Quem comandará o mundo?
A ascensão da China, a disputa pela Eurásia
e a Armadilha de Tucídides
Entrevista
com José Eustáquio Diniz Alves
Patricia
Fachin
Quem é quem no cenário político e
econômico global?
A China é, de fato, a nova
superpotência mundial?
E por quê?
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JOSÉ EUSTÁQUIO DINIZ ALVES Demógrafo & Pesquisador |
Depois
de ter se transformado na “fábrica do
mundo” e de seu PIB ter superado o
dos Estados Unidos da América (EUA), a China
também se tornou o “banco do mundo” e “estimula o crescimento de todo o
continente asiático” por meio da iniciativa “Um cinturão, uma rota” (One Belt One Road, ou OBOR), resume
José Eustáquio Diniz Alves à IHU On-Line,
ao comentar a ascensão econômica e política da China. Essa iniciativa, esclarece,
“visa construir redes de comércio e
infraestrutura conectando a Ásia com a Europa e a África ao longo dos antigos
caminhos comerciais da Rota da Seda, objetivando o compartilhamento do
desenvolvimento e da prosperidade”. Um exemplo dessa proposta, diz, é a
inauguração da recente linha ferroviária que liga Londres à estação de Yiwi, no
sul de Xangai. “Trata-se de uma interligação
de Pequim e Xangai com o mundo”, pontua.
Na
entrevista a seguir, Alves explica a relação da China com o BRICS, especialmente com a Rússia e a Índia, que formam,
juntamente com os chineses, o “triângulo estratégico” que quer dominar a
Eurásia. “A Eurásia é a faixa contínua de terra mais extensa do mundo. Ela
é berço das mais antigas e importantes civilizações do passado. Sua extensão territorial é de 54,8 milhões
de km² (mais de seis vezes o tamanho do Brasil) e possui cerca de dois terços da população e
do PIB mundial. Quem controlar a Eurásia, controlará o mundo. Mas as
alianças já passaram por muitas reviravoltas”, frisa.
De acordo com José Eustáquio Diniz Alves, “a ascensão da China e dos países aliados
do Oriente pode significar o fim do modelo econômico e político do liberalismo
democrático burguês e o fim da ordem internacional fundada a partir da reunião
de Bretton Woods, em 1944”.
Em
seu lugar, passará a vigorar o “Consenso de Beijing”, que aposta na:
a) “promoção das economias em que a
propriedade estatal continua tendo um peso dominante,
b)
na promoção de câmbio competitivo,
com mudanças graduais para evitar choques e controle cambial para escapar da especulação predatória,
c)
em políticas de promoção das exportações
com proteção da indústria local e dos setores estratégicos do país,
d) em
reformas de mercado, mas com controle
das instituições políticas e culturais, e
e) na
centralização das decisões políticas
e das estratégias de projeção nacional”.
Essa possível mudança, adverte, que levará à
“ascensão da Ásia e à emergência do processo de Orientalização do mundo, sob
liderança chinesa, pode não ocorrer de
maneira pacífica diante do declínio relativo dos EUA e do Ocidente.
Infelizmente, a Armadilha de Tucídides é como uma espada de Dâmocles suspensa
sobre a ordem internacional e a possibilidade de paz mundial”.
José Eustáquio Diniz Alves é doutor em Demografia e
professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e
Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – Ence/IBGE.
Confira
a entrevista.
IHU
On-Line: Qual é o significado do encontro entre
Donald Trump e Kim Jong-un, em Singapura, na semana passada?
José Eustáquio
Diniz Alves:
O encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un, em Singapura, na ilha de Sentosa
(que significa paz e tranquilidade em língua malaia) foi um
importante passo para evitar um conflito nuclear iminente, depois de meses de
agressões verbais, de insultos pessoais e de disputa sobre o poderio mútuo de
destruição. Kim havia revelado ter em sua mesa um botão com o qual poderia
iniciar uma guerra nuclear. E Trump contra-atacou pelo Twitter dizendo ter
"um botão nuclear maior, mais poderoso do que o deles, e que
funciona". A possibilidade de um conflito bélico era real, mesmo porque não houve um tratado de paz após o fim da
guerra entre as Coreias, em 1953. A chamada zona desmilitarizada entre as
Coreias, no paralelo 38, é na verdade uma das áreas mais militarizadas do
mundo. Mesmo sob segredo militar, dizem que a Coreia do Sul tem um “Sistema de Arma Autônomo” (AWS, na sigla em
inglês), comandado por Inteligência Artificial,
capaz de responder às ameaças recebidas de artilharia e mísseis, sem a
supervisão humana.
Portanto,
o mundo respira aliviado com a possibilidade de uma desnuclearização da
península coreana. O estranho é que o
presidente dos EUA não tenha tocado na questão dos direitos humanos e nem
exigido compromissos de mudanças de um regime reconhecidamente enclausurado e
ditatorial. O placar foi Kim Jong 1 x 0 Trump.
