ORAÇÃO DE UM HOMEM MEDÍOCRE

José Antonio Pagola


Senhor, hoje celebramos esse grande presente que Tu fazes a todos e a cada um dos seres humanos e que é o teu próprio Espírito. Hoje é PENTECOSTES.


Por que sinto, nesta manhã, com força tão especial o meu vazio interior e a mediocridade de meu coração? Minhas horas, meus dias, minha vida está cheia de tudo, menos de Ti. Tomado pelas ocupações, trabalhos e impressões, vivo disperso e vazio, esquecido, quase sempre, de tua proximidade. Meu interior está habitado pelo barulho e agitação de cada dia. Minha pobre alma é como "um imenso armazém" onde se vai colocando de tudo. Tudo tem lugar dentro de mim, menos Tu.


E agora, essa experiência que se repete uma vez ou outra. Chega um momento em que esse ruído interior e essa agitação me parecem mais doces e confortáveis que o silêncio sossegado junto a Ti.


Deus de minha vida, tem misericórdia de mim. Tu sabes que quando fujo da oração e do silêncio, não desejo fugir de Ti. Fujo de mim mesmo, de meu vazio e superficialidade.


Onde eu poderia refugiar-me com minha rotina, minhas ambiguidades e meu pecado? Quem poderia entender, ao mesmo tempo, minha mediocridade interior e meu desejo de Deus?


Deus de minha alegria, eu sei que Tu me entendes. Sempre foste e serás o melhor que eu tenho. Tu és o Deus dos pecadores. Mesmo dos pecadores comuns, ordinários e medíocres como eu. Senhor, não há um caminho em meio à rotina, que me possa levar até Ti? Não há alguma brecha no meio do barulho e da agitação, onde eu possa Te encontrar?


Tu és "o eterno mistério de minha vida". Atrai-me como ninguém, desde o profundo de meu ser. Porém, repetidamente, me afasto de Ti, silenciosamente, para coisas e pessoas que me parecem mais acolhedoras que teu silêncio.


Penetra em mim com a força consoladora de teu Espírito. Tu tens poder para atuar nessa profundidade minha, a qual me escapa quase por completo. Renova meu coração cansado.


Desperta em mim o desejo. Dá-me forças para começar sempre de novo; alento para esperar contra toda esperança; confiança em minhas derrotas; consolo nas tristezas.


Deus de minha salvação, sacode minha indiferença. Purifica-me de tanto egoísmo. Preenche meu vazio. Ensina-me teus caminhos. Tu conheces minha fraqueza e inconstância. Não Te posso prometer grandes coisas. Eu viverei de teu perdão e misericórdia. Minha oração de Pentecostes é, hoje, humilde como a do salmista: 


"Teu Espírito que é bom, me guie por terra plana" (Sl 142,10).


Tradução de: Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.


Fonte: MUSICALITURGICA.COM - Homilías de José A. Pagola - 22/05/2012 - 09h12 - Internet: http://www.musicaliturgica.com/0000009a2106d5d04.php

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