17º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia
Evangelho: Mateus 13,44-52
Frei
Alberto Maggi
Padre e biblista italiano dos Servos de Maria (Servitas)
Quem escolhe a vida está cheio de vida, quem
escolhe a morte está cheio de morte, portanto é inútil!
No capítulo 13 do Evangelho de Mateus (versículos 24 a 43 — domingo passado), Jesus, com três parábolas, advertiu a comunidade contra os três riscos, contra as três tentações:
* com a parábola do joio,
advertiu a comunidade contra a tentação de ser comunidade, apenas, dos eleitos;
* com a parábola da mostarda alertou
sobre a tentação da grandeza e, finalmente,
* com a parábola do fermento admoestou
sobre o desânimo.
Agora, como antídoto a estas três tentações, Jesus convida à fidelidade à primeira bem-aventurança, e faz isso novamente com parábolas. Vamos ler, é o capítulo 13 do Evangelho Segundo Mateus, versículo 44 em diante.
Mateus
13,44: «“O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um
homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos
os seus bens e compra aquele campo.»
“O Reino dos Céus”, lembro que o Reino dos Céus não significa um reino após a morte, um reino nos céus, mas o Reino de Deus, ou seja, a sociedade alternativa que Jesus veio criar nesta terra, “é como um tesouro”, o termo tesouro abre e fecha esta passagem (Mt 13,44-52), portanto ela é marcada pela beleza, esplendor. Prossegue Jesus: “escondido no campo; um homem o encontra”, este homem não procurava o tesouro, ele o encontrou, era uma oportunidade que soube aproveitar na sua vida e, sem hesitar, escreve o evangelista “o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai”, literalmente pela alegria de o ter encontrado, “vende todos os seus bens”, não muda de ideia, “e compra aquele campo”. São Paulo, na Carta aos Filipenses, escreve: “o que para mim era ganho, considerei perda por amor de Cristo... por Ele abandonei todas essas coisas e as considero lixo” (Fl 3,7.8). Quando se encontra Jesus e sua mensagem, esta é a resposta para aquele desejo de plenitude de vida, que cada pessoa carrega dentro de si, e tudo o mais perde valor.
Mateus
13,45-46: «O
Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando
encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra
aquela pérola.»
Jesus continua dizendo sempre que: “O Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas”, enquanto o primeiro homem, na parábola anterior, encontrou o tesouro por acaso, mas soube aproveitar a oportunidade da sua vida, o segundo homem, ao contrário, é aquele que procura esta oportunidade: “Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola”. O que o evangelista quer dizer é que seguir Jesus não é à custa de sabe-se lá quais sacrifícios, o termo “sacrifícios” aparece apenas duas vezes e em sentido negativo neste Evangelho, mas o seguimento gera alegria, o termo alegria aparece seis vezes no Evangelho de Mateus.
Mateus
13,47-48: «O
Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo
tipo. Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e
recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam.»
Jesus continua: “O
Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar”, Jesus convidou os
seus discípulos a serem pescadores de homens e, agora, diz como se deve pescar,
“e que apanha de todo tipo”, não há, no texto original grego, a
palavra “peixe”, é um acréscimo do tradutor, portanto recolhe de tudo.
A oferta de Deus, a oferta do seu amor, é para toda a humanidade, cabe aos
homens acatá-la ou não: “Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para
a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não
prestam”, e aqui infelizmente a tradução em algumas bíblias é “maus”,
o que indica um julgamento moral por parte do pescador. Não, não é assim, “jogam
fora os podres”, o termo usado pelo evangelista é podre, não
é um julgamento, não se trata de bom e ruim, mas é uma observação: quem pode
trazer vida e quem está podre, portanto, não é um julgamento moral, mas uma constatação.
Quem escolhe a vida está cheio de vida, quem escolhe a morte está cheio de morte, portanto é inútil.
Mateus 13,49-50: «Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí haverá choro e ranger de dentes.»
E, de fato, Jesus continua: “Assim acontecerá no fim”, não do mundo, mas “dos tempos”, “os anjos virão para separar os homens maus”, são como os semeadores de ervas daninhas, são os filhos do diabo, “dos que”, não é dito bons, mas “são justos”, justos significa os fiéis, os fiéis à mensagem de Jesus, “e lançarão os maus na fornalha de fogo”. Esta é uma citação do profeta Daniel, capítulo 3, versículo 6, onde a fornalha ardente era o castigo para aqueles que não adorassem o poder expresso pela estátua de Nabucodonosor. Aqui, agora, ao invés, para Jesus há a fornalha ardente! O que significa a fornalha ardente? A destruição completa — esse é o fim de quem adora o poder! Então quem escolhe o amor, a partilha, a generosidade, o perdão, este é o Reino dos Céus, é o Reino de Deus que Jesus veio inaugurar, eles são cheios de vida e a comunicam; aqueles que, em vez disso, escolhem o egoísmo, a ganância, o poder, estão cheios de morte. Então não há julgamento da parte de Deus, mas simplesmente uma constatação entre quem está cheio de vida e quem já está na putrefação da morte. “E aí haverá choro e ranger de dentes”, imagem bíblica que indica fracasso na vida.
Mateus
13,51-52: «Compreendestes
tudo isso?” Eles responderam: “Sim”. Então Jesus acrescentou: “Assim, pois,
todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai
de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.»
