27º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia
Evangelho: Mateus 21,33-43
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ouvir a narração deste Evangelho, clique sobre a imagem abaixo:
Introduzindo a Conversa
A parábola dos trabalhadores homicidas é enquadrada, por Mateus, na moldura de outras duas parábolas:
a) aquela dos dois filhos (Mt 21,28-32) e
b) aquela do banquete de núpcias (Mt 22,1-14).
Juntas, as três parábolas contêm uma resposta negativa:
* aquela do filho ao pai,
* de alguns agricultores ao
proprietário da vinha,
* de certos convidados ao rei
que celebra as núpcias de seu filho.
As três parábolas tendem a mostrar um único ponto: trata-se daqueles que, como não acolheram a pregação e o batismo de João Batista, agora, são unânimes na rejeição do último enviado de Deus, a pessoa de Jesus.
A introdução à primeira parábola de Mt 21,28-32 é para ser considerada também para a parábola dos trabalhadores homicidas:
«Entrou no Templo e, enquanto ensinava, aproximaram-se dele os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo e disseram: “Com qual autoridade fazes essas coisas? E quem te deu essa autoridade?”».
É a aristocracia sacerdotal e aquela secular que se
aproxima de Jesus quando ele entra no Templo. Estão preocupados com a
popularidade de Jesus e lhe põem duas perguntas para saber duas coisas:
* que tipo de autoridade ele se
atribui ao fazer aquilo que faz, e
* de onde provém tal autoridade.
Ou seja, os sumos sacerdotes e os chefes do povo exigem uma prova jurídica: não se recordam mais que os profetas tinham a sua autoridade diretamente de Deus.
Escutem!
A parábola se abre com um convite a escutar: «Escutai esta outra parábola» (versículo 33). Jesus parece exigir a atenção dos dirigentes do povo para a parábola que está para pronunciar. É um imperativo, «escutai», que não exclui um sentido ameaçador, se se faz atenção a como a parábola termina: «Por isso eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos» (versículo 43).
O Cuidado Para com a Vinha
Em Mt 21,33: O cuidado atento do proprietário pela sua vinha. Antes de mais nada, há a iniciativa de um proprietário que planta uma vinha. Essa atenção e cuidado são descritos por Mateus com cinco verbos: plantou... circundou... escavou... construiu... confiou. O dono, após ter plantado a vinha, confia-a a uns arrendatários e parte para longe.
Em Mt 21,34-36: As diversas tentativas do proprietário para receber os frutos da vinha. Nessa segunda cena o proprietário envia, duas vezes, os servos que, encarregados pelo dono de retirar os frutos da vinha, são espancados e assassinados. Essa ação agressiva e violenta é destacada com três verbos: espancaram... mataram... apedrejaram... (versículo 35)... Mateus pretende fazer alusão à história dos profetas, também eles receberam os mesmos maus tratamentos. Algumas passagens para recordar: Urias é assassinado com a espada (Jr 26,23); Jeremias é colocado em tocos (Jr 20,2); Zacarias é apedrejado (2Cr 24,21). Uma síntese deste particular da história profética encontra-se em Neemias 9,26: «mataram os teus profetas...».
Em Mt 21,37: Por último, envio seu filho. O leitor é convidado a reconhecer no filho mandado por «último» o enviado definitivo de Deus, aquele do qual ter respeito, e ao qual entregar os frutos da vinha. É a última tentativa do proprietário... Não se exclui que esse projeto de eliminação do filho seja modelado sobre aquele de uma outra história do Antigo Testamento: os irmãos de José que dizem: «Vamos, matemo-lo e joguemo-lo em uma cisterna!» (Gn 37,20)... O destino de Jesus é combinado àquele dos profetas, mas, enquanto filho e herdeiro, ele é superior a eles. Tais combinações cristológicas podem ser percebidas na Carta aos Hebreus, onde, porém, é mostrada a superioridade de Cristo como filho e herdeiro do universo: «Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora aos nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo» (Hb 1,1-2). Há uma particularidade nesse final da parábola que não deve ser desprezado: Mateus, colocando primeiramente o gesto, «jogaram-no para fora da vinha» e fazendo seguir o outro, «o mataram» pretende decisivamente referir-se à paixão de Jesus, que é realizada fora da cidade para ser crucificado.
Em Mt 21,43: A entrega da vinha a outros agricultores. A parte final da narrativa parabólica afirma a perda do Reino de Deus e a sua concessão a um outro povo capaz de trazer frutos, isto é, capaz de uma fé viva e operante em uma práxis de amor.
Pistas para a Ação de nossa Igreja
O símbolo da vinha é, para nós, o espelho no qual ver e refletir a história pessoal e comunitária da nossa relação com Deus. Hoje, essa grande vinha é a Igreja que o Senhor cultiva com cuidado e que confia a nós, vinhateiros (= colaboradores), com a tarefa de continuar a missão por ele iniciada.
Certamente, a proposta é grande. Todavia, como Igreja, somos conscientes da tensão que existe entre a fidelidade e a infidelidade, entre a rejeição e o acolhimento que a própria Igreja pode experimentar. O evangelho deste domingo nos mostra que, não obstante as dificuldades e as aparentes fragilidades, nada pode deter o amor de Deus para com os seres humanos, nem mesmo a eliminação de seu Filho, pelo contrário, esse sacrifício traz a todos a salvação.
Somos chamados a estar com Jesus para continuar a sua
missão de:
* ajudar o ser humano a encontrar-se
com ele para ser salvo;
* lutar todos os dias para conter as forças do mal que tentam suprimir o desejo de realizar o bem e promover a justiça.
Como Igreja, somos chamados a aprender, com o exemplo de Jesus, a experimentar a contestação e a ser capazes de suportar as dificuldades no empenho de evangelizar.
Para Refletir
Você considera que as provas eduquem o nosso coração?
E que as dificuldades possam ser um instrumento para medir a nossa autenticidade e a solidez da nossa fé?
Traduzido do italiano por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.
Fonte: CILIA, Anthony, O.Carm. Lectio Divina sui vangeli festivi per l’anno litúrgico A. Leumann (TO): ELLEDICI, 2010, páginas 550-555.
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