Como agir diante da morte iminente?
O que dizer a alguém que está prestes
a perder um ente querido?
Mathilde de
Robien
Precisamos começar a
superar nosso próprio medo de
falar sobre a morte
Pacientes terminais recebem apoio
da família, da equipe médica e de outras pessoas que se oferecem para visitá-los
ou acompanhá-los. Mas quem apoia os membros da família, que estão passando
pela dolorosa experiência de se preparar para perder um ente querido?
Esses membros da família e
cuidadores estão em uma posição difícil, porque enquanto eles estão
lidando com seus próprios sentimentos em relação à doença e morte de seu ente
querido, eles também precisam permanecer fortes e estar presentes para apoiar a
pessoa que está morrendo. Como eles podem consolar a pessoa que está
morrendo quando eles mesmos se sentem emocionalmente abalados, e talvez até
confusos, com a ideia de perder seu amado em breve?
Todos nós acabamos nessa posição
mais cedo ou mais tarde, geralmente quando nossos pais chegam ao fim do tempo
na Terra. Mas quando alguém que conhecemos está perdendo um ente querido, às
vezes nos sentimos desconfortáveis e
desajeitados, e não sabemos o que fazer ou
dizer. Muitas vezes acabamos não dizendo
nada. Isso, no entanto, não é o mais adequado.

Demonstre
interesse
O primeiro passo – antes mesmo de
ouvir o que essas pessoas querem dizer – é aproximar-se delas. Algumas
pessoas podem preferir fechar os olhos e não falar sobre a situação, mas fazer
um ato de presença, estar disponível no momento em que alguém que
você conhece está passando por essa dificuldade, é o primeiro passo necessário.
Não precisamos nos pressionar para
encontrar as palavras perfeitas de consolo. Será suficiente se pudermos dar
à pessoa a oportunidade de falar sobre si mesma e sobre o que ela está
passando, seus medos e sentimentos.
A simples pergunta “Como você
está se sentindo?” é um bom começo. Certifique-se de fazer perguntas
abertas que possam iniciar uma conversa e deixar a pessoa responder em seu
próprio ritmo.
Escutar
Quando ouvimos atentamente
alguém que está passando pela perda de um ente querido, descobrimos os
sentimentos que estão sendo despertados em seu coração, como:
* amargura,
* revolta,
* tristeza,
*
arrependimentos e
* medos.
Deixe-os se expressar e chorar se
precisarem.
Esta é uma boa maneira de
consolá-los, dar-lhes paz e encorajá-los. Mostre que você está presente
e disponível. Diga-lhes que, sim, esta é uma provação difícil de superar,
mas você está ao lado deles. Mostrar empatia neste momento significa estar
pronto para participar dos sofrimentos dessa pessoa.
Quanto mais a pessoa sente a nossa empatia, mais ela vai se abrir e falar sobre o que
realmente está acontecendo. Essa atitude nem sempre é fácil de se praticar,
porque consolar alguém que está lidando com a morte iminente de um ente querido
traz à tona a ideia da nossa própria morte, e isso pode ser inquietante.
O
que podemos dizer?
Uma vez que adotamos essa atitude
de abertura atenta, e uma vez que ouvimos, precisamos saber o que dizer. Um
especialista que cuida de pacientes terminais na Federação JALMALV em Orleans,
França, oferece alguns conselhos para nos ajudar a fornecer consolo e alívio
para as pessoas que estão sofrendo pela morte iminente de um ente querido:
«Incentive-os a falar sinceramente com o paciente.
Muitas vezes, as pessoas caem em um círculo vicioso:
a família não se atreve a falar com a pessoa que está
morrendo, porque ela quer protegê-la das más notícias e, ao mesmo tempo, o
paciente não ousa falar com a família, pelo mesmo motivo. Consequentemente, pode
ser útil encorajar os entes queridos do paciente moribundo a conversar com ele,
lidar com as questões em profundidade e fazer isso de modo espontâneo e
natural.»
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ANSELM GRÜN Monge beneditino: psicólogo, escritor e teólogo |
Anselm Grün, monge
beneditino da Abadia de Münsterschwarzach, na Alemanha, escreveu em um livro
recente (ainda não traduzido para outros idiomas):
«Deve-se encorajar o familiar a ficar ao lado da pessoa
que está morrendo, a falar com ela e a segurar sua mão. Assegure ao
familiar que ele receberá como presente este fato de ter ajudado a pessoa
doente e aprofundado seu relacionamento. É uma oportunidade inesperada de
reconciliação, uma chance de dizer palavras de amor e afeto um ao
outro, que eles não ousaram dizer em toda a sua vida.»
Ajude as pessoas próximas ao
paciente terminal a libertarem-se de sentimentos de culpa. Muitas vezes,
familiares próximos da pessoa que está morrendo se arrependem de não ter estado
presentes o suficiente. Eles costumam dizer: “Eu deveria ter estado lá com
mais frequência” ou “eu não visitei com frequência suficiente”.
Temos a oportunidade de aliviá-los de sua culpa, enfatizando acima de tudo que a
pessoa doente também precisa estar sozinha consigo mesma, em face de sua
doença.
Outra fonte de sentimento de culpa
é não estar com a pessoa que está morrendo, no momento de sua morte. Para
algumas pessoas, isso pode parecer uma verdadeira tragédia, especialmente se
tiverem se dedicado de corpo e alma a acompanhar a pessoa em casa ou no
hospital. Mais uma vez, é importante saber que os pacientes em fase terminal
frequentemente se permitem morrer precisamente quando o filho ou a filha sai do
quarto para tomar uma xícara de café ou resolver alguma coisa.
Incentive os entes queridos do
doente a tranquilizar o paciente. Dado que o doente pode sentir-se
ansioso com a ideia de deixar o cônjuge ou os filhos sozinhos, é importante
colocá-los em paz, informando-os de que estas questões já estão resolvidas e
que eles podem ir em paz.
Por fim, não devemos hesitar em
sugerir que os entes queridos da pessoa rezem juntos pelo paciente. A
oração é uma fonte inesgotável de consolo e graça. Quer sejam crentes ou não,
ou pratiquem sua fé ou não, convide-os a rezar com você! E não se
esqueça de orar por eles, para que eles tenham a força e a coragem de
passar por este momento difícil com calma e paz.
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