Solenidade de Pentecostes – Ano A – Homilia
Evangelho:
João 20,19-23
19
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos
judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e
pondo-se no meio deles,
disse: «A
paz esteja convosco».
20
Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se
alegraram por verem o Senhor.
21
Novamente, Jesus disse: «A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu
vos envio».
22
E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: «Recebei o Espírito Santo.
23
A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não
perdoardes, eles lhes serão retidos».
Anthony Cilia,
O.Carm.
Editor
O ESPÍRITO SANTO: JESUS PRESENTE
Jesus se faz presente na comunidade. Nem
mesmo as portas fechadas lhe impedem de estar no meio daqueles que não o
reconhecem. Até hoje é assim! Quando
estamos reunidos, mesmo que todas as portas estejam fechadas, Jesus está em
nosso meio! Também hoje, a primeira palavra de Jesus será sempre : «A paz esteja convosco!».
Ele mostra os sinais da paixão nas mãos e do
lado. O ressuscitado é o crucificado! O Jesus que está conosco na comunidade
não é um Jesus glorioso que não tem nada em comum com a vida das pessoas. Mas é
o mesmo Jesus que veio sobre esta terra e que tem os sinais da paixão. E hoje
estes mesmos sinais se encontram nos sofrimentos das pessoas. São os sinais da
fome, da tortura, das guerras, das doenças, da violência, da injustiça.
Tantos sinais!
E nas pessoas
que reagem e lutam pela vida, Jesus ressuscita e se torna presente em meio a
nós.
Deste Jesus, crucificado e ressuscitado,
recebemos a missão, a mesma que ele recebeu do Pai. E também a nós ele repete: «A paz esteja convosco!». A repetição
destaca a importância da paz. Construir a paz faz parte da missão. A paz que
Jesus nos deixa significa muito mais que a ausência de guerra. Significa construir
um ambiente humano harmonioso, no qual as pessoas possam ser elas mesmas, com
tudo que é necessário para viver, e onde possam viver serenas e em paz. Em uma
palavra, significa construir uma
comunidade segundo a comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Jesus soprou sobre os apóstolos e disse: «Recebei
o Espírito Santo». É, portanto, com o auxílio do Espírito Santo que nós podemos
desenvolver a missão que ele nos confia. No Evangelho de João, a ressurreição (Páscoa) e a efusão do Espírito (Pentecostes) são
uma só coisa. Tudo acontece ao mesmo tempo.
O ponto central da missão de paz encontra-se
na reconciliação, na tentativa de superar as barreiras que nos separam:
«A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não
perdoardes, eles lhes serão retidos». Esse poder de reconciliar e de perdoar é
dado aos discípulos. No Evangelho de Mateus, este mesmo poder é concedido
também a Pedro (Mt 16,19) e à comunidade (Mt 18,18). Uma comunidade sem perdão e sem reconciliação não é uma comunidade
cristã.
No Evangelho de João, o primeiro encontro
entre Jesus ressuscitado e os seus discípulos é marcado pela saudação: «A paz esteja convosco!». A paz que
Jesus nos dá é diversa da Pax Romana,
construída pelo Império Romano (Jo 14,27). Paz, na Bíblia, é representada pela
palavra shalom, que é uma palavra rica de profundo significado.
Significa a integridade da pessoa diante
de Deus e dos outros. Significa também vida plena, feliz, abundante (Jo
10,10). A paz é sinal da presença de
Deus, porque o nosso Deus é um Deus de paz, «Javé é Paz» (Jr 6,24). «O Deus
da paz esteja com todos vós!» (Rm 15,33).
Por isso, a proposta de paz de Deus produz
reações violentas. Como diz o salmo: «Morei
demais com gente que detesta a paz. Eu sou pela paz, mas quando falo em paz,
eles só querem guerra» (Sl 120,6-7). A paz que Jesus nos dá é sinal de
«espada» (Mt 10,34). Supõe perseguições pela comunidade. E o próprio Jesus nos
anuncia tribulações (Jo 16,33). É
necessário ter confiança, lutar, trabalhar, perseverar no Espírito a fim que um
dia a paz de Deus triunfe.
Naquele dia «amor e verdade se encontrarão,
justiça e paz se abraçarão» (Sl 85,11). Pois, «Pois o Reino de Deus não é comida
e bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo» (Rm 14,17) e «Deus
seja tudo em todos» (1Cor 15,28).
Traduzido do
italiano por Telmo José Amaral de
Figueiredo.
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