Olha o PP aí, gente ! ! !
PP, o partido mais investigado na Lava Jato,
só vê seu poder crescer no Brasil.
Por quê?
Afonso Benites
Legenda
se beneficia dos holofotes voltados ao PT, PSDB e MDB
e
aumenta bancada da Câmara.
É
cortejada por presidenciáveis de esquerda e direita que cobiçam
seus
recursos para campanha
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CIRO NOGUEIRA FILHO Senador pelo Estado do Piauí - Presidente do Partido Progressista (PP) |
O desdobramento da operação
Lava Jato desta terça-feira [24 de abril] atingiu a cúpula do Partido Progressista em um momento que a legenda está em franca ascensão e se
tornava uma das queridinhas dos pré-candidatos à presidência. Enquanto os holofotes
da política estão sobre o PT de Lula e o PSDB de Aécio e Alckmin, o PP vê sua influência crescer nos
bastidores, tornando-se um poderoso
e imprescindível aliado para quem quer governar o Brasil com apoio do
Congresso. Entre a eleição de 2014 – quando elegeu 38 deputados federais – e a
última janela partidária (quando os políticos podem mudar de legenda), que se
encerrou no início de abril, o partido
conseguiu filiar 12 parlamentares novos e se tornou a terceira maior bancada da
Câmara. Desbancou o PSDB e tem apenas um deputado a menos que o MDB,
tornando-se a terceira da Casa, com 50
parlamentares.
A moeda de troca que o
presidente do PP, o senador Ciro
Nogueira Filho, usou para convencer seus novos correligionários era
exatamente dinheiro. Prometia ceder até
2,5 milhões de reais do fundo eleitoral (ou seja, recursos
públicos) para cada um dos
deputados financiar sua campanha à reeleição.
Um dos que foi convencido a
ingressar no Partido Progressista foi o deputado
federal Osmar Serraglio. Eleito pelo MDB, é da bancada ruralista, foi ministro da Justiça de Michel Temer,
mas acabou defenestrado do cargo após ser acusado por correligionários por não
segurar as investigações da Polícia Federal. Hoje, além dos 50 deputados (quase
10% da Câmara), o PP tem seis dos 81
senadores.
Esse apoio congressual e um fundo de 130 milhões para investir nas
eleições, transformaram os progressistas em um dos partidos mais procurados
para futuras coligações. Tanto legendas de esquerda, quanto de direita tentam
se aproximar do partido em seus Estados. Nas últimas eleições, apenas uma
governadora da legenda se elegeu, Suely
Campos, de Roraima. O PP,
contudo emplacou cinco vice-governadores,
sendo três de Estados chaves para a eleição presidencial: Rio de Janeiro, Bahia
e Paraná.
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SUELY CAMPOS Governadora de Roraima pelo PP |
Sem a intenção de lançar um
candidato presidencial, o PP está mais inclinado a apoiar, ainda que
informalmente, o Democratas, do pré-candidato Rodrigo Maia, de quem Nogueira é
amigo. Porém, também discute apoio ao PSDB, do presidenciável Geraldo Alckmin.
Enfim, é um partido que fará parte de
qualquer administração, apesar de ter se originado da Arena,
o partido que deu sustentação à ditadura militar brasileira (1964-1985). Uma
espécie de novo MDB, que esteve ao lado de todos os presidentes desde a
redemocratização do país, na década de 1980.
Figurar nas páginas policiais é algo
comum entre os progressistas. Dos 56 parlamentares federais da legenda, ao menos 31 têm processos criminais tramitando no
Supremo Tribunal Federal, entre eles:
* Ciro Nogueira,
* Dudu da Fonte (outro alvo da operação desta
terça-feira),
* Paulo Maluf (que está preso por desvios de recursos
em São Paulo),
* Benedito de Lira,
* Arthur Lira e
* Aguinaldo Ribeiro.
