FMI pede mudanças na aposentadoria
DENISE CHRISPIM MARIN
CORRESPONDENTE / WASHINGTON
Com base em estudo, Fundo recomenda que os países ajustem a idade mínima às estatísticas mais recentes de longevidade da população
O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou ontem aos governos e setores privados adequar "urgentemente" as regras da aposentadoria às estatísticas mais recentes de longevidade da população. O descompasso, alertou o Fundo, elevará os custos da previdência pública e privada e, consequentemente, trará novas ameaças às contas fiscais dos governos e à estabilidade financeira mundial.
A mensagem vale tanto para países avançados como para os emergentes. A recomendação foi amparada no capítulo 4 do Relatório de Estabilidade Financeira Mundial, documento a ser divulgado na íntegra no encontro de primavera do FMI e do Banco Mundial, na próxima semana. O estudo ressaltou haver poucos governos atentos ao risco. Segundo o economista Erik Kopper, um dos autores do estudo, o critério adequado seria elevar a idade mínima de aposentadoria acompanhando o exato aumento da expectativa de vida.
A maioria dos países define a idade mínima para a aposentadoria com base em estatísticas ultrapassadas e, segundo o FMI, assume custos pelo menos 10% mais altos por isso. Nos EUA, onde a maior parte dos fundos de pensão se guia pela taxa de mortalidade de 1983, o erro pode representar um custo adicional de US$ 7 trilhões no futuro.
De acordo com o FMI, se as pessoas viverem três anos mais que a estimativa média de vida adotada para fins de aposentadoria, os gastos aumentariam 50% em países avançados, e 25% nos emergentes.
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Laura Kodres - FMI |
O FMI chamou a atenção também para o desequilíbrio entre a oferta de ativos considerados seguros para os investidores e a demanda. A oferta baixa de ouro e, especialmente, de títulos de governos e de empresas classificados como grau de investimento, em relação à procura, traz risco para a estabilidade financeira mundial.
Os economistas não se mostraram confiantes nas iniciativas recentes de alguns bancos centrais, como o europeu, de prover amplos volumes de títulos seguros e líquidos em curto prazo. Essa política, diz o estudo, pode apenas esconder o problema do desequilíbrio entre oferta e demanda. Nas contas do FMI, existem hoje US$ 74,4 trilhões de ativos potencialmente seguros. Mas 16% desse volume pode evaporar por causa das altas taxas de juros prometidas atualmente pelos emissores de títulos.
Fonte: O Estado de S. Paulo - Economia - Quinta-feira, 12 de abril de 2012 - Internet: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,fmi-pede-mudancas-na-aposentadoria-,859984,0.htm
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