Lefebvrianos: a derrota de Ratzinger
Riccardo Cristiano
Il Mondo di Annibale
03-08-2012
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Marcel Lefebvre arcebispo francês fundador da Fraternidade Sacerdotal S. Pio X |
No 50º aniversário da abertura dos trabalhos conciliares, o Vaticano, portanto, arquiva as negociações para recuperar os seguidores de Dom Lefebvre. E o faz com uma frase mordaz e cáustica, mas que também dá a sensação da amargura que deve se respirar no Vaticano. Ah, sim, porque o investimento certamente não havia sido limitado. Não se trata apenas de ter removido a excomunhão dos quatro bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, entre os quais se destaca aquele negacionista do Holocausto, Dom Richard Williamson, que gerou indignação com suas incríveis declarações sobre a Shoá que foram repercutidas pela imprensa de todo o mundo pouco antes da revogação da excomunhão. Essa excomunhão revogada custou caro ao Vaticano, e agora é possível perguntar que frutos ela produziu. Certamente não a superação do pequeno cisma tradicionalista.
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Cardeal Kurt Koch |
- Começando pela reintrodução da missa em latim,
- com uma grande "disputa judaica" posterior, por causa da oração da Sexta-Feira Santa pela conversão dos judeus, que, eliminada do missal em línguas vulgares, permanece no missal em latim.
- Uma Igreja com dois missais e duas liturgias, optativas, gerou discussão e colocou em dificuldades muitas conferências episcopais, em que os tradicionalistas pesam mais do que em outros lugares, começando pela Suíça e pela França.
- Tudo isso só reforçou os "tradicionalistas comuns", ou seja, "aqueles padres que ainda discutem sobre a altura do colarinho branco no nosso hábito" ou "aqueles que olham com incômodo para todos os padres que não vestem mais a batina".
O que interessava aos lefebvrianos, no entanto, não era a excomunhão, a missa em latim ou o colarinho mais alto, era a alma da inovação conciliar, o reconhecimento da liberdade religiosa. Coerentemente, eles não quiserem voltar atrás a tudo isso. E nisso, provavelmente, a negociação desejada pelo Papa Ratzinger fracassou. A longuíssima negociação, provavelmente, se encerrou, mas o saldo para o Vaticano parece totalmente negativo. Desses anos de fissuras, resta apenas o estresse litúrgico e conciliar. Dos quais poucos percebiam a necessidade.
Tradução de Moisés Sbardelotto.
Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - Notícias - Segunda-feira, 6 de agosto de 2012 - Internet: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/512117-lefebvrianos-a-derrota-de-ratzinger
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