Eminência
parda magnata
No Congresso Nacional, o presidente do PP é uma espécie de
eminência parda. Pouco dá entrevistas, quase não faz discursos na tribuna,
mas os principais acordos no Legislativo
passam pelo seu gabinete. Há dois anos, durante o impeachment da então
presidenta Dilma Rousseff (PT), por exemplo, ele demorou a definir qual lado
apoiaria. Mas avisou tanto aos peessedebistas, que articulavam a deposição,
quanto aos petistas, que tentavam evitá-la, que o PP estaria do lado dos
vencedores. E, de fato, esteve. Apesar de ocupar um ministério e dezenas de
cargos de segundo escalão, decidiu-se por apoiar o impeachment.
Na matemática congressual,
saiu ganhando. Com Temer, o PP
administra atualmente três das mais importantes pastas na esplanada:
*
Saúde,
*
Cidades e
*
Agricultura.
*
Além do banco público Caixa.
Ou seja, administra o Sistema Único de Saúde (SUS) e programas como o Minha Casa Minha Vida. Orçamentos que
ultrapassam a casa dos 30 bilhões de reais. Essa vitrine política é sempre
lembrada pelos políticos do PP que tentam buscar algum novo cargo. E os chefes desses ministérios usam de sua
influência para beneficiar suas bases eleitorais e seus aliados, como costuma
ocorrer no Brasil.
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IRACEMA PORTELLA esposa do senador Ciro Nogueira e Deputada Federal pelo PP do Piauí |
Fora do Legislativo, Nogueira e sua família vivem uma vida de
magnatas. Faz diversas viagens internacionais com a família, várias delas
registradas nos perfis das redes sociais de suas três filhas. No dia em que a
PF adentrou em seu gabinete e em seus imóveis em Brasília e Teresina, o senador
estava em Portugal, justamente com familiares. Filho de um ex-deputado federal,
Nogueira é casado com outra herdeira política, a deputada federal Iracema Portella (PP-PI). Ela é filha de Lucídio
Portela, ex-governador do Piauí, e sobrinha de Petrônio Portella, ex-ministro
da Justiça, ex-senador e ex-governador do mesmo Estado. Uma reportagem
publicada pela revista Época levantou
parte de seu patrimônio:
*
um helicóptero,
*
um jatinho,
*
uma ilha no Delta do rio Parnaíba,
*
um grupo de concessionária de veículos,
*
além de diversos imóveis de luxo.
Um contraste no Piauí, um dos Estados mais pobres do Brasil.
O novo desafio do deputado
será o de convencer seus eleitores que, mesmo respondendo a pelo menos 17 processos criminais, ainda merece a
confiança. Um desses processos envolve o senador e outros 11 parlamentares
progressistas, suspeitos de desviarem
380 milhões de reais em recursos públicos. Nogueira, que antes de se eleger
senador foi deputado federal por quatro mandatos (16 anos), deve se candidatar
à reeleição nas eleições de outubro.
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Eduardo Henrique da Fonte de Albuquerque Silva, vulgo: DUDU DA FONTE Deputado Federal pelo PP de Pernambuco |
Outro
lado
Sobre a operação dessa
terça-feira, da qual é suspeito de obstruir a operação Lava Jato ao ameaçar um
colaborador da Justiça, o advogado de Nogueira, Antonio Carlos de Almeida
Castro afirmou que o senador a classificou como “completamente fora da
realidade” e disse que o parlamentar está à disposição para qualquer
esclarecimento. “Sequer en passant o
senador praticou qualquer ato que pudesse ser interpretado como tentativa de
embaraço”.
Além do gabinete e da casa de
Nogueira, os policiais federais
estiveram por quase seis horas no gabinete de outro investigado, o deputado
federal Dudu da Fonte. De lá, levaram cópias de arquivos de computadores e
de vários documentos que podem comprovar os crimes. Procurado, Fonte limitou-se
a informar por meio de uma nota que está à disposição dos investigadores.
“Estou à disposição da Justiça sempre. Confiamos nela e em Deus”. O outro alvo
da apuração, o ex-deputado federal
Márcio Junqueira, foi preso. Seus advogados não foram localizados pela
reportagem.
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