Reformar a Previdência ou cobrar de quem deve?
Empresas de deputados e senadores devem
372 milhões de reais ao INSS
Piero
Locatelli, Ana Magalhães e Ana Aranha
Congressistas que debatem a reforma da Previdência são
sócios ou
administradores de companhias que devem ao INSS.
Saiba quem são os 86 parlamentares
Enquanto
debatem a reforma da Previdência, deputados federais e senadores estão associados
a empresas que devem R$ 372 milhões ao INSS. Segundo levantamento da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), 73
deputados e 13 senadores estão ligados a grupos devedores da Previdência, um em cada sete congressistas.
As empresas presentes no
levantamento têm parlamentares como sócios, presidentes, fundadores ou
administradores. Casos em que os CNPJs estão vinculados aos CPFs dos congressistas.
Entre elas, há redes de televisão e
rádio, hotéis, frigoríficos, companhias siderúrgicas e até diretórios de
partidos políticos.
Entre
os devedores, quatro senadores e 11 deputados têm empresas que somam dívidas
superiores a um milhão de reais. O líder
do ranking é o senador Fernando Collor (PTC-AL). O ex-presidente está associado a cinco empresas que devem 112 milhões
de reais, todas elas no ramo da comunicação. A TV Gazeta, retransmissora da
TV Globo, tem Collor como sócio e deve R$ 46 milhões ao INSS.
A
assessoria de imprensa do senador afirmou, por e-mail, que “o senador não
participa diretamente da gestão das empresas de comunicação de sua família, mas
acompanha os esforços da diretoria para, mesmo diante do quadro de grave
retração econômica, assegurar a continuidade da atividade e garantir o emprego
de funcionários, ainda que sacrificando momentaneamente a pontualidade no
cumprimento de algumas obrigações de natureza fiscal”.

Entre os deputados federais,
a maior dívida é de Marinaldo Rosendo (PSB/PE), com 105 milhões de reais. Somente a PR Distribuidora de Bebidas e
Alimentos, da qual ele é sócio, deve 99 milhões de reais ao INSS.
Rosendo
não retornou os e-mails e ligações da reportagem. A Repórter Brasil enviou mensagens e ligou para o gabinete de todos
os deputados federais e senadores com dívidas superiores a 1 milhão de reais.
O senador Cidinho Santos (PMDB-MT)
informou por e-mail que a dívida de 3,2 milhões de reais foi parcelada e está
sendo paga. Ele diz ainda que está afastado da administração das empresas desde
que assumiu o mandato.
O deputado Alfredo Kaefer (PSL-PR), associado
a cinco empresas que devem 24 milhões de reais, alega que as dívidas são fruto
de um erro judicial. Segundo ele, uma de suas empresas entrou em falência e
teve os efeitos das dívidas estendidos a outras companhias. “Foi um ato
arbitrário de um juiz, depois anulado pelo Superior Tribunal de Justiça”. Ele
diz estar aguardando a reintegração dos proprietários para parcelar a dívida.
Na
mesma linha, o deputado Newton Cardoso
Junior (PMDB-MG) disse, por meio de sua assessoria, que “é um direito de
qualquer cidadão discutir na justiça tributos considerados cobrados
indevidamente”. Embora declare não mais atuar na direção das empresas
devedoras, ele consta como fundador e
administrador de seis grupos – entre eles um hotel e uma companhia siderúrgica
– que acumulam dívida de mais de 20 milhões de reais com o INSS.
O deputado Celso Russomanno (PRB-SP)
informou que a dívida de 1,6 milhão de reais referente ao Bar e Restaurante do Alemão está parcelada e sendo paga. Ele disse
acreditar que em 60 meses os débitos estarão quitados. Russomano alega que o
empreendimento foi fechado e que era sócio minoritário do restaurante, detentor
de 20% do negócio.
Os
outros deputados federais e senadores procurados não responderam à reportagem.
As
dívidas contabilizadas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional incluem
aquelas consideradas como em “situação regular”: foram parceladas, suspensas
por decisão judicial ou garantidas de alguma forma pelo devedor. Além das
cobranças em andamento sem nenhum tipo de garantia, consideradas como em
“situação irregular”.
Apesar
dos parlamentares localizados alegarem que suas dívidas estariam em situação
regular, 75% do total devido está em
situação irregular.
Há
três principais maneiras de uma empresa entrar na dívida ativa da União como devedora
da Previdência: quando ela não repassa a contribuição previdenciária do
trabalhador ou do empregador ao INSS ou quando ela paga essas contribuições
sobre um valor inferior ao salário real.
Os
dados foram consolidados pela procuradoria em abril deste ano, e foram obtidos
através do portal da Controladoria-Geral
da União, onde são disponibilizados todos os pedidos de acesso à informação
feitos ao Executivo Federal e suas respostas.
Acesse o documento completo, incluindo a lista de todos
os políticos devedores do INSS, clicando aqui
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