Vigília Pascal – Sábado Santo – Ano B – Homilia
Evangelho: Marcos 16,1-7
1
Quando passou o sábado, Maria Madalena e Maria, a mãe de Tiago, e Salomé,
compraram
perfumes para ungir o corpo de Jesus.
2
E bem cedo, no primeiro dia da semana, ao nascer do sol, elas foram ao túmulo.
3
E diziam entre si: «Quem rolará para nós a pedra da entrada do túmulo?».
4
Era uma pedra muito grande. Mas, quando olharam, viram que a pedra já tinha
sido retirada.
5
Entraram, então, no túmulo e viram um jovem, sentado do lado direito, vestido
de branco. E ficaram muito assustadas.
6
Mas o jovem lhes disse: «Não vos assusteis! Vós procurais Jesus de Nazaré, que
foi crucificado? Ele ressuscitou. Não está aqui. Vede o lugar onde o puseram.
7
Ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele irá à vossa frente, na Galileia.
Lá vós o vereis, como ele mesmo tinha dito».
JOSÉ ANTONIO
PAGOLA
IDE À GALILEIA, ALI O VEREIS
O relato evangélico que se lê na noite pascal
é de uma importância excepcional. Não somente se anuncia a grande notícia de
que o crucificado foi ressuscitado por Deus. Indica-se, além disso, o caminho que temos de percorrer para vê-lo
e nos encontrarmos com ele.
Marcos fala de três mulheres admiráveis que
não conseguem esquecer Jesus. São Maria de Magdala, Maria mãe de Tiago e
Salomé. Em seus corações despertou-se um projeto absurdo que somente pode nascer
de seu amor apaixonado: «comprar aromas para ir ao sepulcro e embalsamar seu
cadáver».
O surpreendente é que, ao chegar ao sepulcro, observam que está
aberto. Quando se aproximam mais, veem um «jovem vestido de branco» que as
tranquiliza de seu sobressalto e lhes
anuncia algo que jamais teriam suspeitado.
«Vós procurais Jesus de Nazaré, que foi
crucificado?». É um erro buscá-lo no mundo dos mortos. «Não está aqui». Jesus não é mais um defunto. Não é o
momento de chorá-lo e render-lhe homenagens. «Ressuscitou». Está vivo para sempre. Jamais poderá
ser encontrado no mundo dos mortos, do extinto, do acabado.
Porém, se não está no sepulcro, onde se pode vê-lo? Onde podemos encontrar-nos com ele? O
jovem recorda às mulheres algo que Jesus já lhes havia dito: «ele irá à vossa
frente, na Galileia. Lá vós o vereis». Para
«ver» o ressuscitado deve-se voltar à Galileia. Por quê? Para quê?
Ao ressuscitado não se pode «ver» sem fazer
seu próprio percurso. Para
experimentá-lo cheio de vida no meio de nós, há que se voltar ao ponto de
partida e fazer a experiência do que foi essa vida que levou Jesus à crucifixão
e ressurreição. Se não é assim, a «Ressurreição» será para nós uma doutrina
sublime, um dogma sagrado, porém não experimentaremos Jesus vivo em nós.
A Galileia
foi o cenário principal de sua atuação. Ali se viu seus discípulos curarem,
perdoarem, libertar, acolher, despertar
em todos uma esperança nova. Agora, nós, seus seguidores, temos de fazer o
mesmo. Não estamos sozinhos. Ele ressuscitou e vai adiante de nós. Iremos vendo-o se caminharmos atrás de seus
passos.
O mais importante e decisivo
para EXPERIMENTAR O «RESSUSCITADO» não é o estudo da Teologia nem a celebração
litúrgica, mas o SEGUIMENTO FIEL de Jesus.
O NOVO ROSTO DE DEUS
Não voltaremos mais a ser os mesmos!
O encontro com Jesus, cheio de vida depois de
sua execução, transformou totalmente os seus discípulos. Começaram a ver tudo de maneira nova. Deus era o ressuscitador de
Jesus. Imediatamente, tiraram as consequências.
1ª) DEUS É AMIGO
DA VIDA.
Não havia, agora, nenhuma dúvida. O que havia dito Jesus era verdade: «Deus não
é um Deus de mortos, mas de vivos» [Mt 22,32; Lc 20,38]. Os homens poderão
destruir a vida de mil maneiras, porém se
Deus ressuscitou Jesus, isto significa que ele somente quer a vida para seus
filhos. Não estamos sozinhos nem perdidos diante da morte. Podemos contar
com um Pai que, acima de tudo, inclusive, acima da morte, quer ver-nos cheios
de vida. Daqui em diante, só há uma maneira cristã de viver, a qual se resume
assim: pôr vida
onde outros põem morte.
2ª) DEUS
É DOS POBRES. Jesus já o havia dito de muitas maneiras, porém não era fácil
crer nisso. Agora é diferente. Se Deus ressuscitou Jesus, quer dizer que é verdade:
«felizes os pobres porque eles têm Deus». A última palavra não a tem Tibério
nem Pilatos, a última decisão não é de Caifás nem de Anás. Deus é o último defensor dos que não interessam a ninguém. Somente
há uma maneira de parecer-se com ele: defender
os pequenos e indefesos.
3ª) DEUS
RESSUSCITA OS CRUCIFICADOS. Deus reagiu diante da injustiça criminosa
daqueles que crucificaram Jesus. Se o ressuscitou é porque deseja introduzir
justiça por cima de tanto abuso e crueldade como se comete no mundo. Deus não está do lado dos que crucificam,
está com os crucificados. Somente há uma maneira de imitá-lo: estar sempre junto aos que sofrem, lutar
sempre contra os que fazem sofrer.
4ª) DEUS
ENXUGARÁ NOSSAS LÁGRIMAS. Deus ressuscitou Jesus. O rejeitado por todos foi
acolhido por Deus. O depreciado foi glorificado. O morto está mais vivo que
nunca. Agora, sabemos como é Deus. Um dia ele «enxugará todas as nossas lágrimas,
e não haverá mais morte, não haverá gritos nem fatigas. Tudo isso terá passado»
[cf. Ap 21,4].
Traduzido do
espanhol por Telmo José Amaral de
Figueiredo.
Comentários
Postar um comentário