23º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

Evangelho: Mateus 18,15-20

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos:
15 «Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo! Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão.
16 Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas.
17 Se ele não vos der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como se fosse um pagão ou um pecador público.
18 Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.
19 De novo, eu vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isto vos será concedido por meu Pai que está nos céus.
20 Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome eu estou ali, no meio deles.»

JOSÉ ANTONIO PAGOLA & JOSÉ MARÍA CASTILLO

SOZINHO, ENTRE OS DOIS

São muitos os fatores que constantemente deterioram nossas relações pessoais dentro da família, entre vizinhos e companheiros de trabalho ou na convivência diária.

A comunicação fica facilmente bloqueada, sobretudo quando constatamos que o outro atuou de maneira injusta ou desleal. Sentimo-nos como que justificados para excluí-lo de nossa aceitação amistosa e fechar-nos em um juízo destruidor.

Posto que o outro atuou mal, não consideramos necessário analisar nossa postura. Parece-nos «normal» retirar nossa amizade e bloquear nosso olhar e nosso coração.

Assim, sem nos darmos conta, nossas relações se empobrecem, afogadas pela decepção, pelas acusações inflexíveis e tantas condenações.

Não é este o caminho correto para crescer. Jesus nos anima a adotar uma postura positiva, orientada para salvar a relação com o irmão, sem buscar seu desprestígio ou sua condenação, mas unicamente o BEM. Surpreendentemente, Jesus indica que é o «ofendido» aquele que deve tomar a iniciativa para facilitar a reconciliação.

Essa postura positiva exige um coração simples e grande, pois se trata de aproximar-nos daquele que agiu mal, sem julgamentos humilhantes nem condenações definitivas, mas movidos pelo desejo interior de paz e de reconciliação sincera.

De pouco serve condenar a partir de uma atitude de superioridade moral ou a partir de uns princípios rígidos e inflexíveis, se falta esta atitude interior de acolhida amistosa.

É necessário escutar o outro sem pressa, dar-lhe possibilidade de «explicar-se», deixar que nos comunique sua maneira de viver e sentir tudo aquilo, sem que se veja humilhado ou rejeitado.

Não basta dizer: «Sim, já lhe conheço», «Para que vamos conversar se tudo continuará igual?», «Como se não soubesse que tipo de pessoa é», «Decepcionou-me para sempre», «Nada mais será como antes».

Todos cometemos falhas e equívocos. Todos temos momentos maus e necessitamos poder começar de novo, contar com uma nova oportunidade. Deve-se seguir crendo no amigo, na esposa, no companheiro ainda que devamos ser críticos para ajudar-lhe a sair de seu erro.

Quantos matrimônios e quantas relações de amizade teriam seguido crescendo se tivesse existido este diálogo clarificador e construtivo «a sós, entre os dois», como diz o Evangelho.
[...]

Lendo os evangelhos de Mateus e Lucas (cap. 3), vê-se que a preocupação central de João Batista era o tema do pecado e a conversão dos pecadores. Porém, lendo os capítulos seguintes dos evangelhos, vê-se logo que as preocupações de Jesus iam por outro caminho.

Jesus se fez amigos de pecadores, publicanos, pessoas impuras, a ninguém lhe pediu contas por seus pecados. E, se é certo que perseguiram e mataram Jesus, não foi pelos pecados cometidos contra Deus, mas porque se colocou da parte dos que sofrem, ainda que fossem pessoas de má vida e pouco exemplares.

Este evangelho de hoje nos dá a chave: o pecado não é nem uma «culpa», nem uma «mancha», nem uma «ofensa» a Deus. O pecado é o mal que nós fazemos uns aos outros. Por isso, o perdão do pecado se obtém mediante a mútua reconciliação dos que se ofenderam. Se não há perdão mútuo, não há perdão de Deus. [...]

O centro de nossa vida cristã e cidadã está na bondade que chega ao ponto de deixar-se matar para aliviar a dor do mundo [como fez Jesus].

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fontes: Sopelako San Pedro Apostol Parrokia – Sopelana – Bizkaia (Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo A – Internet: clique aqui; e CASTILLO, José María. La religión de Jesús: comentario al Evangelio diario – Ciclo A (2013-2014). Bilbao: Desclée De Brouwer, 2013, páginas 567-568.

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