IHU
On-Line: Qual foi o papel dos EUA e de Trump em
particular no acordo de paz entre as duas Coreias e, de outro lado, qual é o
papel do chamado RIC (Rússia, China e Índia) nesse processo?
José Eustáquio
Diniz Alves:
A posição histórica dos EUA sempre foi por uma "desnuclearização completa,
verificável e irreversível” da Coreia do Norte. Mas o acordo assinado foi pela “desnuclearização da península coreana”.
Sem qualquer contrapartida, Trump ainda
concordou em encerrar os “jogos de guerra” (exercícios militares conjuntos
que os EUA realizam com a Coreia do Sul). Esta
atitude surpreendeu o Japão e a Coreia do Sul, aliados dos EUA e das forças
ocidentais, deixando embaraçado até mesmo o Pentágono. Evidentemente, a menor presença americana no leste
asiático agrada fundamentalmente à China, em primeiro lugar, e à Rússia, em segundo lugar.
G7
Nos
dias imediatamente anteriores ao encontro histórico de Singapura, houve duas
Cúpulas emblemáticas. Nos dia 8 e 9 de junho, o G7 (grupo formado pelas grandes economia capitalistas — Estados
Unidos, Canadá, França, Reino Unido, Alemanha, Japão e Itália) se reuniu em
Charlevoix, no Canadá, onde o destaque
foi o aumento da tensão entre os EUA e os outros seis membros, que estão
insatisfeitos com a saída dos EUA da Parceria Transatlântica de Comércio e
Investimento - TTIP, do Acordo de Paris (do clima), do Acordo nuclear com o
Irã, além das críticas à Otan e das medidas para o enfraquecimento do NAFTA -
Acordo de Livre Comércio da América do Norte. Trump chegou atrasado e saiu mais cedo do encontro, não assinou o
comunicado conjunto da Cúpula de Charlevoix e ainda acusou o
primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, de ser fraco e desonesto. A
política de Trump, do “America first”,
parece estar rompendo com a aliança ocidental e com a ordem internacional
global pós-Segunda Guerra.
Cúpula
de Qingdao
Enquanto
os líderes da ordem liberal-burguesa se desentendiam no Canadá, os países asiáticos se encontravam na 18ª
cúpula da Organização de Cooperação de Xangai - OCX, ocorrida nos dias 9 e
10 de junho, na cidade litorânea chinesa de Qingdao. Foi a primeira reunião de
cúpula da OCX depois que a Índia e o Paquistão foram aceitos como membros
plenos em junho do ano passado. Assim, os
oito membros plenos da OCX são China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão,
Tadjiquistão, Uzbequistão, Índia e Paquistão. A OCX também tem quatro
estados observadores e seis parceiros de diálogo. Os oito países membros
respondem por mais de 60% do território eurasiático, quase metade da população
global e cerca de 30% do PIB mundial (em poder de paridade de compra – ppp, na
sigla em inglês). O PIB conjunto dos
países da OCX é maior do que o PIB total do G7.
A cúpula de Qingdao foi a
primeira a contar com os líderes do triângulo estratégico (RIC) e ainda teve a
presença do presidente do Irã, Hassan Rohani. O presidente Xi Jinping resumiu tudo
dizendo: “A cúpula de Qingdao é um novo ponto de partida para nós. Juntos,
vamos içar a vela do Espírito de Xangai, quebrar ondas e iniciar uma nova
viagem para nossa organização”. Ficou subentendido que é a viagem rumo à ascensão do século asiático e rumo à hegemonia chinesa
global. Uma península coreana desnuclearizada e com menor presença
americana só fortalece Rússia, Índia e China, que são potências nucleares da
Eurásia e aliados no âmbito da OCX.
IHU
On-Line: Em artigo recente o senhor afirma que está
se formando uma aliança entre Rússia, China e Índia (RIC), que fazem parte do
BRICS, enquanto Brasil e África do Sul ficam de fora. Quais são os fatores que
favorecem essa aliança, por que ela está sendo feita neste momento e qual dos
três países tem mais poder de barganha nessa aliança?
José Eustáquio
Diniz Alves:
O termo BRIC foi inventado pelo economista
Jim O'Neill, do banco de investimento Goldman Sachs, em 2001, com o
objetivo de indicar aos investidores globais as oportunidades de lucro nos
grandes países “emergentes” do mundo: Brasil, Rússia, Índia, China.
Posteriormente foi incluída a África do Sul (South África) e o termo BRIC se
transformou em BRICS. Desde 2009, os líderes do grupo se encontram em cúpulas
anuais. Porém, Brasil e África do Sul (o
começo e o fim do acrônimo) sempre foram países menores em termos políticos,
econômicos e militares e ficaram ainda menores depois da crise econômica e
do imbróglio político que afastou seus líderes mais tarimbados, os
ex-presidentes Lula e Jacob Zuma.
