"Um chute no traseiro do Brasil", pede a Fifa

JAMIL CHADE
GENEBRA

Com chegada prevista ao País na próxima semana, Jèrome Valcke, da Fifa, bate pesado no governo e organizadores da Copa
Em uma explosão de irritação com o Brasil, o secretário-geral da Fifa, Jèrome Valcke [foto acima], denuncia a volta dos atrasos nas obras dos estádios, a falta de aeroportos, hotéis e até de leis para a realização da Copa do Mundo de 2014 no País. "As coisas simplesmente não estão funcionando no Brasil", declarou.

Para ele, os brasileiros estão mais preocupados em vencer o Mundial que em organizá-lo e chegou a sugerir que os organizadores levem um "chute no traseiro" para que se deem conta de que precisam trabalhar.


"Temos de dar um empurrão, um chute no traseiro e entregar a Copa e isso é que faremos", insistiu. Valcke viajará ao Brasil na semana que vem para pressionar o Comitê Organizador a tomar ações urgentes. "O grande problema que temos no Brasil é que quase nada avança", disse.


Valcke, em Londres, deixou claro que não está em debate a transferência da Copa para outro país, a apenas dois anos e meio do seu início. "Não há plano B", disse. Mas não disfarçava seu inconformismo diante do que a Fifa chama de caos. "Eu não entendo porque as coisas não avançam. Os estádios não estão mais dentro do cronograma e porque é que tantas coisas estão atrasadas?", se queixou.


"Em 2014 teremos uma Copa do Mundo. A preocupação é de que nada esteja sendo feito ou preparado para receber a quantidade de gente que quer ir ao Brasil", afirmou. "Lamento dizer, mas as coisas não estão funcionando no Brasil. Há debates sem fim sobre a lei geral da Copa. Teríamos de ter recebido esses documentos assinados em 2007 e estamos em 2012", atacou.


Faltam hotéis. Além do atraso nos estádios e na Lei Geral da Copa, Valcke alerta que várias cidades não tem hotéis suficientes para receber torcidas e teme pela situação dos aeroportos. "Não há hotéis suficientes em todas as partes." Para ele, Manaus é um exemplo de uma cidade que precisa de mais quartos e de transporte público. "A cidade é bonita, mas a forma de chegar ao estádio e o transporte precisam ser melhorados", criticou o secretário-geral da Fifa.


Todas as doze cidades sedes da Copa do Mundo receberão pelo menos quatro jogos. "Precisamos garantir que os torcedores e os jornalistas chegarão a todos esses locais", disse, lembrando que não está preocupado com o deslocamento das seleções que terão seus próprios jatos.


Para Valcke, o problema central é que o Brasil está mais preocupado em ganhar o Mundial que em organizá-lo. "O que é a Copa para o Brasil? Organizá-la ou vencê-la?" questionou. "Acho que é vencer a Copa", afirmou. "Não estou tão certo sobre organizar a Copa. Pense na África do Sul. Foi para organizá-la, não para vencê-la", completou. Valcke desembarca no Brasil na próxima semana para cobrar o governo e o Comitê Organizador Local (COL).


Fonte: ESTADÃO.COM.BR - Esportes - 03 de março de 2012 - 03h06 - Internet: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,um-chute-no-traseiro-do-brasil-pede-a-fifa--,843444,0.htm

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