Notícias falsas envolvem muito dinheiro
O
dinheiro das “fake news”
Editorial
Jornal
«O Estado de S. Paulo»
A
disseminação de “fake news” não é uma atividade caseira.
Ela
envolve muito dinheiro

Ao se referir ao
financiamento da disseminação de fake news, o presidente da Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, senador Angelo Coronel
(PSD-BA), disse que “tem gente gastando pesado”. Segundo o senador
afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo, este é o principal ponto a se
investigar na CPMI: “Quem são os financiadores nas redes sociais para
difamar alvos e atacar a conduta das pessoas?”.
É preciso apurar quem
está financiando esses crimes virtuais, que tanto mal causam à democracia,
às instituições e à honra das pessoas. A disseminação de fake news não é uma
atividade caseira e despretensiosa, feita por pessoas isoladas. Trata-se de uma
operação sofisticada, que se vale de ferramentas tecnológicas avançadas,
com a finalidade de interferir e deturpar, de forma significativa, o
debate público. Tudo isso envolve muito dinheiro.
Em depoimento prestado à
CPMI em dezembro do ano passado, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) disse que
um único disparo feito por robôs custa, em média, R$ 20 mil.
“De
maneira, digamos, legal, comprovável imediatamente, (são destinados)
praticamente R$ 500 mil, de dinheiro público, para perseguir desafetos.”
No caso, a deputada
referia-se ao “gabinete do ódio”, formado por assessores especiais da
Presidência da República. “Nós estamos falando de crime. Caluniar,
difamar e injuriar são crimes previstos no Código Penal”, lembrou Joice
Hasselmann.
De acordo com parlamentares
que acompanham os trabalhos da CPMI das Fake News, uma estrutura similar à
do “gabinete do ódio” custa cerca de R$ 1,5 milhão por mês, segundo apurou
o Estado.
Ao comentar, no início de
março, os ataques às democracias liberais, o presidente da Câmara dos
Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que “nada disso custa pouco. Um robô
custa US$ 12 por mês”. Para cada disparo são utilizados milhares de robôs,
cuja função é inflar artificialmente a relevância e o compartilhamento
das agressões e notícias mentirosas.
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SENADOR ANGELO CORONEL (PSD - BAHIA) Presidente da CPMI sobre Fake News |
No mês anterior, Rodrigo
Maia havia afirmado não ter “nenhuma dúvida” de que os ataques pelas redes
sociais “têm um sistema de financiamento por trás, que será descoberto em algum
momento”. O presidente da Câmara disse existir “um grupo na internet (...),
com pessoas que não são democráticas, que quer generalizar problemas que
existem no Parlamento, no Supremo Tribunal Federal, no Superior Tribunal de
Justiça e em qualquer área, desqualificando e diminuindo a importância
desses Poderes. (...) Precisamos ter coragem para enfrentá-lo”.
De fato, é necessário
coragem para enfrentar os criminosos difusores de fake news. Não bastasse a
convicção de sua impunidade – confiam em suas artimanhas digitais para não se
sujeitarem ao rigor da lei –, eles não têm maiores escrúpulos em
destruir, com seus robôs e armas do mundo virtual, a honra e a reputação de
todo aquele que dificulte a realização de seus objetivos criminosos. Não é mera
coincidência que o presidente da Câmara, que há algum tempo vem alertando para
a gravidade dos ataques baseados em fake news, tenha se tornado alvo
preferencial dos ataques das milícias virtuais.
É preciso
identificar e cortar as fontes de financiamento das fake news. A difusão
massiva de desinformação é uma atividade criminosa que, além de disseminar
informações equivocadas e destruir a honra de seus alvos, mina o ambiente de
confiança e de diálogo indispensável para o desenvolvimento sadio de uma
sociedade. A atual pandemia do coronavírus revela, em tons dramáticos, a
importância da informação confiável e de qualidade, seja para assegurar o
cumprimento das medidas de prevenção, seja para evitar situações artificiais de
pânico, criadas pelos oportunistas de plantão.
As fake news não são
notícias com um conteúdo equivocado. São mensagens de texto, de áudio ou de
vídeo feitas e difundidas, à custa de muito dinheiro, com o intuito de
distorcer e destruir. É preciso identificar e punir com rigor quem atua com
tamanho despudor contra o País e o interesse público. A população não pode
ficar à mercê desses manipuladores.
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