«A punição de um mentiroso não é de afinal ninguém acreditar nele, mas dele mesmo mesmo não poder acreditar em mais ninguém.» (George Bernard Shaw [1856-1950]: dramaturgo e romancista irlandês. Prêmio Nobel de Literatura em 1925)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

O clericalismo de volta

 Reformar a Igreja é impossível com este clero

 Fabrizio Mastrofini

Jornalista e ensaísta italiano, publicado em «Il Riformista», 08-04-2022 

Muito idealismo, boas intenções, mas pouca coisa prática e realizável para reformar a Igreja

A Edizioni Dehoniane di Bologna (EDB), uma histórica editora católica em processo de falência, mas talvez recuperável, continua as suas publicações – poucas, mas bem escolhidas, por enquanto – e anuncia a publicação de um livro importante, é claro, mas, na minha opinião, bastante inútil. E é um volume de 268 páginas, agora traduzido para o italiano, publicado em original francês postumamente em 2 de abril de 2020, porque o seu autor, Loïc de Kerimel, ensaísta muito renomado, faleceu no dia 24 de março, alguns dias antes. 

Livro em italiano: "Contra o clericalismo" - publicado em abril deste ano. Não há previsão de publicação no Brasil, ainda

Em italiano, o livro se intitula “Contro il clericalismo” [tradução: Contra o clericalismo], e o autor, professor de filosofia há muitos anos, católico militante, diz claramente que, sem mudar profundamente a mentalidade clerical, nada mudará. 

Ora, dizer isso em 268 páginas é realmente uma longa argumentação para um fato que pode ser resumido muito brevemente.

A mentalidade clerical começa a partir da formação no seminário.

Portanto, é preciso mudar o sistema de recrutamento, primeiro, e depois o sistema de formação, para então intervir no tipo de relações vigentes na Igreja, onde basta ter o “colarinho branco” de padre para ter razão ou para ter sempre a última palavra. E é preciso pôr fim às idealizações mais irritantes, equivocadas, fora de lugar. 

Tomemos como exemplo o último documento da Congregação para a Educação Católica. É um texto amplo e articulado que evidencia o valor cultural do ensino e da instrução, em todos os níveis da Igreja, especialmente no diálogo e na relação com a sociedade. E é um grande mérito ter sublinhado a importância da cultura no mundo de hoje, e a necessidade de um trabalho cultural proposto por professores preparados, sérios, coerentes. 

No entanto, em todo o texto não há uma única frase sobre quanto deve ser pago por esse trabalho! É algo crucial, mas não se fala de salários. Como de costume: grande idealização, porém, no momento de ver os salários, façamos o máximo com o mínimo possível. 

Ou tomemos a reforma da Cúria Romana. Documento fundamental deste pontificado, publicado em 19 de março, que marcará as modalidades de trabalho por muitos anos. Aqui também: profissionalismo é a palavra de ordem, a serviço da Igreja. Sim, mas e os salários? Esse pessoal tão importante, preparado, envolvido, sábio recebe salários adequados? Não sabemos, não nos é dito. Ou, melhor, provavelmente nem querem pagar os salários. 

É por isso que livros como o publicado agora pela EDB são de pouca serventia. Modestamente, é muito mais necessário um livreto concreto como “Dieci regole per un Vaticano felice” [10 regras para um Vaticano feliz], que tematiza de que maneira concreta é possível realmente mudar.

Não teologia, mas realismo (profético) e uma boa dose de bom humor.

 Traduzido do italiano por Moisés Sbardelotto.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – Notícias – Segunda-feira, 11 de abril de 2022 – Internet: clique aqui (Acesso em: 11/04/2022).

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