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Projeto: "Um Cinturão, Uma Rota" - integrando a China ao restante da Ásia e Europa |
Fortalecimento
do RIC
Mas
os fatos que vieram fortalecer o grupo
RIC ocorreram pela conjunção de três fatores recentes:
1º)
O primeiro aconteceu durante o 18º
Congresso do Partido Comunista Chinês, em novembro de 2012, com a escolha
de Xi Jinping para o cargo de presidente da China, que, em seguida, lançou a
iniciativa “Um Cinturão, Uma Rota” (One Belt One Road, ou OBOR), que é um gigantesco projeto de infraestrutura,
com investimentos de mais de US$ 1
trilhão, para unir, por terra e pelo mar, toda a Eurásia (incluindo partes
da África).
2º)
O segundo fato foi a expulsão da Rússia
do G8 — devido à anexação da região autônoma da Crimeia que aumentou as
tensões entre os russos e a Ucrânia, e afastou
o país da Europa e da aliança ocidental, forçando Vladimir Putin a buscar
aliados no Oriente.
3º)
O terceiro fato foi a eleição, em maio
de 2014, de Narendra Modi, do Partido Bharatiya Janata (BJP), para primeiro-ministro da Índia, com
uma plataforma que combina o
nacionalismo hindu com os sonhos de desenvolvimento da Índia. Diante das
medidas protecionistas de Donald Trump e do enfraquecimento da aliança
ocidental, Modi, que já tinha uma boa
relação com a Rússia, passou a se aproximar da China e teve uma reunião
informal com Xi Jinping na cidade histórica de Wuhan, nos dias 27 e 28 de abril
de 2018, onde os dois líderes acertaram os passos para os eventos ocorridos nos
meses seguintes e para uma aliança de longo prazo.
Evidentemente,
o país líder é a China devido ao seu tamanho econômico,
demográfico, territorial e à capacidade de influência política. Em 2017,
segundo dados do FMI, o Produto Interno Bruto - PIB chinês foi de US$ 23,2 trilhões
(em ppp), volume muito superior aos US$ 9,5 trilhões da Índia, US$ 4 trilhões
da Rússia, US$ 3,2 trilhões do Brasil e dos US$ 765 bilhões da África do Sul.
Além da dimensão da economia, a China
tem mais de US$ 3 trilhões em reservas internacionais, mega superávit na balança comercial e altas taxas de poupança, o que possibilita às empresas chinesas
realizar grandes investimentos nacionais e globais.
IHU
On-Line: De outro lado, por que Brasil e África do
Sul ficam de fora dessa aliança? Como o RIC vê o Brasil e a África do Sul?
José Eustáquio
Diniz Alves:
O Brasil e a África do Sul são cabeças
de ponte para o grupo RIC, especialmente a China, atuar na América Latina e na
África. Rússia, Índia e China são protagonistas, enquanto Brasil e África
do Sul são coadjuvantes. Claro que são cinco nações soberanas, mas a relação da
China com o Brasil e a África do Sul está mais para aquela do tipo que se
costumava chamar centro-periferia, ou melhor, do “Império do Meio” para países
periféricos dependentes. A China exporta
mercadorias industrializadas e capital para ter domínio da relação bilateral e
acesso aos bens primários e commodities.
IHU
On-Line: Há disputas entre os países do RIC sobre o
controle da Eurásia?
José Eustáquio
Diniz Alves:
A Eurásia é a faixa contínua de terra mais extensa do mundo. Ela é berço das
mais antigas e importantes civilizações do passado. Sua extensão territorial é
de 54,8 milhões de km² (mais de seis vezes o tamanho do Brasil) e
possui cerca de dois terços da população e do PIB mundial. Quem controlar a Eurásia, controlará o mundo. Mas as alianças já
passaram por muitas reviravoltas.
A
China já esteve próxima da União Soviética - URSS, depois se afastou e se
aproximou dos EUA, a partir da visita de Richard Nixon a Pequim, em 1972. Mais recentemente, China e Rússia se
aproximaram bastante e a relação de Vladimir Putin com Xi Jinping é de grande
coesão. A Índia sempre teve boa relação com a Rússia e grandes dificuldades
com a China, especialmente devido às alianças e rivalidades com o Paquistão
(envolvendo a disputa pela Caxemira). Mas depois dos diversos encontros entre
Putin, Xi e Modi e após a 18ª cúpula da OCX parece que o triângulo estratégico (RIC) vai caminhar mais lado a lado,
buscando tornar viável a unidade de ação no território da Eurásia.
IHU
On-Line: Como os países do território eurasiático
veem a hegemonia do RIC? Que tipos de disputas surgem na região por conta dessa
hegemonia?
