Solenidade da Santíssima Trindade – Ano A – Homilia
Evangelho: João 3,16-18
16
Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo
o que nele crer, mas tenha a vida eterna.
17
De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para
que o mundo seja salvo por ele.
18
Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não
acreditou no nome do Filho unigênito.
JOSÉ MARÍA
CASTILLO
Teólogo
espanhol
A fé da Igreja professa que no Deus único e
verdadeiro, no qual nós cristãos cremos, há três pessoas: o Pai, o Filho e o
Espírito Santo. Esta forma de entender Deus se afirma expressamente, pela
primeira vez, no «Credo» do 1º Concílio de Constantinopla (ano
381). Por isso, o Credo deste concílio tem uma estrutura trinitária (Cf.:
DENZINGER; HÜNERMANN. Compêndio dos
símbolos, definições e declarações de fé e moral. São Paulo: Edições
Loyola, Paulinas Editora, 2007, nº. 150).
É de conhecimento que o Credo deste concílio não foi aceito como Credo da missa
até o 3º Concílio de Toledo (ano
589) (Cf.: Idem, nº 109).
Que o Filho é igual, na divindade, ao Pai,
foi definido no Concílio de Niceia (ano 325). E a divindade do Espírito Santo,
no ano 381. Sabe-se que nesses concílios, tiveram uma influência importante os
imperadores Constantino I (Niceia) e
Teodósio I (Constantinopla). O
chamado «cesaropapismo», ou seja, a intromissão dos imperadores na teologia,
resultou mais forte do que alguns suspeitam. Era o tempo do afundamento do
Império Romano. E os imperadores necessitavam de uma religião forte e unida,
algo que encontraram na Igreja e em seus dogmas. Isto não retira a credibilidade de tais dogmas. Porém, indica que é
necessário estudá-los a fundo e conhecer a correta interpretação que os textos
dogmáticos necessitam.
Seguindo a conhecida distinção que fez Karl Rahner (teólogo jesuíta alemão:
1904-1984), não é o mesmo a trindade de
Deus em si mesmo (Trindade «imanente») que a trindade de Deus em sua comunicação com o homem (Trindade
«econômica»). Da primeira [«imanente»] não podemos saber com segurança em que
consiste, uma vez que Deus é o Transcendente e seu ser e natureza está fora de
nosso alcance.
Sabemos, pelo Novo Testamento, que Deus se comunicou conosco como PAI, que nos ama; como FILHO,
que nos revela o Pai e nos traça o caminho da salvação; como ESPÍRITO, que nos dá a força que necessitamos e nos
comunica o significado da revelação em cada tempo e situação. Porém, quando nos relacionamos com Deus, o determinante
não são os «conceitos», mas a «experiência» que
temos d’Ele. A qual se traduz nas convicções que guiam nossa vida.
Frequentemente ocorre que, nas coisas de
Deus, temos conceitos equivocados porque nossa experiência desse Deus anda
também equivocada. O que importa, é que experimentemos e sintamos Deus como Pai,
a Jesus como a luz e o caminho que
nos guia com a força e a liberdade do Espírito
Santo.
Traduzido do
espanhol por Telmo José Amaral de
Figueiredo.
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