«Quando devemos fazer uma escolha e não a fazemos, isso já é uma escolha.» (William James [1842-1910]: filósofo e psicólogo norte-americano)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

RENOVAÇÃO DAS PARÓQUIAS - Em busca da essência

ADRIANA DIAS LOPES
Aparecida - SP

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aprova um documento pioneiro com propostas de mudanças drásticas em um dos pilares da religião católica, as paróquias
BASÍLICA DE APARECIDA (SP)
Celebração durante a 51ª Assembleia Geral da CNBB

O clero brasileiro acaba de tomar uma medida exemplar na Igreja Católica. Em reunião a portas fechadas ocorrida no último dia 16 durante a 51ª Assembleia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), 361 bispos aprovaram um documento com propostas contundentes de mudanças no exercício do catolicismo e no perfil de um dos pilares mais sólidos da religião - as paróquias.

Intitulado “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”, o texto sugere alterações dos mais diferentes aspectos. Do tempo de duração das homilias ao horário das missas. De como receber bem aqueles que não se encaixam nos sacramentos à maneira como o padre deve evangelizar. Afirma dom Sérgio Castriani, arcebispo de Manaus e presidente da comissão que elaborou o tema: “As paróquias precisam de uma renovação urgente. Elas devem ser um lugar de acolhida, orientação e ajuda espiritual. Para muitos, no entanto, são vistas apenas como prestadoras de serviços religiosos ou um lugar para cumprir preceitos”.

Das práticas às subjetivas, as questões tratadas pela CNBB têm um fio condutor- a tentativa de a Igreja Católica voltar à sua essência. Um dos pontos mais emblemáticos refere-se à catequese. Diz o texto que a iniciação cristã deve ser autêntica, vivida de forma prática e não restrita a instruções. 

Outro exemplo é a formação de novas comunidades. Em vez de grandes paróquias, pede-se o incentivo à constituição de pequenos grupos, nos quais as pessoas criem vínculos e se sintam estimadas a exercitar a sua fé. 

"O documento foi todo inspirado nos moldes da evangelização praticada nos primórdios do cristianismo", declara monsenhor Antônio Luís Catelan, da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé, da CNBB. Pelos relatos bíblicos, Jesus e seus apóstolos se aproximavam e conquistavam discípulos com uma pregação genuína e calorosa, no contato corpo a corpo, muitas vezes na casa dos fiéis. E não por meio de cerimônias burocráticas e gélidas ou de padres distantes da realidade das pessoas que frequentam suas igrejas, como ocorre em muitas paróquias hoje em dia.
PAPA FRANCISCO beija uma criança na Praça de São Pedro - Vaticano
Tal corrente de pensamento segue à risca os exemplos e o discurso que o papa Francisco tem mostrado em seu pontificado. Seja na abdicação do anel de ouro (Francisco substituiu o tradicional anel de ouro usado pelos pontífices por outro de material mais simples, a prata dourada), seja na forma de transitar pela multidão na Praça de São Pedro (Francisco se nega a usar o papamóvel com vidro blindado para se aproximar dos fiéis, abraçando-os e beijando-os), seja em seus discursos. "O sacerdote tem de ser um pastor com cheiro de suas ovelhas", foram as palavras do papa em uma de suas homilias mais contundentes, proferida durante missa realizada para 1600 párocos pouco antes da Páscoa.

A Igreja há muito exige medidas eficazes de evangelização. Há trinta anos, de acordo com os dados do Censo, 89% da população brasileira se declarava católica. Agora, esse índice é de 65%. O papel da paróquia é fundamental na conquista de novos fiéis e na manutenção dos já praticantes. "Ela é a principal porta de entrada da religião católica", diz a irmã Maria Eugênia Lloris, do Setor Universidades da CNBB, que participou da elaboração do novo texto. 

A atenção da Igreja para com o estilo das paróquias surgiu no Concílio Vaticano II (1962-1965). Desde então, o assunto apareceu pelo menos uma dezena de vezes como resultado de reuniões dos bispos nacionais e internacionais. O texto da CNBB, no entanto, é o primeiro no mundo a propor questões de forma tão concreta e detalhada. O relatório não se configura como diretriz. Mas, como tudo o que é validado pela CNBB, tem muita força moral. 

Em poucas semanas, o documentos deve ser distribuído às 12000 paróquias do Brasil, para que seja estudado pelos padres. Durante um ano, o conteúdo poderá receber sugestões. Em maio de 2014, ele será publicado como documento oficial da Igreja brasileira. Mesmo sem a  obrigatoriedade de seguir os ditos da publicação, o trabalho dos párocos brasileiros nunca mais será o mesmo.


AS NOVAS PROPOSTAS PARA AS PARÓQUIAS

HOMILIA


O que diz o documento:
"Especial importância adquire a homilia, centrada nas leituras da Bíblia, proclamada na celebração e comprometida com a realidade. Ela precisa ser breve e capaz de falar com a linguagem dos homens e das mulheres da cultura atual."

Comentário:
A Igreja quer se comunicar de forma mais direta e eficiente com o fiel.
Isso implica discursos com conteúdos que prendam a atenção da plateia, com linguagem clara e envolvente.


PEQUENAS COMUNIDADES

O que diz o documento:
"Procurar criar pequenas comunidades a partir de grupos que se reúnem para viver a sua fé (...). A setorização pode ser estabelecida pela vizinhança ou por afinidades sem delimitação territorial, como grupos de jovens, idosos, casais etc."

Comentário:
A criação de pequenos grupos facilita a aproximação dos fiéis e a formação de vínculos entre eles. 
As comunidades devem se reunir tanto em torno de leituras da Bíblia e para orações quanto para praticar a fé, fazer caridade e evangelizar.


CATEQUESE

O que diz o documento:
"Para que as comunidades sejam renovadas, a catequese há de ser uma prioridade. Um novo olhar permitirá uma nova prática. Isso implica adotar a metodologia catecumenal."

Comentário:
O catecumenato, do grego "escuta da mensagem", era comum nos primeiros séculos do cristianismo. Aprende-se a partir da experiência da fé e da observação da celebração dos sacramentos, em vez de simplesmente decorar os princípios cristãos.



NOVAS SITUAÇÕES FAMILIARES

O que diz o documento:

"De nossas paróquias participam pessoas unidas sem o vínculo sacramental, outras estão numa segunda união, e há aquelas que vivem sozinhas sustentando os filhos (...).
Crianças são adotadas por pessoas solteiras ou por pessoas do mesmo sexo que vivem em união estável. A Igreja, família de Cristo, precisa acolher com amor todos os seus filhos."

Comentário:
A Igreja não passará a aceitar outras formações familiares além da convencional. Mas todos os fiéis evem ser incentivados a conhecer a fé e o Evangelho. O acolhimento pode contemplar, inclusive, o batismo de filhos de casais homossexuais e de mães solteiras.


ADAPTAÇÃO DE HORÁRIOS

O que diz o documento:
"Usar a criatividade para atender melhor as pessoas que vivem em diferentes ritmos da vida diária. Adaptar-se aos horários do movimento urbano: missas ao meio-dia, atendimento do padre à noite, catequese em horários alternativos."

Comentário:
As Igrejas devem criar alternativas para favorecer a chegada e o envolvimento do fiel. Isso implica mudanças na vida prática, como as citadas acima.


Fonte: Revista VEJA - edição 2319 - ano 46 - nº 18 - 1º de maio de 2013 - Páginas 116-118 - Edição impressa.

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