José Eustáquio
Diniz Alves:
Existem muitas rivalidades e disputas fronteiriças, culturais e étnicas, sendo
que a ação das forças armadas de Mianmar contra os muçulmanos rohingya, na
região noroeste do país, é um dos eventos mais dramáticos. O avanço militar
chinês no Mar da China causa grandes atritos com os vizinhos do leste asiático
(além de ameaçar a presença americana na região). Mas uma aliança do grupo RIC com o Irã e a Turquia é meio caminho
andado para unificar os interesses e a logística da maior parte do território
asiático da Eurásia. Neste sentido, a iniciativa “Um Cinturão, Uma Rota”
(One Belt One Road, ou OBOR) joga um papel importante na interligação econômica
da região.
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Mapa do Mar do Sul da China |
IHU
On-Line: De outro lado, como a Europa se posiciona
diante do RIC e da Eurásia?
José Eustáquio
Diniz Alves:
A presença da China na Europa oriental é
cada vez mais forte e a Rússia continua com laços fortes (especialmente no
campo da energia) com esta região.
Mas claro que a Europa ocidental vê o avanço da China e da Rússia com grande
preocupação e até um certo medo, pois existe todo um antigo imaginário
aterrorizante sobre os bárbaros orientais pouco democráticos e com outra
cultura (outros hábitos, outras religiões etc.). A alternativa da Europa ocidental seria fortalecer os laços com os EUA,
o Canadá e o Japão, mas parece que Donald Trump não está ajudando muito no
fortalecimento do G7 e a Europa
ocidental vai ter que repensar o seu lugar no mundo ou aderir à onda oriental.
IHU
On-Line: Quais têm sido as estratégias da China
para garantir a sua hegemonia e fazer com que outros países dependam dela?
José Eustáquio
Diniz Alves:
Primeiro a China montou uma máquina
azeitada de produção de bens de consumo de massa a preços baratos que
invadiu todas as fronteiras e ocupou as prateleiras do planeta, tornando-se a fábrica do mundo. Em segundo lugar,
com o dinheiro que acumulou no comércio internacional, fortaleceu suas instituições financeiras e passou a ser exportadora de
capital, tornando-se, também, banco do mundo.
Boa parte da rolagem da dívida americana depende do dinheiro de Pequim.
A Venezuela está totalmente
“no bolso” dos chineses.
Na Europa, o frágil grupo
PIGS
(Portugal, Itália, Grécia e Espanha) depende
cada vez mais dos investimentos chineses. Em terceiro lugar, a China pretende ser líder global da 4ª
Revolução Industrial. Ela já está na liderança da produção de energia
renovável e da transição da indústria automobilística do motor a combustão
interna para os carros elétricos, também lidera no uso de smartphone para as
compras e pretende ser a líder isolada
da Inteligência Artificial até 2025. Tem o supercomputador mais rápido do
mundo e o maior centro de pesquisa de computação quântica. Seu projetado
sistema de navegação por satélite competirá com o GPS dos EUA até 2020. No ano passado, a China ultrapassou os EUA
e ocupou o primeiro lugar na produção mundial de artigos científicos.
IHU
On-Line: Em que consiste a política chinesa chamada
de “Um cinturão, uma rota”?
José Eustáquio
Diniz Alves:
A Iniciativa «Um Cinturão, Uma Rota» (One Belt One Road, ou OBOR) visa construir redes de comércio e
infraestrutura conectando a Ásia com a Europa e a África ao longo dos antigos
caminhos comerciais da Rota da Seda, objetivando o compartilhamento do
desenvolvimento e da prosperidade. As estatísticas mostraram que os bancos
chineses já participaram de mais de 2.600 projetos e inclui investimentos em
uma ampla variedade de áreas, desde energia limpa até manufatura, tecnologia da
informação e comunicações, transportes, portos e aeroportos, projetos
hidráulicos, assim como desenvolvimento urbano e moradia, entre outras.
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Mapa do Oleoduto de Kyaukpyu |
Por
exemplo, o oleoduto de Kyaukpyu, em Myanmar, no valor de US$ 1,5 bilhão,
vai permitir que os suprimentos de petróleo do Oriente Médio e da África
cheguem à China mais rapidamente. O porto
de Gwadar e o corredor ferroviário,
no Paquistão, permitirão ligar o
oeste da China, através de uma ferrovia de 3 mil km e de um porto de águas
profundas, ao Mar da Arábia. As conexões
ferroviárias na região Ásia-Pacífico envolvem a ligação da região sudoeste
de Yunnan a vários países da região, por meio de três rotas planejadas: uma
central, que atravessa o Laos, a Tailândia e a Malásia para chegar a Singapura,
uma rota ocidental que atravessa Myanmar e uma rota oriental que atravessa o
Vietnã e Camboja. Existem projetos ferroviários no Quênia, Etiópia e Senegal.
