12º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia
Evangelho: Mateus 10,26-33
Naquele
tempo, disse Jesus a seus apóstolos:
26
Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e
nada há de escondido que não seja conhecido.
27
O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do
ouvido, proclamai-o sobre os telhados!
28
Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo
contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!
29
Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no
chão sem o consentimento do vosso Pai.
30
Quanto a vós, até os cabelos da cabeça estão todos contados.
31
Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais.
32
Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu
me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus.
33
Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do
meu Pai que está nos céus.
JOSÉ ANTONIO
PAGOLA
NOSSOS MEDOS
Quando nosso coração não está habitado por um
amor forte ou uma fé firme, facilmente a nossa vida fica à mercê de nossos
medos. Às vezes, é o medo de perder prestígio, segurança, comodidade ou
bem-estar o que nos detém ao tomar decisões. Não nos atrevemos arriscar nossa
posição social, nosso dinheiro ou nossa pequena felicidade.
Outras vezes, nos paralisa o medo de não
sermos acolhidos. Aterroriza-nos a possibilidade de ficarmos sozinhos, sem a
amizade ou o amor das pessoas. Ter de enfrentarmos a vida diária sem a
companhia de ninguém.
Com frequência vivemos preocupados somente de
ficarmos bem. Temos medo de sermos ridículos, confessar nossas verdadeiras
convicções, dar testemunho de nossa fé. Tememos as críticas, os comentários e a
rejeição dos outros. Não queremos ser classificados. Outras vezes, nos invade o
temor do futuro. Não vemos claro o nosso porvir. Não temos segurança em nada.
Talvez, não confiamos em ninguém. Enfrentar o amanhã nos dá medo.
Sempre foi tentador para aqueles que creem
buscar na religião um refúgio seguro que nos liberte de nossos medos,
incertezas e temores. Porém, seria um
erro ver na fé o porto seguro dos medrosos, covardes e fracos.
A fé confiante em Deus, quando é bem
entendida, não conduz o que crê a esquivar-se de suas próprias
responsabilidades diante dos problemas. Não o leva a fugir dos conflitos para
fechar-se comodamente no isolamento. Pelo contrário, é a fé em Deus que
preenche seu coração de força para viver com mais generosidade e de modo mais
arriscado. É a confiança viva no Pai que lhe ajuda a superar covardias e medos
para defender com mais audácia e liberdade o Reino de Deus e sua justiça.
A fé não cria
homens covardes, mas pessoas determinadas e audazes. Não fecha aqueles que
creem em si mesmos, mas abre-os mais à
vida problemática e conflitiva de cada dia. Não os envolve na preguiça e
comodidade, mas anima-os para o
compromisso.
Quando quem crê escuta de verdade, em seu
coração, as palavras de Jesus: «Não tenhais medo», não se sente convidado a
esquivar-se de seus compromissos, mas animado pela força de Deus a
enfrentá-los.
LIBERTAR DO MEDO
As fontes cristãs apresentam Jesus
inteiramente dedicado a libertar as pessoas do medo. Dava-lhe pena ver as
pessoas aterrorizadas pelo poder do Império Romano, intimidadas pelas ameaças
dos mestres da Lei, distanciadas de Deus pelo medo de sua ira, culpadas pela
sua pouca fidelidade à Lei. De seu coração, repleto de Deus, somente podia
brotar um desejo: «Não tenhais medo».
São palavras de Jesus que se repetem sempre nos evangelhos. As que mais
deveriam ser repetidas em sua Igreja.
O medo se
apodera de nós quando em nosso coração cresce a desconfiança, a insegurança ou
a falta de liberdade interior. Este medo é o problema central do ser humano e
somente podemos nos libertar dele, enraizando nossa vida em um Deus que só
busca o nosso bem.
Assim entendia Jesus. Por isso, dedicou-se,
acima de tudo, a despertar a confiança
no coração das pessoas. Sua fé profunda e simples era contagiosa: «Se Deus cuida com tanta ternura das
codornizes dos campos, os menores pássaros da Galileia, como não irá cuidar de
vós? Para Deus sois mais importantes e queridos que todos os pássaros do céu».
Um cristão da primeira geração recolheu bem sua mensagem: «Descarregai em Deus todos os vossos fardos, que a Ele interessa o vosso
bem».
Com que força falava Jesus a cada enfermo: «Tem fé. Deus não se esqueceu de ti». Com
que alegria despedia-os quando podia vê-los curados: «Vai em paz. Vive bem». Era
seu grande desejo que as pessoas vivessem com paz, sem medos nem angústias:
«Não vos julgai, não vos condenai mutuamente,
não vos fazei dano. Vivei de maneira amistosa».
São muitos os medos que fazem as pessoas sofrerem
em segredo. O medo faz mal, muito mal. Onde
cresce o medo, perde-se de vista Deus e se abafa a bondade que há no coração
das pessoas. A vida se apaga, a alegria desaparece.
Uma comunidade
de seguidores de Jesus deve ser, antes de tudo, um lugar onde a pessoa se
liberta de seus medos e aprende a viver confiando em Deus. Uma comunidade onde se
respira uma paz contagiosa e se vive uma estreita amizade que torna possível
escutar hoje o chamado de Jesus: «Não
tenhais medo».
Traduzido do
espanhol por Telmo José Amaral de
Figueiredo.
Comentários
Postar um comentário