28º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia
Evangelho: Mateus 22,1-14
Para ouvir a narração deste Evangelho, clique sobre a imagem abaixo:
Teólogo espanhol
O Reino é o Grande Banquete de Deus
Não é possível entender esta parábola, se não levamos em conta o que representava, nas cultura antigas o “simpósio”, o banquete festivo que se celebrava, desde o mundo judeu ao mundo romano, passando pela cultura dos gregos. Os biblistas “de ofício” costumam resistir à influência que o “simpósio” antigo teve nas origens da eucaristia. Porém, os dados históricos aí estão. E negar-se a aceitar tais dados produz a impressão de um certo “fundamentalismo bíblico”, que resiste aos fatos que viveram os primeiros cristãos.
Isto suposto, é certo que Jesus oferecia o Reino, antes de tudo, aos marginalizados através de sua mesa de fraternidade. Trata-se disso: para muitos acadêmicos, a comensalidade com os socialmente excluídos é essencial em toda reconstrução social do Jesus histórico que pretenda ser válida. Por exemplo, John Dominic Crossan afirma enfaticamente: «Minha teoria é que a magia e a comida ou o milagre e a mesa... proporcionam o ponto crucial do programa de Jesus. Se esta teoria não for verdadeira, eu teria que reescrever todo o livro» (O Jesus Histórico, Imago Editora, 1994). Quer dizer que, se arrancarmos dos evangelhos as refeições de Jesus, tudo aquilo que neles se diz perde sentido e seu significado para nós. Os cristãos devem sê-lo precisamente compartilhando o banquete da comida compartilhada com aqueles que aceitam participar dessa mesa, que, segundo a parábola, não são os ricos, mas os excluídos socialmente.
Nos tempos difíceis que estamos vivendo, quando tantos milhões de seres humanos não têm acesso ao mais elementar que nos pede a vida, a saúde e a alimentação, e isto superando qualquer forma de exclusão na sociedade, Jesus diz aos cristãos – e o diz à Igreja – que o central do Reino de Deus é a comensalidade.
Isto
é, a mesa compartilhada com aqueles que não podem compartilhar nada mais que
suas carências, suas exclusões, suas inseguranças e seus medos.
Assim, somente assim, poderemos fazer algo para que este mundo torne-se mais habitável. É isso que o Cristianismo tem a trazer para a humanidade neste momento.
José Antonio
Pagola
Biblista
espanhol
Convite
Jesus conhecia muito bem como desfrutava os camponeses da Galileia as bodas que se celebravam nas aldeias. Sem dúvida, o mesmo tomou parte em mais de uma. Que experiência mais alegre poderia haver para aquelas pessoas que serem convidadas a uma festa de casamento e poder sentar-se com os vizinhos e compartilhar juntos um banquete de festa?
Esta recordação vivida desde criança ajudou Jesus, mais tarde, a comunicar sua experiência de Deus de uma maneira nova e surpreendente. Segundo ele, Deus está preparando um banquete final para todos seus filhos, pois quer ver sentados todos juntos a ele desfrutando para sempre de uma vida plenamente feliz.
Podemos dizer que Jesus entendeu sua vida inteira como o oferecimento de um grande convite em nome de Deus a essa festa final. Por isso, Jesus não impõe nada à força, não pressiona ninguém. Anuncia a Boa Nova de Deus, desperta a confiança no Pai, acende nos corações a esperança. Seu convite deve chegar a todos.
O que houve deste convite de Deus?
Quem o anuncia?
Quem o escuta?
Onde se fala, na Igreja, dessa festa final?
Satisfeitos com o nosso bem-estar, surdos ao que não sejam
nossos interesses imediatos, não necessitamos mais de Deus?
Estamos nos acostumando, pouco a pouco, a viver sem necessidade de alimentar uma esperança última?
Jesus era realista. Sabia que o convite de Deus pode ser
recusado. Na parábola dos «convidados à boda» se fala de diversas
reações dos convidados:
* Uns recusam o convite de maneira
consciente e enfática: «Não quiseram vir».
* Outros respondem com absoluta indiferença: «Não fizeram caso». Importa-lhes mais suas terras e seus negócios.
Porém, segundo a parábola, Deus não se desanima. Apesar de tudo, haverá uma festa final. O desejo de Deus é que a sala do banquete fique repleta de convidados. Por isso, há que se ir às «encruzilhadas dos caminhos», por onde caminham tantas pessoas errantes, que vivem sem esperança e sem futuro.
A
Igreja deve seguir anunciando com fé e alegria o convite de Deus proclamado no
Evangelho de Jesus.
O Papa Francisco está preocupado em razão de uma pregação que se obstina «por uma transmissão desarticulada de uma infinidade de doutrinas que tentam se impor por força da insistência». O maior perigo está, segundo ele, em que não será mais «propriamente o Evangelho o que se anuncia, mas alguns acentos doutrinais ou morais que procedem de determinadas opções ideológicas. A mensagem correrá o risco de perder sua frescura e deixará de ter o cheiro do Evangelho».
Traduzido do espanhol por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.
Fontes: CASTILLO, José María. La religión de Jesús: Comentario al evangelio diario – 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, página 363; PAGOLA, José Antonio. La Buena Noticia de Jesús – Ciclo A. Boadilla del Monte (Madrid): PPC, 2016, páginas 235-237.
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