Foi inaugurada, recentemente, uma linha
ferroviária ligando Londres à estação de Yiwu, cidade ao sul de Xangai. Ou
seja, trata-se de uma interligação de
Pequim e Xangai com o mundo.
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Traçado da Ferrovia que liga a China a Londres |
IHU
On-Line: Qual é a relação e a influência da China
na Coreia do Norte?
José Eustáquio
Diniz Alves:
A influência é total. A Coreia do Norte
só existe por conta do apoio da China e da URSS, que na guerra de 1950-53,
garantiu a permanência no poder de Kim Il-Sung, avô de Kim Jong-un. Em 2016, o
comércio da Coreia do Norte com o mundo totalizou cerca de US$ 6 bilhões, sendo
US$ 5,5 bilhões (91,5%) com a China, US$ 140 milhões com a Índia e US$ 76
milhões com a Rússia. Os três maiores
parceiros da Coreia do Norte são os países do grupo RIC.
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Mapa das Coreias do Sul e do Norte |
Mas
a influência da China é incomensurável e antes
do encontro da ilha de Sentosa em Singapura, Kim Jong-un se encontrou duas
vezes com Xi Jinping, em território chinês. Outro exemplo, o voo de Kim
para Singapura aconteceu em um avião do governo chinês e foi escoltado por
caças chineses. Por fim, no dia 19 de
junho, uma semana após a reunião de Singapura, Kim Jong-un viajou para Pequim
para se encontrar com Xi Jinping e, provavelmente, comemorar os resultados do
enfraquecimento dos EUA na península coreana. O incrível é que neste mesmo
dia em que os dois “ditadores” orientais se encontravam na Praça da Paz
Celestial, no lado ocidental, o
“democrático” presidente dos EUA reforçou sua política de tolerância zero na
migração ilegal (colocando crianças em “jaulas”) e anunciou a saída dos EUA do
Conselho de Direitos Humanos da ONU.
IHU
On-Line: Quais são os sinais que demonstram uma
mudança na hegemonia no mundo, com o declínio dos EUA e do Ocidente e ascensão
da China e do Oriente?
José Eustáquio
Diniz Alves:
Durante toda a década de 1980, a economia dos EUA representava mais de 20% da
economia mundial e a economia da China representava menos de 5%, segundo dados
do FMI (em ppp). Nas décadas seguintes o quadro se inverteu. Em 2014, o PIB da
China, representando 16,6% do PIB global, ultrapassou o PIB dos EUA, que ficou
com 15,8% do PIB global. Em 2017, a China já levava uma vantagem de 18,3% sobre
15,3% dos EUA. Para 2022, as estimativas
do FMI indicam que o PIB da China subirá para 20,4% do PIB global, enquanto o
PIB dos EUA cairá para 14,1%. A China já ultrapassou os EUA em tamanho do
PIB e agora estimula o crescimento de todo o continente asiático.
A
hegemonia da China também ocorreu no comércio mundial. No final dos anos 1970 a
participação das exportações chinesas estava abaixo de 1% do total mundial,
contra 12% dos EUA, segundo dados da Organização Mundial do Comércio. No início
dos anos 1990, as exportações chinesas subiram para 2% do total mundial e as
exportações americanas permaneceram nos 12%. Mas o quadro mudou rapidamente nos
anos seguintes. Em 2007, pela primeira vez, as exportações chinesas
ultrapassaram as exportações americanas. Em
2017, as exportações da China somaram US$ 2,26 trilhões (representando 13% do
total global) e as exportações dos EUA foram de US$ 1,55 trilhão (representando
9% do total global). Em 2017, o saldo comercial da China com o resto do
mundo foi de US$ 421 bilhões e o déficit comercial dos EUA foi de US$ 863
bilhões.
Vantagem
chinesa
No
confronto direto entre as duas maiores economias do mundo, a vantagem chinesa é
impressionante. Os dados do “U.S. Census Bureau” mostram que o déficit comercial dos EUA com a China cresceu
enormemente nos últimos 25 anos, pois era de US$ 23 bilhões no começo do
governo Clinton, em 1993, passou para US$ 268 bilhões no fim do governo Bush,
em 2008, e não parou de subir no governo Obama, chegando a US$ 367 bilhões em
2015, caindo um pouco para US$ 347 bilhões em 2016.
No governo Donald Trump, a
despeito de toda a retórica protecionista, o déficit comercial com a China
bateu todos os recordes históricos e atingiu US$ 375 bilhões em 2017. O ano de 2018 começou com
outro recorde chinês, que teve um superávit de US$ 119 bilhões nos primeiros
quatro meses do ano, o maior saldo positivo de todos os tempos, para o primeiro
quadrimestre do ano.