No final das sete parábolas do reino (capítulo 13 de Mateus), Jesus diz: “Compreendestes tudo isso?”. Eles responderam-lhe: “Sim”. E disse-lhes: “Assim, pois, todo o mestre da Lei”, literalmente, está escrito “escriba”, que era uma personagem importante, era o mestre por excelência de Israel, representava o magistério infalível, “que se torna discípulo”: também o mestre, perante a novidade de Jesus, deve voltar à escola, deve tornar-se discípulo, talvez este seja um pouco o retrato do evangelista. “... do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro”, eis a palavra tesouro que abria a passagem (versículo 44) e a fecha, “coisas novas”, literalmente melhores, o evangelista usa o mesmo termo que, no Evangelho de João, indicará o mandamento novo, o mandamento melhor, “e velhas”, o que quer dizer o evangelista? Que a mensagem de Jesus sempre tem precedência sobre a de Moisés: a nova aliança vem antes da última aliança do Antigo Testamento.
* Traduzido e editado do italiano por Pe.
Telmo José Amaral de Figueiredo.
** Os textos bíblicos citados foram extraídos do: Sagrada Congregação para o Culto Divino. Trad. CNBB. Palavra do Senhor I: lecionário dominical A-B-C. São Paulo: Paulus, 1994.
Reflexão Pessoal
Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo
«Jesus
é realmente fundamental. Sem Ele nada teria sentido!»
(Santo Inácio de Loyola: 1491 a 1556 — fundador da
Companhia de Jesus)
O nosso mundo, a nossa sociedade se perdeu porque perdeu a Jesus, o Cristo, o Filho do Deus vivo, o único e real sentido para as nossas pobres vidas! Como bem nos recorda Clive Staples Lewis (1898-1963) famoso escritor irlandês: “A história humana é a longa e terrível história do homem tentando encontrar outro além de Deus para fazê-lo feliz”. Inclusive, acontece com frequência, dos seres humanos, mesmo quando buscam a Deus, não o fazerem porque desejam conformar suas vidas com a vontade de Deus, mas para obter favores que podem vir, segundo eles, apenas do sobrenatural! Conversão, de verdade, não acontece! Temos outros ídolos para os quais entregamos o melhor de nosso tempo, de nossas atenções, de nossos esforços, portanto, de nossa vida!
Jesus teme que a multidão
e os seus próprios discípulos o sigam não com a intenção que ele
desejaria, ou seja: para pôr em prática o apaixonante projeto do Pai, o Reino
de Deus, que consiste em “conduzir a humanidade para um mundo mais justo,
fraterno e feliz, encaminhando-o, desse modo, para sua salvação definitiva em
Deus” (José Antonio Pagola). Esse é o tesouro pelo qual vale a pena
“vender” tudo, “sacrificar” tudo, “despojar-se” de tudo! Aliás, três papas,
em um passado recente, confirmaram essa novidade do Reino de Deus, ao
afirmarem:
a) Paulo VI: “Somente
o Reino de Deus é absoluto. Todo o resto é relativo”.
b) João Paulo II:
“A Igreja não é, ela mesma, o seu próprio fim, pois está orientada ao Reino de
Deus, do qual é gérmen, sinal e instrumento”.
c) Francisco: “O projeto de Jesus é instaurar o Reino de Deus”.
O grande drama é que vivemos
distraídos com práticas, costumes e preocupações que
não pertencem ao núcleo, ao centro, ao que é principal no Evangelho: o Reino
de Deus! Por isso, a decisão mais importante que devemos tomar, atualmente,
em nossa Igreja e em todas as nossas comunidades cristãs, segundo José Antonio
Pagola, é a de...
“recuperar o projeto do Reino de Deus com alegria e entusiasmo”.
Sem isso, seremos uma instituição que não cumprirá a missão que nos confiou Jesus: “Ide, pois, e fazei discípulos todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19).
Oração após a meditação do Santo Evangelho
«Senhor, não tenho tempo! Minha vida
corre entre atividades, serviços e prazos, e não tenho tempo para estar contigo.
Não tenho tempo para descansar em teu coração, colocando minhas ansiedades e
medos, minhas expectativas e minhas realizações, minhas conquistas e meus
fracassos. No entanto, tu me garantes que ali posso encontrar o tesouro pelo
qual vale a pena gastar minha vida, a pérola única de valor inestimável que
daria sentido aos meus esforços. Só se eu soubesse lançar minha rede no mar do teu
coração poderia encher cestas com teus dons. Finalmente, lembra-me que se eu
decidir me tornar teu discípulo, tu me ensinarás como extrair coisas novas e
velhas da minha vida diária. Compreendo bem que o teu Reino não cresce com as
sobras do meu tempo, com as sobras das minhas energias, com as sobras dos meus afazeres.
Ofereço-te, Senhor, toda a minha pobreza e desejo dar-te mais espaço na minha
vida.»
(Fonte: GOBBIN, Marino O.Carm. Orazione finale.
In: CILIA, Anthony, O.Carm. [a cura di]. Lectio
divina sui vangeli festivi per l’anno liturgico A. Leumann [TO]: Elledici,
2010, p. 472.)
Fonte: Centro Studi Biblici “G. Vannucci” – Videomelie e trascrizioni –16ª Domenica del Tempo Ordinario – Anno A – 19 luglio 2020 – Internet: clique aqui (Acesso em: 18/07/2023).
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