DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR – ANO B
Evangelho
(Procissão de ramos): Marcos 11,1-10
1
Quando se aproximaram de Jerusalém, na altura de Betfagé e de Betânia, junto ao
monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos,
2
dizendo: «Ide até o povoado que está em frente, e logo que ali entrardes, encontrareis
amarrado um jumentinho que nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui!
3
Se alguém disser: “Por que fazeis isso?”, dizei: “O Senhor precisa dele, mas
logo o mandará de volta”.»
4 Eles
foram e encontraram um jumentinho amarrado junto de uma porta, do lado de fora,
na rua, e o
desamarraram.
5
Alguns dos que estavam ali disseram: «O que estais fazendo, desamarrando este
jumentinho?».
6
Os discípulos responderam como Jesus havia dito, e eles permitiram.
7
Trouxeram então o jumentinho a Jesus, colocaram sobre ele seus mantos, e Jesus
montou.
8
Muitos estenderam seus mantos pelo caminho, outros espalharam ramos que haviam
apanhado nos campos.
9
Os que iam na frente e os que vinham atrás gritavam: «Hosana! Bendito o que vem
em nome do Senhor!
10
Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso pai Davi! Hosana no mais alto
dos céus!».
JOSÉ ANTONIO
PAGOLA
IDENTIFICADO COM AS VÍTIMAS
Nem o poder de Roma nem as autoridades do
Templo puderam suportar a novidade de Jesus. A sua forma de entender e de viver Deus era perigosa. Não defendia
o império de Tibério, chamava a todos para procurar
o Reino de Deus e a sua justiça. Não lhe importava quebrar a lei do sábado
nem as tradições religiosas, só lhe
preocupava aliviar o sofrimento das pessoas doentes e desnutridas da Galileia.
Não o perdoaram. Identificava-se demasiado com as vítimas inocentes do Império e com os
esquecidos pela religião do Templo. Executado sem piedade numa cruz, nele se nos revela agora Deus, identificado
para sempre com todas as vítimas inocentes da história. Ao grito de todos
eles se une agora o grito de dor do mesmo Deus.
Nesse rosto desfigurado do Crucificado
revela-se um Deus surpreendente, que quebra as nossas imagens convencionais de
Deus e coloca em questão toda prática
religiosa que pretenda dar-lhe culto esquecendo o drama de um mundo onde se
continua a crucificar os mais fracos e indefesos.
Se Deus morreu identificado
com as vítimas, a sua crucificação converte-se num
desafio inquietante para os
seguidores de Jesus.
Não podemos separar Deus do sofrimento dos inocentes.
Não podemos adorar o Crucificado e viver de
costas ao sofrimento de tantos seres humanos destruídos pela fome, pelas
guerras ou pela miséria.
Deus continua
a interpelar-nos a partir dos crucificados de nossos dias. Permite-nos continuar a
viver como espectadores desse sofrimento imenso alimentando uma ingênua ilusão
de inocência. Temos de rebelar-nos
contra essa cultura do esquecimento que permite nos isolarmos dos
crucificados, deslocando o sofrimento injusto que há no mundo para um «afastamento»
onde desaparece todo o clamor, gemido ou choro.
Não podemos fechar-nos em nossa «sociedade de
bem-estar», ignorando essa outra «sociedade do mal-estar» em que milhões de
seres humanos nascem só para se extinguir aos poucos anos de uma vida que só
foi de sofrimento. Não é humano nem
cristão instalar-nos na segurança, esquecendo a quem só conhece uma vida
insegura e ameaçada.
Quando nós, os cristãos, levantamos os nossos
olhos até ao rosto do Crucificado, contemplamos o amor insondável de Deus, entregue
até à morte para a nossa salvação. Se olharmos mais detidamente, depressa
descobrimos nesse rosto o de tantos outros crucificados que, longe ou perto de
nós, estão reclamando o nosso amor solidário e compassivo.
O que
significa para nós viver este tempo?
Que significa seguir Jesus em seu caminho
para o Calvário, para a cruz e a ressurreição?
Vejamos:
* Significa sair de nós mesmos para ir ao encontro
dos demais, à periferia da existência, aos mais distantes, aos esquecidos, àqueles
que necessitam compreensão, consolo e auxílio.
* Viver este tempo significa
também entrar, cada vez mais, na LÓGICA DE DEUS, da CRUZ e do EVANGELHO.
* Sair sempre com o amor e a
ternura de Deus, no respeito e na paciência, sabendo que nós colocamos as mãos,
os pés, o coração, porém é Deus quem
guia e torna fecundas nossas ações.
Traduzido do
espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.
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