A
economia americana funciona na base dos déficits gêmeos (fiscal e comercial) e
do aumento da dívida. O último relatório do Escritório de Orçamento do
Congresso (CBO) mostra que a dívida
pública americana vai aumentar em US$ 12,4 trilhões entre 2019 e 2028, devendo
alcançar quase 100% do PIB, no final da próxima década.
O
PIB conjunto do grupo RIC (Rússia, Índia e China), em 2017, foi de US$ 36,6
trilhões e o PIB conjunto do G7 (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido,
Itália e Canadá) foi de US$ 38,8 trilhões. Para
2020, o PIB do grupo RIC deve chegar a US$ 46,8 trilhões, contra US$ 43,9
trilhões do G7, segundo dados do FMI (em ppp). Ou seja, os três países
ditos emergentes devem ultrapassar os sete países capitalistas mais avançados
ainda na atual década.
IHU
On-Line: Que tipos de reconfigurações tendem a
ocorrer no mundo caso a ascensão da China e do Oriente vigore?
José Eustáquio
Diniz Alves:
A ascensão da China e dos países aliados do Oriente pode significar o fim do modelo econômico e político do liberalismo
democrático burguês e o fim da ordem internacional fundada a partir da reunião
de Bretton Woods, em 1944. O empresário Klaus Schwab, criador do Fórum Econômico Mundial, em evento
realizado em São Paulo no mês de março de 2018, disse que vê para breve um mundo em que a China assumirá a liderança econômica
global. Muito tempo atrás, o secretário de Estado dos EUA, John Hay, em 1900, já previa que
haveria uma mudança geopolítica estratégica no mundo. Ele disse: “O Mediterrâneo é o oceano do passado. O
Atlântico é o oceano do presente e o Pacífico o oceano do futuro”.
Indubitavelmente, os Estados Unidos e a Europa estão em declínio relativo no
contexto da economia global. Enquanto o governo Trump tenta construir um muro,
separando fisicamente o México e a América Latina dos EUA, a Grã-Bretanha
implementa o Brexit e as forças da direita isolacionista crescem na Europa, a China, sob a liderança de Xi Jinping,
implementa uma integração internacional por meio de uma globalização à moda
chinesa.
Ocidente
x Oriente
O
modelo de Pequim não é exceção na Ásia, pois os Tigres Asiáticos (Coreia do
Sul, Taiwan, Singapura e Hong Kong) já tiveram sucesso neste tipo de estratégia
de desenvolvimento. Atualmente, países como Tailândia, Malásia, Indonésia e
Vietnã também emulam a China e se beneficiam dos investimentos regionais em
infraestrutura. Desta forma, a despeito das especificidades, fica cada vez mais clara a diferenciação
entre os modelos econômico e político do Oeste e do Leste. No primeiro
caso, o Ocidente pode ser definido pela somatória da economia de mercado e da
democracia representativa, enquanto o Oriente
é mais caracterizado pela presença estatal no mercado e pelo autoritarismo na
política. O sucesso de Singapura, de Lee Kuan Yew (1923-2015), tem servido
de inspiração para os outros países asiáticos. A China, por exemplo, governada
por um partido único, costuma ser definida pelos oximoros “socialismo de
mercado” ou “capitalismo de Estado” e não tem se comprometido com os valores da
democracia, próprios dos países liberais.
IHU
On-Line: Na sua avaliação a mudança geopolítica
significará uma mudança na globalização: sairá de cena uma globalização
neoliberal do Consenso de Washington e entrará em cena uma globalização
liderada pela China e o Consenso de Beijing. Quais são as diferenças entre
esses dois tipos de globalização e o que preconizam o Consenso de Washington e
o de Beijing, e qual é a diferença distintiva entre ambos?
José Eustáquio
Diniz Alves:
A queda do Muro de Berlim (1989), a reunificação da Alemanha (1990) e a
dissolução da União Soviética (1991) marcaram o fim de 40 anos de Guerra Fria.
Teve início um período de hegemonia unipolar dos EUA e dos valores econômicos e
políticos do Ocidente. Para o cientista político Francis Fukuyama, estes acontecimentos marcaram a vitória do capitalismo
liberal sobre os regimes de forte intervenção estatal. Utilizando uma linha
teórica desenvolvida por Hegel (1770-1831), Fukuyama escreveu o artigo “O fim da história" (1989), onde
defendeu a ideia de que o capitalismo e a democracia burguesa constituem o
coroamento do progresso civilizatório. Na concepção de Fukuyama, não se trata
do fim da história em termos cronológicos, mas sim da derrocada do “socialismo
real” e da vitória da democracia liberal, que com todas as suas imperfeições,
passou a ser a solução final e mais avançada de governo da história da
humanidade.
