Alucinação pura!
Miragem conservadora
produz
«gramscismo de
direita»
Pablo Ortellado
Professor do curso de gestão de políticas públicas da USP, é doutor
em filosofia
Fantasma
do “marxismo cultural” autoriza aparelhamento, perseguições
e
doutrinação de direita
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PROFESSOR PABLO ORTELLADO |
Bolsonaro resolveu retomar o
papel de agitador das mídias sociais. Nos últimos dias criticou excessos
no Carnaval, atacou jornalistas e acusou a universidade de fazer proselitismo
político. A agitação faz parte de uma estratégia de mobilização permanente,
que não deixa seus apoiadores pararem para refletir, submetendo-os a um
fluxo constante de propaganda.
O que há de comum na
estratégia contra a comunidade LGBT no Carnaval, os jornalistas que apuram
corrupção no seu governo e os acadêmicos que lecionam na universidade é que, para
o bolsonarismo, todos são extremistas em relação aos quais seu
conservadorismo seria um centro sensato e equilibrado.
[Comentário pessoal:
Alguém consegue, ainda, enxergar bom senso e equilíbrio neste homem??? Com
tantos problemas que o nosso país possui, gastar tempo produzindo polêmicas, dando
uma de “guardião da moral e dos bons costumes”, alguém que já se encontra no
terceiro matrimônio! Um pai que educou seus filhos para serem arrogantes, prepotentes,
assim como ele! Isso tudo somente tem um objetivo: desviar o foco!
Desviar a atenção do povo brasileiro da inércia, da incompetência, da falta
de ação e projetos autênticos de seu governo!!!
Enquanto isso, o povo brasileiro vai
convivendo com: Brumadinho, enchentes em São Paulo e Rio de Janeiro,
inflação voltando, remédios faltando na Farmácia Popular, desemprego
aumentando, economia ainda estagnada etc. etc. etc.]
Há uma estratégia dupla de
exorbitar e sobrerrepresentar o viés de adversário, enquanto minimiza ou simplesmente faz desaparecer o
próprio viés.
O que para a liderança é
estratégia má intencionada para gerar alvoroço e confusão, para a base se torna
uma espécie de psicose coletiva na qual o consumo excessivo de
propaganda faz com que as representações se descolem do real.
Jornalistas tornam-se oposicionistas mal-intencionados que querem
derrubar o governo; professores viram propagandistas maliciosos que
querem doutrinar a juventude com socialismo e o movimento LGBT e as
feministas surgem como ativistas histéricos que querem mudar a identidade e
a orientação sexual das crianças.
O caráter ardiloso e
insidioso do adversário justificaria a virulência da resposta.
Embora a tese de que
professores, ativistas e jornalistas participam de uma conspiração «marxista
cultural» seja completamente alucinada, sua resposta é real e concreta. Não
existe uma estratégia coordenada da esquerda para aparelhar as instituições,
mas a crença de que essa conspiração existe gera uma reação que poderíamos
chamar, com alguma ironia, de «gramscismo de direita».
Aquilo
que acusam os outros de fazerem, eles fazem
A nova direita no poder
passa a praticar o aparelhamento, as perseguições
e a doutrinação que atribuía à esquerda. Ela alega, no entanto, que se
trata de uma atitude meramente defensiva e que não está fazendo o que condenava
no adversário, com sinais invertidos.
Apesar disso, persegue
professores de filosofia que ensinam Marx, mas não se importa com aqueles que
ensinam religião (desde que sejam cristãos); acusa de partidarismo
jornalistas qualificados que investigam corrupção, mas considera neutros e
equilibrados sites de notícias amadores e hiperengajados.
Construída em oposição ao
fantasma da conspiração marxista, sua visão de mundo é portadora de uma distopia
totalitária.
[Comentário pessoal:
onde mais se vê isso, de modo concreto no governo, é no Ministério das Relações
Exteriores, cujo ministro Ernesto Araújo, até hoje, não provou para o
que veio! Perseguindo e demitindo diplomatas não alinhados à sua ideologia, bem como, dando declarações totalmente desnecessárias
e prejudiciais à verdadeira diplomacia que necessitamos para o Brasil. Outro
caso escandaloso, é o ministro da Educação, o colombiano Ricardo
Vélez Rodríguez. O qual está no governo por escolha pessoal de um dos
filhos de Bolsonaro com o qual compartilha o fato de serem discípulos de um
falso “intelectual” chamado Olavo de Carvalho. Um brasileiro que enxerga o
Brasil através das lentes e ideologia norte-americana. Aliás, ele nem quer
viver no Brasil, apesar de dizer que “ama” muito o nosso país! Deve ser um
típico “amor platônico”, pelo visto! Até hoje, o Ministério da Educação não
tomou nenhuma providência no sentido de melhorar o ensino público neste
país, motivo pelo qual existe este ministério pago com o nosso dinheiro!]
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