O nosso catecismo ajuda a crer em Deus?
O dinheiro tem um poder de sedução que falta ao mistério de Deus
Santiago Agrelo
Franciscano espanhol, da Ordem dos Frades Menores, arcebispo emérito de Tanger
DOM SANTIAGO AGRELO MARTÍNEZ |
Hoje
como ontem, aqueles que, vendo-te, o virem; aqueles que, reconhecendo-o em ti,
se afeiçoarem a ele, encontrarão Jesus
Estes são tempos difíceis para a fé em Cristo Jesus.
Ele disse assim: “Você não
pode servir a Deus e ao dinheiro”. E desde sempre até hoje, o Dinheiro tem
um poder de sedução que falta ao mistério de Deus.
Aqueles que servem ao Dinheiro são a humanidade poderosa!
A seu lado, como cortejo necessário para a sua impressionante procissão, aglomera-se uma multidão de humanidade atraída e distraída pela sedução da tecnologia, a ilusão do espetáculo, a miragem da felicidade e uma mascote que o ajuda a iludir a solidão.
Para além desse cortejo processional, fora de vista, há ainda outros, inumeráveis, os da rua, os da sarjeta, os dispensáveis, os últimos, os ninguém.
Aquele mundo que escolheu
servir ao Dinheiro, não quer saber de Jesus, mais ainda, precisa ignorar
Jesus para não saber dos pobres, não saber das vítimas, não saber dos
irmãos, não saber de si mesmo!
E você, Igreja em missão, saiba que é enviada a esse mundo escravizado, distraído e solitário; você sabe que este mundo precisa de Jesus.
Se queres anunciar que Cristo Jesus vive e dá vida, não podes confiar a tua mensagem às palavras: são profanadas, prostituídas, perderam a cor da verdade.
“Eles preferem esquecer o nome de Jesus”
O mundo ao qual você se dirige também não é o mundo de Tomé, aquele discípulo que, para acreditar que Jesus vive, exige ver e sentir. Hoje, nem você que já crê nem o mundo indiferente à sua fé não serviriam ao convite de Jesus: “Ponha o dedo... coloca a mão”. Nada disso o levaria à fé: seria apenas um divertido show de ilusões.
O mundo para onde vais com a
tua mensagem, se não é aquele que crucificou Jesus, se não é aquele que o
quer morto e sepultado, é o dos que preferem esquecer até o seu nome:
*
Eu me pergunto se o seu catecismo ajuda a acreditar em Jesus.
*
Eu me pergunto se o seu missal ajuda a conhecer Jesus.
* Pergunto-me se as suas procissões, as suas peregrinações, as suas devoções, os seus ritos conduzem a Jesus ou afastam-no dele.
Eu me pergunto sobre a linguagem da fé. Como podeis dizer hoje: “Ponha o dedo... coloca a mão», para que se abram os olhos da fé às mulheres e aos homens deste vosso mundo, como ontem Tomé? O que podemos fazer para que a pedra rejeitada seja a pedra angular na vida de tantos que estão longe do Deus de Jesus?
Hoje como ontem, aqueles que, vendo-te, o virem, encontrarão Jesus; aqueles que, reconhecendo-o em ti, se apegam a ele.
Detalhe da pintura à óleo de CARAVAGGIO - "A incredulidade de São Tomé" (1601-2) |
“Tudo deve ser comum”
Hoje como ontem, aqueles que,
vendo-te, reconhecem o reino de Deus presente, encontrarão Jesus; os que,
vendo-te, confessam que o evangelho é pregado aos pobres; aqueles que,
vendo-te, descobrem um mundo de homens e mulheres em comunhão, como naquela
primeira comunidade em que “os que abraçavam a fé viviam todos juntos e tinham
tudo em comum”.
Agora, como então, a fé deve
ser comum, o pão comum, a oração comum. Tudo deve ser comum.
Comungar com Cristo Jesus: na comunhão com ele somos um com todos; na comunhão com ele somos evangelho para os pobres; na comunhão com ele tornamos o Reino de Deus presente no mundo.
Comungar com Cristo Jesus para que você possa mostrar a Cristo Jesus.
Feliz Domingo da Divina Misericórdia (2º Domingo de Páscoa – 16/04/2023)!
Traduzido do espanhol por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.
Fonte: Religión Digital – Colunista – Sexta-feira, 14 de abril de 2023 –Internet: clique aqui (Acesso em: 16/04/2023).
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