Aproveitando
a conjuntura favorável da ideologia do neoliberalismo, algumas instituições sediadas em Washington (FMI, Banco Mundial,
Departamento do Tesouro dos Estados Unidos etc.), buscando aprofundar a influência do capitalismo liberal, apresentaram,
em dezembro de 1989, uma lista de dez pontos com recomendações de política
econômica para os diversos países do mundo. A elaboração do receituário,
conhecido como “Consenso de Washington” ficou a
cargo do economista John Williamson
e pode ser sumarizada no decálogo seguinte:
1.
Disciplina fiscal e baixo déficit público;
2.
Focalização dos gastos públicos em educação, saúde e infraestrutura;
3.
Reforma tributária;
4.
Liberalização financeira;
5.
Taxa de câmbio competitiva;
6.
Liberalização do comércio exterior;
7.
Eliminação de restrições ao capital externo;
8.
Privatização e venda de empresas estatais;
9.
Desregulação das relações trabalhistas;
10.
Defesa da propriedade intelectual.
Sem
dúvida, a globalização neoliberal,
estimulada pelo Consenso de Washington, foi claramente hegemônica no mundo
entre 1989 e 2008 (quando houve a quebra do banco Lehman Brothers e a
grande recessão internacional de 2009).
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JOSHUA RAMO Economista criador da expressão "O Consenso de Beijing" |
Mas
como mostram os dados já apresentados, os países do grupo RIC tiveram um melhor
desempenho econômico na retomada da crise e devem ultrapassar o G7, em tamanho
do PIB, até 2020. O sucesso, especialmente da China, foi adotar um outro
caminho diferente do Consenso de Washington, que o economista Joshua Ramo definiu como “The Beijing Consensus”, em 2004.
O “Consenso de Beijing”
reúne as seguintes características:
1.
Promoção das economias em que a propriedade estatal continua tendo um peso
dominante;
2.
Promoção de câmbio competitivo, com mudanças graduais para evitar choques e
controle cambial para escapar da especulação predatória;
3.
Políticas de promoção das exportações (“Export-led growth”) com proteção da
indústria local e dos setores estratégicos do país;
4.
Reformas de mercado, mas com controle das instituições políticas e culturais;
5.
Centralização das decisões políticas e das estratégias de projeção nacional.
Desta
forma, o Consenso de Beijing tem sido
referência não só para a China, mas também para a Rússia, a Turquia, o Cazaquistão,
as Filipinas etc.
A Índia, de Narendra Modi, embora seja considerada a maior democracia do mundo,
também flerta com vários aspectos do modelo de Beijing.
IHU
On-Line: O que mudaria na globalização com a
ascensão do Consenso de Beijing? O que o mundo ganha ou perde com essa mudança?
José Eustáquio
Diniz Alves:
A ascensão da China, desde as reformas de Deng Xiaoping, no final da década de
1970, viabilizou a retirada de 1 bilhão de chineses da situação de extrema
pobreza. Os outros países da região buscam repetir o sucesso chinês nesta área
e para isto contam com o avanço do comércio internacional. Todavia, com a saída
da Parceria Transpacífico, a adoção
de medidas protecionistas e a utilização de tarifas, o governo Trump tem
irritado os países asiáticos e tem perdido espaço na sua esfera de influência.
Em
contrapartida, a China trabalha agressivamente para preencher o vácuo. A
iniciativa “Um Cinturão, Uma rota” (One Belt One Road, ou OBOR) — que é considerada a maior façanha de
infraestrutura da história da humanidade — pretende ser um instrumento para acelerar o crescimento
econômico da Eurásia, gerando milhões de empregos, o que possibilitaria o
aumento da classe média asiática. A China busca interligar a Eurásia de uma
forma nunca vista e com oportunidade de negócios que deslumbra as diversas
nações. Os cerca de 5 bilhões de
habitantes da região sairiam ganhando economicamente.
Impacto
ecológico do modelo chinês
Contudo,
o impacto ecológico será enorme e,
com toda certeza, o meio ambiente sairá
perdendo. O Presidente Xi Jinping tem feito um discurso tentando minimizar
os efeitos ambientalmente negativos da iniciativa “Um Cinturão, Uma rota” (One Belt One Road, ou OBOR) e, em várias
ocasiões, tem repetido: “devemos buscar a
nova visão do desenvolvimento verde e um modo de vida e trabalho que seja
verde, de baixo carbono, circular e sustentável. Devem ser feitos esforços para
fortalecer a cooperação em proteção ecológica e ambiental e construir um
ecossistema sólido, de modo a atingir as metas estabelecidas pela Agenda 2030
da ONU para o Desenvolvimento Sustentável”.
Mas
os críticos consideram que as melhores
práticas ambientais não serão adotadas, devido à falta de transparência e ao
baixo compromisso democrático dos desenvolvedores dos projetos. Na China é
comum se adotar o conceito “poluir primeiro, controlar
depois”. O maior risco de uma iniciativa tão grandiosa é a proliferação
de tecnologias sujas e destrutivas, como carvão, grandes hidrelétricas,
desmatamento florestal, uso de recursos hídricos escassos, fragmentação das
paisagens naturais, perda de biodiversidade etc. Devem aumentar os conflitos socioambientais.
