FOME: O aumento dos preços dos alimentos afunda 44 milhões de pessoas a mais na pobreza

 
O alívio nos preços das matérias-primas foi um reflexo da crise que se evaporou. Desde junho, ao menos 44 milhões de pessoas passaram à pobreza devido ao aumento dos preços dos alimentos, e outras várias dezenas de milhões correm o risco de engrossar este número.
A reportagem está publicada no jornal Público, 15-02-2011.

O Banco Mundial lançou nesta segunda-feira esta advertência às vésperas da reunião que terão os ministros de Finanças do G-20 neste fim de semana em Paris. A crise alimentar foi o principal catalisador das revoltas nos países árabes, e foi incluído in extremis nas agendas dos dignitários internacionais, que temem que o mal-estar se estenda a outros países em desenvolvimento.

A Espanha foi um dos países que lutou para que se introduzisse como matéria no G-20 o Programa Mundial para a Agricultura e a Segurança Alimentar, que no estouro da crise (2008) foi apresentado como um problema chave para a estabilização da economia. Desde abril de 2010, o Banco Mundial se encarregou deste Programa por mandato do G-20, mas questões como o déficit, a guerra de divisas, ou a reforma financeira, o haviam tirado do foco de atenção dos dirigentes internacionais.

Segundo o Índice de Preços dos Alimentos elaborado pelo Banco Mundial, o custo dos alimentos está para atingir o pico de 2008. A FAO, por sua vez, acredita que este patamar já foi ultrapassado.
O trigo foi um dos alimentos básicos que mais subiu, dobrando seu preço entre junho de 2010 e janeiro de 2011. Também o milho experimentou um vertiginoso aumento, com uma subida de 73%, segundo a instituição com sede em Washington.

O Banco Mundial recorda que esta nova onda de encarecimento dos alimentos se produz inclusive em circunstâncias mais positivas que aquelas de 2008. Por um lado, a África colheu boas safras neste exercício o que serviu como elemento estabilizador dos preços do milho no país. Além disso, o preço do arroz, um produto indispensável em grande parte dos países em desenvolvimento, ficou moderado e, segundo os especialistas, a perspectiva para os próximos exercícios é estável.

Contudo, de acordo com outro estudo divulgado na semana passada pelo mesmo organismo, os preços dos cereais continuarão “voláteis” e acima da média histórica até ao menos 2015.
No total, cerca de um bilhão de pessoas passam fome no mundo, 60% delas são mulheres. De acordo com os padrões internacionais, pobre é aquele que tem menos de 1,25 dólar por dia para viver. Precisamente, nos países menos desenvolvidos, as pessoas gastam dois terços de suas entradas diárias com alimentos, o que coloca em grave perigo grande parte da população nestes momentos de carestia.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - On-Line - http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=40697 - Acesso em: 17/02/2011.

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