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Sínodo: um balanço da primeira sessão

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  Sínodo: o não dito, os adiamentos e as questões abertas pelo Papa   Alberto Melloni Professor da Universidade de Modena-Reggio Emilia (Itália) e diretor da Fundação de Ciências Religiosas João XXIII, de Bolonha, em artigo publicado por « Corriere della Sera », 26-10-2023   ALBERTO MELLONI: historiador da Igreja, especialista em concílios e, mais especificamente, em Concílio Vaticano II     Deve-se prosseguir a reflexão, pois há muito a ser repensado na Igreja Católica Francisco deu ao Sínodo da Igreja Católica uma forma diferente: aquela de um “concílio não geral” , que reúne uma parcela do colégio episcopal, alguns fiéis católicos e poucos cristãos de outras Igrejas. Ele o convocou para uma sessão que agora está prestes a terminar com um documento intermédio, e a uma segunda sessão no próximo ano : na véspera de uma longa intersessão na qual o Sínodo não está nem dissolvido nem reunido, não é possível tirar conclusões, mas certamente listar algumas qu...

Nada a ver com a Bíblia

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  Por que é um erro usar Bíblia para legitimar genocídio palestino?   Frei Betto Frade dominicano brasileiro, teólogo, filósofo, escritor de 76 livros e assessor de CEB’s e movimentos sociais no Brasil e exterior   GAZA: terra arrasada! Se isto não é genocídio, o que seria? Atual conflito entre israelenses e palestinos deita raízes no documento religioso, em especial no Livro de Josué, que teria sido escrito no século XII a.C. Sionistas são aqueles que advogam pela supremacia do Estado de Israel e impedem que os palestinos tenham um Estado independente , inclusive com direito a terem, como todo Estado constituído, Forças Armadas. O atual conflito entre israelenses e palestinos deita raízes na Bíblia, em especial no Livro de Josué , que teria sido escrito no século XII a.C. Nem tudo nele possui base histórica . Segundo o relato, Deus teria assumido postura de colonizador e dito a Josué, herdeiro de Moisés, quando o povo hebreu terminava a travessia do deserto ap...

Israel e Palestina

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  O suicídio de uma nação e o extermínio de um povo   Vladimir Safatle Professor titular de Filosofia na USP. Autor, entre outros livros, de Maneiras de transformar mundos: Lacan, política e emancipação (Autêntica)   VLADIMIR SAFATLE O Hamas não será destruído porque ele tem um sócio que precisa dele para sobreviver, e esse sócio é Benjamin Netanyahu Existe um filme de Luis Buñuel que se chama “O anjo exterminador” . Nele, vemos um grupo de burgueses que vai para uma espécie de salão de recepção e simplesmente não consegue mais sair. Não há nenhum impedimento físico, nenhuma restrição, a não ser aquela vinda de suas próprias vontades. Quando tentam sair eles subitamente param, perdem a força de vontade e permanecem paralisados. A impotência vai até o desespero, cenas de violência e degradação aparecem, até que, da mesma forma como foi natural entrarem no salão, eles saem.  Existe um sintoma fundamental na ordem geopolítica mundial . Trata-se do conflito pa...

É bom saber...

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  O contexto da ocupação israelense   Ilan Pappe Historiador e diretor do Centro Europeu de Estudos da Palestina da Universidade de Exeter (Inglaterra). Autor, entre outros livros, de Dez mitos sobre Israel (Ed. Tabla)   Tropas de Israel em Gaza, após uma destruição quase absoluta da parte norte da cidade A des-historicização do que está acontecendo ajuda Israel a seguir políticas genocidas em Gaza Em 24 de outubro, uma declaração do Secretário-Geral das Nações Unidas, Antonio Guterres , causou uma forte reação de Israel. Ao se dirigir ao Conselho de Segurança da ONU, o chefe da ONU disse que, embora condenasse com veemência o massacre cometido pelo Hamas em 7 de outubro, queria lembrar ao mundo que ele não ocorreu em um vácuo . Ele explicou que não se pode dissociar nossa preocupação com a tragédia que ocorreu naquele dia e os 56 anos de ocupação israelense de territórios .  O governo israelense não demorou a condenar a declaração. Autoridades israelenses...

Solenidade de Todos os Santos – Ano A – Homilia

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  Evangelho: Mateus 5,1-12a   Frei Alberto Maggi Padre e biblista italiano dos Servos de Maria (Servitas) Bem-aventurados os que lutam pelo Reino de Deus Introdução A nova relação de amor entre Deus e seu povo precisa de uma nova aliança . É o que Mateus nos apresenta em seu Evangelho no capítulo 5 com as bem-aventuranças de Jesus. O evangelista apresenta Jesus colocado sobre “o” monte . O artigo definido indica que não se trata de uma montanha qualquer, mas uma montanha já conhecida. Ele quer representar o Monte Sinai , onde Moisés recebeu de Deus a aliança com o povo de Israel. Pois bem, agora Jesus não recebe a aliança de Deus, mas ele – que é Deus e o evangelista o apresentou como “Deus conosco” – propõe uma nova aliança com o povo . Moisés, o servo do Senhor, impôs uma aliança entre os servos e seu Senhor baseada na obediência. Jesus, que não é servo do Senhor, mas filho de Deus, propõe uma aliança entre os filhos e o pai baseada na aceitação e na prática d...