EVANGELIZAR SEM TEMER PERSEGUIÇÕES
Manifestação do bispo de Jales
Dom Reginaldo
Andrietta
Bispo
Diocesano
As vozes proféticas não agradam, como Jesus não
agradou, sendo
injustamente condenado
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D. José Reginaldo Andrietta |
Frente
aos ataques que a Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil – CNBB, em particular alguns bispos, têm sofrido por
causa de seus posicionamentos em defesa do que é justo, hoje, neste país,
demonstrando nossa solidariedade, principalmente com os que são vítimas de políticas públicas que lhes
retiram direitos, são oportunos alguns esclarecimentos, de modo especial, a
respeito da missão profética dos bispos.
O
Concílio Vaticano II, na introdução da Constituição Pastoral Gaudium et Spes (Alegria e Esperança)
sobre a Igreja no Mundo Atual, diz que: “As alegrias e as esperanças, as
tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos
aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as
angústias dos discípulos de Cristo; e não
há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração”.
Cristo,
com seu coração misericordioso, “ao ver as multidões, sentiu grande compaixão,
pois estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor (cf. Mt 9,36).
Inspirados nele, não somos indiferentes. Manifestamos
nossa solidariedade para com o povo que Ele nos confiou, encorajando-o a
continuar se organizando, agindo coletivamente e se manifestando de modo
pacífico em defesa de seus direitos e de sua dignidade. Não o fazemos por ideologia, senão por amor pastoral.
No
entanto, frequentemente, pessoas mal-intencionadas, revestidas até mesmo de
religiosidade, dizem aos bispos o que podemos ou não dizer à sociedade,
atacando-nos publicamente de maneira grosseira, associando-nos a um ou outro
grupo político, pretendendo desacreditar o profetismo nosso e de toda a Igreja.
Não faltam os que pretendem nos calar de
modo violento, como fizeram com Dom Oscar Romero, Bispo de El Salvador,
assassinado em 1980.
As vozes proféticas não
agradam, como Jesus não agradou, sendo injustamente condenado. Nem por isso ele
deixou de expressar compaixão por seus algozes. “Pai, perdoa-lhes porque não
sabem o que fazem” (Lc 23,34). Assim clamou a Deus, demonstrando a força do
amor divino no seu coração humano. Inspirados por este mesmo amor, dizemos como
o apóstolo Paulo: “o amor de Cristo é
que nos impulsiona” (2Cor 5,14). Por isso, não recuamos.
Paulo
escreve a Timóteo, bispo de Éfeso, dizendo: “Proclame a Palavra, insista no tempo oportuno e inoportuno” (2Tm
4,2). Agrade ou desagrade, nossa missão
de bispos é de educar, ensinar e orientar. Por isso nos manifestamos, sem
nos considerar perfeitos e sem impor verdades, afinal Jesus é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). A ele servimos,
colocando-nos a serviço do bem comum, a partir dos mais necessitados,
sinalizando o Reino de Deus por ele anunciado e inaugurado.
Evangelizar é nossa missão. Nós a realizamos em
sintonia com Cristo que aplicou a si as palavras do profeta de Isaías: “O
Espírito do Senhor está sobre mim, porque me consagrou para anunciar a Boa
Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos
cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos, e para proclamar um
ano de graça do Senhor (Lc 4,18-19)”. Deus
nos dê a graça de testemunhar essa missão libertadora de Cristo, sem temer
perseguições.
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