5º Domingo da Quaresma – Ano A – Homilia
Evangelho: João
11,1-45
Para
ouvir a narração deste Evangelho,
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sobre a imagem abaixo:
A Vida Acima de Tudo
O tema central deste relato, como fica evidente, é
a VIDA. Mais exatamente: o triunfo da vida sobre a morte. E é o
triunfo da vida sobre a morte, como efeito de um carinho intenso. É o carinho
de um amigo, que ama tanto a Marta, Maria e Lázaro, que não suporta sua dor,
sua pena, suas lágrimas. E se emociona e chora ao experimentar, de perto, a
ausência do amigo, do qual sente a falta.
A lição é clara: a humanidade de Jesus é fonte de vida.
Jesus foi um ser humano, tão profundamente bom, fiel à amizade, tão carinhoso,
que não pôde suportar o sofrimento de seus amigos, possivelmente, os amigos aos
quais mais amou nesta vida.
Por isso, porque Jesus amava tanto a seu amigo e lhe doía
tanto a profunda pena daquelas duas amigas, por essa razão (segundo os
dados que traz o detalhado relato deste evangelho) devolveu a vida a Lázaro.
Falamos da “vida” sem adjetivos. As religiões e suas teologias não cessaram de
pôr adjetivos à vida: “sobrenatural”, “divina”, “religiosa”, “consagrada”,
“espiritual”, “eterna”...
E as teologias deram tanta importância aos adjetivos
que, por exemplo, em nome da vida “eterna” não duvidaram de tirar a vida de
muita gente! Isso é o que fizeram todos os “religiosos” fanáticos. Pode
haver maior aberração? Pode haver uma negação mais brutal de Deus?
Não nos esqueçamos que o capítulo 11 do evangelho segundo
João, em sequência ao relato de Lázaro, termina com esta patética
afirmação: “naquele dia, concordaram em matá-lo” (Jo 11,53). Jesus dá
VIDA. A religião (aquela forma de entender e dirigir a religião) dá a MORTE.
E a história continuou: desde os inquisidores
[católicos] até os talibãs [muçulmanos], passando por todos os que, por
motivos religiosos, amargam a vida das pessoas. A atualidade do capítulo 11 de
João segue sendo tão apaixonante e dolorosa.
Para além disso, deste fato prodigioso [a revivificação de
Lázaro] e às vésperas da Paixão e Morte de Jesus, pode-se e deve-se extrair
ensinamentos importantes relacionados à “ressurreição eterna”. Porque
nessa esperança encontramos “sentido para as nossas vidas”. Porém, não
nos esqueçamos que aquela de Lázaro não foi uma questão de ressuscitar para a
“outra vida”, mas a recuperação e a volta a “esta vida”.
É a força e o poder do “divino”, postos ao serviço do
“humano”. O mais humano, a VIDA e nada mais!
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