A covardia das ofensas!
Padre é xingado ao citar Marielle Franco
durante missa em Ipanema
Fábio Grellet
Dois homens que ofenderam sacerdote foram retirados da
igreja;
ele mencionou também Martin Luther King, Óscar Romero e
Jesus
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Pe. Mario de França Miranda - teólogo jesuíta brasileiro |
O padre Mario de França
Miranda, de 81 anos, foi interrompido e xingado por dois homens enquanto
celebrava uma missa em uma igreja de Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro, na
manhã deste domingo, 18, após citar a
morte da vereadora do Rio Marielle Franco (PSOL). Os dois foram retirados
da igreja, e o sacerdote continuou a celebração. O caso não foi denunciado à
Polícia Civil. O padre responsável pela
paróquia lamentou o fato de nenhum fiel ter defendido Miranda.
O padre de 81 anos,
que também é professor da Pontifícia
Universidade Católica do Rio (PUC-Rio), estava celebrando a missa das 10h30 na Paróquia da Ressurreição,
quando, durante a homilia, citou a vereadora assassinada na última
quarta-feira, 14, no centro do Rio.
«Fiz a homilia normal, explicando um pouco o texto, e citei
Martin Luther King, dom Óscar Romero e pessoas que estão tentando melhorar a
sociedade, como Jesus também tentou melhorar e foi assassinado precocemente. O Evangelho fala que o grão cai na terra e
dá frutos. Então, eu falei que frutos são esses. Mostrei que quando se mata uma pessoa parece que tudo termina, mas não.
No caso de Jesus, ele influenciou toda a humanidade», contou o padre, em
entrevista ao jornal O Globo. «E
frutos também são aquelas pessoas que tentam seguir esse exemplo: que têm uma
vida difícil, mas com sentido, e que causam muita paz por fazer o bem.»
Quando citou Marielle, dois homens começaram a gritar «Padre
filho da puta» e outros xingamentos.
«Quando houve a reação dos dois homens tinha umas 500 pessoas na igreja e eu pensei: tenho que tocar a
missa. Não ia ficar preso a um tumulto que lá no fundo da igreja apareceu. Duas
pessoas revoltadas. Me xingaram de tudo. Depois nem quiseram me dizer os
palavrões. Logo, eles foram retirados da igreja e eu consegui recolocar a missa
em oração», afirmou à reportagem.
Ao final da missa, fiéis se solidarizaram com o padre e o
parabenizaram pela homilia.
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Fachada externa da igreja da Ressurreição - Ipanema - Rio de Janeiro (RJ) |
O padre José Roberto
Devellard, responsável pela Paróquia
da Ressurreição, comentou o caso em texto postado no Facebook. Ele não
presenciou o episódio, mas disse que o «sacerdote
não falou de partidos nem de ideologias».
«No Evangelho de João 12, 20-33 ao entrar no Espírito da
Semana Santa, os versículos 24 e 25 falam do grão de trigo, que ao morrer
produz frutos. O sacerdote deu vários exemplos, entre tantos o da vereadora
Marielle. A homilia foi interrompida por uma pessoa da assembleia, que não
gostando usou palavras de baixo calão para ofender o sacerdote, profanando
assim o templo», escreveu. «O padre
Mário França é um dos melhores teólogos do Brasil. Foi membro da comissão
de teólogos de todo o mundo. Recebeu o Prêmio Cardeal Ratzinger de teologia
como bons serviços prestados à teologia. Uma
preocupação assustou-me: ninguém foi capaz de levantar a voz na igreja para
defender o sacerdote!» [...]
Companhia de Jesus do Brasil solidária com
Padre agredido no Rio de Janeiro
O Provincial dos Jesuítas do Brasil, Padre João Renato Eidt, SJ, publicou nota de solidariedade com o Padre Mário de França Miranda, jesuíta, “diante da violenta agressão sofrida, neste
domingo, dia 18 de março, no Rio de Janeiro.
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Pe. João Renato Eidt - Provincial dos Jesuítas no Brasil |
Eis a nota.
"Ninguém tem maior
amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos"
Jo 15,13
Em nome da Companhia de Jesus do Brasil, venho manifestar
a solidariedade e o apoio ao Pe. Mário de França Miranda diante da violenta
agressão sofrida, neste domingo, dia 18, quando presidia a celebração
eucarística na paróquia da Ressurreição, no Rio de Janeiro (RJ).
Queremos ratificar nosso compromisso de sermos
construtores de pontes, de abrirmos os espaços para o diálogo. Nesse sentido,
estamos envoltos, também, na dor pela qual passa a população do Rio de Janeiro,
especialmente as comunidades afetadas pela violência, que partem de todos os
âmbitos. Desejamos que o povo do Rio possa, na escuta e meditação da Palavra de
Deus, ser sinal da presença amorosa de Deus no mundo. Vivendo os valores do
Reino do perdão e da fraternidade, além de estar compromissado com os
desvalidos e desprezados da sociedade.
Acreditamos na não violência como postura cristã diante
do ódio. Vivamos o amor misericordioso que a todos e a todas acolhe e tudo
perdoa. Digamos não à intolerância.
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