6 de janeiro de 2022   Os Magos a caminho de Belém, aguardando o resultado do teste de Covid-19 (charge) Sem dúvida, a maioria dos cidadãos é mais seduzida pela DIVERSÃO do que pela DEVOÇÃO Escrevo isso no Dia dos Três Reis , quando as férias de Natal acabam. Um feriado religioso que se transformou em férias , onde as pessoas costumam descansar, se divertir, viajar, dar presentes uns aos outros, organizar festas etc., etc. E o que digo sobre o Natal também se pode dizer sobre a Semana Santa, as festas da padroeira e tantas outras celebrações, que começaram nos templos e terminaram em discotecas, hotéis, agências de viagens, etc. etc. Este é o fato. Mas o que esse fato representa? É evidente que uma notável maioria da população é mais seduzida pelo entretenimento se...

A arte da leitura

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  É fundamental lermos para vermos, ouvirmos e interpretarmos melhor a vida   Enzo Bianchi Monge fundador da Comunidade de Bose, teólogo e biblista italiano – Artigo publicado pelo jornal «La Repubblica», segunda-feira, 10 de janeiro de 2022   Foto aquarela de CLARISSA GARCIA - Recife (PE) “Não basta orar e trabalhar, é preciso LER para ouvir bater o coração do mundo, para manter em exercício a escuta” Passado o clima animado das férias natalinas, das férias em nossas montanhas e dos passeios à beira-mar, voltamos à rotina diária de vida marcada sobretudo pelo trabalho.   A nova onda da pandemia pede que fiquemos o máximo possível dentro de casa, e o frio do janeiro europeu não convida as pessoas a sair, principalmente os idosos. Torna-se, portanto, agradável ficar em casa e dedicar-se à leitura: de fato, se for praticada como uma arte, a leitura é uma escola de silêncio e de interioridade , ao ler a pessoa fica em silêncio e deixa o livro falar, mas també...

Festa do Batismo do Senhor – Ano C – Homilia

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  Evangelho: Lucas 3,15-16.21-22   Alberto Maggi * Frade da Ordem dos Servos de Maria (Servitas) e renomado biblista italiano   "BATISMO DE CRISTO" - tela a óleo de Vladimir Zagitov (2003) Batismo: gesto de fidelidade ao plano de Deus João Batista, no deserto, havia anunciado o batismo como sinal de conversão, ou seja, uma mudança de vida, para o perdão dos pecados. A resposta é inesperada: todas as pessoas se juntam a ele. O povo entendeu que o perdão dos pecados não pode acontecer no Templo, com um ato litúrgico , com um sacrifício ao Senhor, mas com uma mudança de vida. Mas se o povo acreditou e correu para João Batista, as autoridades religiosas, os líderes não o fizeram , sempre resistindo a qualquer convite para mudar.   Lucas 3,15-16a: ** «O povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou d...

Estamos em risco!

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  Cibersegurança fraca e desinformação viral ajudam a erodir ainda mais credibilidade dos governos   Ian Bremmer Fundador e presidente do Eurasia Group, consultoria de risco político dos Estados Unidos da América, e colunista da revista Time   IAN BREMMER O risco das grandes empresas de tecnologia nos conhecerem mais que nós mesmos e nos manipularem em quase tudo Em 2022, as tecnologias digitais que já estão transformando nossas vidas, sob muitos aspectos para melhor, vão expor novas vulnerabilidades em nossas sociedades : 1) Algoritmos criados com dados enviesados tomarão decisões destrutivas que afetarão o modo como bilhões de pessoas vivem e trabalham . 2) Turbas online incitarão a violência . 3) Má informação movimentará bolsas de valores . 4) Teorias conspiratórias distorcerão as opiniões de milhões de pessoas. 5) Hackers roubarão informações a nosso respeito. Todas essas ameaças crescerão no espaço digital, onde as regras são definidas pe...

A morte como meta!

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  No Brasil, a banalização da morte é um programa político, o escândalo genocida da vida é tratado como irrelevante   Patricia Fachin Jornalista   Entrevista especial com José de Souza Martins Sociólogo e professor emérito da USP *   JOSÉ DE SOUZA MARTINS Para quem deseja conhecer, em profundidade, aquilo que acontece no Brasil, o que precisamos fazer para melhorar e nos libertar dessa situação Em 2021, 412.880 brasileiros morreram em decorrência da pandemia de Covid-19, e os dados mais recentes indicam que, além da emergência sanitária, a crise social foi agravada: * 20 milhões de pessoas estão passando fome no país, * 13 milhões estão desempregados, * 38 milhões estão ocupados na informalidade e * o número de favelas dobrou em dez anos. Essas “anomalias”, pondera José de Souza Martins, “ vêm revelando , mais do que em outras situações, o que sociologicamente somos e temos dificuldade para reconhecer e compreender . Até mesmo na peculia...