Não perca: Universidades top ao alcance de todos
Rachel Costa
Multiplicam-se os sites especializados em conteúdo das melhores faculdades do planeta, tornando fácil e barato o acesso às aulas dos professores mais badalados do mundo
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Fotos: Rafael Hupsel/Ag. Istoé; Kelsen Fernandes |
Assim como Azevedo, cada vez mais estudantes aderem às classes pela internet. "Tudo começou em 2002, quando o MIT colocou algumas aulas na rede, mesmo antes de o YouTube existir", conta o engenheiro Carlos Souza, que lançou neste ano a primeira plataforma brasileira voltada para esse segmento, a Veduca. A novidade é que agora esses conteúdos começam a ser agregados sob um único guarda-chuva, que tem como vantagem reunir em uma mesma página vídeos de diferentes escolas. Só em 2012, foram lançados o Coursera, a Classroom TV, e a edX (leia quadro acima). Essa última, uma parceria entre os gigantes da educação MIT e Harvard, promete revolucionar o modelo ao emitir certificados para os alunos das classes virtuais. Na prática, isso permitirá a um estudante brasileiro obter um título (por enquanto, apenas de cursos de curta duração) de duas das principais universidades do mundo sem precisar arcar com os gastos das mensalidades e da viagem para o Exterior. "A edX é uma referência para todos nós. Se esse sistema der certo com eles, certamente chegará à nossa plataforma", diz Souza.
Um dos segredos do sucesso das classes por internet é mostrar o docente por trás do pesquisador que, para o aluno, é apenas uma referência bibliográfica. O professor Ronaldo Porto Macedo Júnior, do curso de direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), está acompanhando a realização das aulas inéditas no Brasil de um desses pesquisadores descobertos no mundo virtual, o americano Michael Sandel. Titular da universidade de Harvard, Sandel é a atração da série "Justice", sobre os dilemas morais na sociedade contemporânea, e virou uma estrela. Seus cursos estão disponíveis nas principais plataformas, sempre entre os mais acessados. O sucesso digital o encorajou a testar um novo formato de classe global: alunos de diferentes nacionalidades interagem por meio da transmissão simultânea da aula para seus países. O projeto, em segunda edição, incluiu o Brasil pela primeira vez, com dez alunos, e teve sua primeira aula na semana passada. "Michael Sandel é alguém com quem eu sempre quis ter esse contato direto da aula", diz Jaqueline de Souza Abreu, aluna de direito da Universidade de São Paulo (USP) e uma das escolhidas para as classes virtuais.
No Brasil, a popularização dos cursos online das universidades top ainda encontra barreira no idioma. "A maior parte das aulas é em inglês e apenas 2% dos brasileiros têm inglês fluente", diz Souza, da Veduca. Por isso a aposta da plataforma nacional é legendar os conteúdos dos cursos estrangeiros. Por enquanto, apenas 5% das cinco mil aulas estão disponíveis em português, mas a previsão é de que o número cresça rápido daqui em diante. "Conseguimos um investimento e estamos iniciando uma tradução em massa dos conteúdos", conta Souza. O idioma pode não ser a única barreira para o estudo por plataformas virtuais. "Se o aluno pretende fazer um curso virtual, ele vai ter de se dedicar como se dedicaria a um curso tradicional, com a diferença de que vai precisar ser um pouco autodidata", considera Maria Alice de Moraes, coordenadora de educação a distância do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina. Para a especialista, muita gente entra em formações online pensando que ali poderá ter menos disciplina do que em um curso tradicional, o que não é verdade. A tecnologia avança e pode até mudar as formas de transmissão de conhecimento, mas dedicação de tempo, disciplina e organização seguem sendo matéria-prima essencial dos bons estudantes.
Para um exemplo dessas aulas virtuais, acesse:
Fonte: Revista ISTOÉ Independente - Educação - N° Edição: 2242 | 26.Out.12 - 21h00 | Atualizado em 29.Out.12 - 11h23 - Internet: http://www.istoe.com.br/reportagens/248703_UNIVERSIDADES+TOP+AO+ALCANCE+DE+TODOS
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