A missa que o Papa não quer
Sandro Magister
Chiesa
11.04.2012
É a missa segundo o rito do Caminho Neocatecumenal.
Bento XVI ordenou à Congregação para a Doutrina da Fé que a examine a fundo. Sua condenação parece certa.
Com uma carta autografada ao cardeal William J. Levada, Bento XVI ordenou à Congregação para a Doutrina da Fé que examine se as missas neocatecumenais estão ou não conformes com a doutrina e a práxis litúrgica da Igreja católica.
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Cardeal Stanislaw Rylko |
Há tempos que Bento XVI está preocupado com as modalidades particulares com as quais as comunidades do Caminho Neocatecumenal celebram suas missas, no sábado à noite, separados das celebrações da comunidade.
Sua preocupação aumentou também com a trama tecida às suas costas na cúria no inverno passado.
Aconteceu que o Pontifício Conselho para os Leigos, presidido pelo cardeal Stanislaw Rylko, havia preparado o texto de um decreto de aprovação global de todas as celebrações litúrgicas e extralitúrgicas do Caminho Neocatecumenal, que tinha que ser publicado no dia 20 de janeiro, por ocasião de um encontro previsto pelo Papa com o Caminho.
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Cardeal Antonio Cañizares Llovera |
Tudo sem o conhecimento do Papa
Bento XVI tomou conhecimento do texto do decreto poucos dias antes do encontro de 20 de janeiro. Teve acesso a um texto desconexo e equivocado. Ordenou que fosse anulado e que se voltasse a escrever outro seguindo suas indicações.
De fato, no dia 20 de janeiro, o decreto que tornou público se limitou a aprovar as cerimônias extralitúrgicas que marcam as etapas catequéticas do Caminho.
O Papa em seu discurso destacou que apenas estas haviam sido convalidadas, ao passo que sobre a missa deu aos necocatecumenais uma verdadeira e própria aula – quase um ultimatum – sobre como celebrá-la em plena fidelidade com as normas litúrgicas e em efetiva comunhão com a Igreja.
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Arcebispo Rainer Maria Woelki |
O Papa pediu a Woelki que fizesse uma nota escrita sobre este assunto. No dia 31 de janeiro Woelki lhe enviou uma carta com informações mais detalhadas.
Dias depois, no dia 11 de fevereiro, o Papa enviou uma cópia desta carta à Congregação para a Doutrina da Fé, junto com seu pedido de examinar o quanto antes a questão, que “diz respeito não apenas à arquidiocese de Berlim”.
Segundo as indicações do Papa, a comissão examinadora presidida pela Congregação para a Doutrina da Fé teria que ter a colaboração de outros dois dicastérios vaticanos: a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, e o Pontifício Conselho para os Leigos.
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Arcebispo Luis Francisco Ladaria Ferrer |
Os juízos expressos sobre as missas dos neocatemunais foram todos críticos. Muito severo foi também aquele que a própria Congregação para a Doutrina da Fé havia pedido, antes da reunião, ao teólogo e cardeal Karl J. Becker, jesuíta, professor emérito da Pontifícia Universidade Gregoriana e consultor do dicastério.
O dossiê preparado para a reunião pela Congregação para a Doutrina da Fé incluía a carta do papa de 11 de fevereiro, a carta do cardeal Woelki ao Papa no original alemão e em versão inglesa, o parecer do cardeal Becker e um guia para a discussão na qual se colocava em dúvida de forma explícita a conformidade com a doutrina e a práxis litúrgica da Igreja católica do art. 13 § 2 do estatuto dos neocatecumenais, esse com o qual eles justificam suas missas em separado dos sábados à noite.
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Teólogo e Cardeal Karl J. Becker |
O Papa confiou à comissão por ele desejada a tarefa de averiguar o fundamento destes temores, em vista das consequentes decisões.
Os juízos elaborados pela comissão serão examinados em uma próxima reunião plenária da Congregação para a Doutrina da Fé, na quarta-feira da segunda metade de abril.
Tradução do Cepat.
Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - Notícias - Sexta-feira 13 de abril de 2012 - Internet: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/508428-a-missa-que-o-papa-nao-quer
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