IHU
On-Line: Acerca da ascensão do Oriente, o senhor já
disse que existem oportunidades e riscos nesse processo. Poderia nos dar alguns
exemplos tanto das oportunidades quanto dos riscos?
José Eustáquio
Diniz Alves:
Existem oportunidades advindas do processo de desenvolvimento e da melhoria das
condições de vida dos cerca de 5 bilhões de habitantes da Eurásia e existem os
riscos ecológicos e socioambientais.
Conflito
bélico
Mas
as maiores ameaças surgem da
possibilidade de um conflito bélico entre as superpotências. O escritor e
professor da Universidade de Harvard, Graham T. Allison, no livro, “Destined for War: Can America and China
Escape Thucydides’s Trap?” [tradução livre: Destinados à guerra: América e China podem escapar da armadilha de
Tucídides?], aponta para a
possibilidade de uma guerra entre os EUA e a China. O motivo é a “Armadilha de Tucídides”, que se refere a um padrão de estresse estrutural que resulta do movimento
provocado pelo choque entre um poder ascendente e o poder hegemônico
descendente. Para o professor, esse fenômeno é tão antigo quanto a própria
história. Ele explica que na Guerra do
Peloponeso (que devastou a Grécia antiga entre os anos de 431 e 404 a.C.)
foi a ascensão de Atenas e o medo que isso incutiu em Esparta que tornou a
guerra inevitável. Nos últimos séculos,
essas condições de mudanças de hegemonia ocorreram
dezesseis vezes, sendo que, em doze delas, estourou uma guerra. Para o
autor, as condições atuais estão dadas para gerar um conflito bélico entre os
EUA e a China.
Embora,
o encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un em Singapura tenha contribuído para
aliviar as tensões nucleares, os EUA
continuam uma potência militar dominante no mundo e tiveram despesa militar de
U$ 611 bilhões em 2016, enquanto a China é o país que apresenta as maiores
taxas de aumento nos investimentos bélicos, internos e externos, tendo
contabilizado despesas militares de US$ 215 bilhões em 2016. Em terceiro
lugar vem a Rússia com despesas de US$ 69 bilhões, segundo o Stockholm International Peace Research
Institute. Estes três países foram
responsáveis por 53% do gasto militar mundial. Se houvesse desarmamento, o
mundo seria outro caso estes recursos fossem usados para a guerra contra a
pobreza e pela regeneração ecológica, ao invés de aumentar os arsenais de
destruição em massa de vidas humanas e não humanas.
Portanto,
a ascensão da Ásia e a emergência do processo de Orientalização do mundo, sob
liderança chinesa, pode não ocorrer de maneira pacífica diante do declínio
relativo dos EUA e do Ocidente. Infelizmente,
a Armadilha de Tucídides é como uma espada de Dâmocles suspensa sobre a ordem
internacional e a possibilidade de paz mundial.
IHU
On-Line: Deseja acrescentar algo?
José Eustáquio
Diniz Alves:
Apenas dizer que Francis Fukuyama estava
errado, pois a ordem democrática liberal e de mercado parece não ser a forma de
organização político-econômica mais evoluída e superior do mundo, nem
representa o fim da história. A hegemonia ocidental que foi construída a
partir da 1ª Revolução Industrial e Energética, há 250 anos, está cedendo
espaço para uma hegemonia oriental menos liberal, menos democrática e menos
apoiada no mercado.
Surpreendentemente, este
processo está sendo acelerado pelas atitudes do atual presidente dos EUA, que
passou a maior parte de seu período de ano e meio no poder:
* rasgando acordos
multilaterais,
* desestabilizando as
organizações internacionais,
* impondo penalidades
comerciais a aliados,
* fraquejando diante de
antigos inimigos ditatoriais,
* ameaçando o relacionamento
com a China construído desde os tempos do presidente Nixon e
* perturbando a ordem
diplomática global construída, com muito esforço, sobre os escombros da Segunda
Guerra.
Para
completar, a democracia liberal está em
retrocesso em todo o mundo atualmente e ganham força líderes autocráticos com Vladimir Putin e Xi Jinping,
enquanto Donald Trump aumenta os gastos militares dos EUA.
Existe
alguma esperança de que a mudança de hegemonia entre o Ocidente e o Oriente
possa ocorrer de forma mais ou menos pacífica, embora não seja improvável
ocorrer a Armadilha de Tucídides, num contexto de conflito nuclear entre a
potência emergente e a potência descendente. Se a governança global não for
capaz de apresentar soluções para o complexo quadro das relações internacionais
e a deterioração das condições sociais e ambientais, pode ser que, de fato,
ocorra o fim da história, em sua forma trágica, juntamente com o fim da
civilização humana.
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