15 de março
A greve global dos adolescentes pelo
clima
Luiz Marques
Professor
livre-docente do Departamento de História do IFCH /Unicamp
Jornal
da Unicamp
13-03-2019
Já que os adultos não se movem,
movem-se os adolescentes e jovens
na luta para salvar o Planeta da irresponsabilidade de
empresários, governantes e tantas pessoas
apáticas e céticas a respeito das mudanças climáticas
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ADOLESCENTES SAÍRAM ÀS RUAS, HOJE, PARA EXIGIR PROVIDÊNCIAS EM RAZÃO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS DA TERRA |
Esse movimento é o ponto
de luz no cenário de chumbo em que estamos. Ele se insurge contra a apatia
ou mesmo a cumplicidade dos adultos no que se refere à aceleração em curso das mudanças climáticas. No âmbito desse
movimento, que vem crescendo e que esperamos cresça cada vez mais, ocorrerá no dia 15 de março,
sexta-feira, uma greve global dos adolescentes pelo clima. Também os
estudantes brasileiros começam agora a se mobilizar. Quando escrevi o artigo,
há apenas 2 dias, a adesão dos estudantes brasileiros ainda era baixa (apenas 8
eventos previstos no Brasil todo). Hoje são muitas dezenas e vamos trabalhar
para que se tornem centenas ou milhares.
O papel da Universidade aqui é muito importante. A Universidade tem o grande mérito de ter
alertado e continuar alertando a sociedade sobre os riscos crescentes das
mudanças climáticas. Mas esse mérito só faz aumentar a necessidade, para
seus membros e para a própria instituição, de sair de suas zonas de conforto, de interconectar seus nichos de
especialidade e assumir as responsabilidades éticas e políticas de seu saber.
É nosso dever como cidadãos adultos e, em especial, como
membros dessa comunidade universitária, aí incluídos estudantes e funcionários,
apoiar ativamente essa greve. Ela não é
apenas dos adolescentes. É de todos nós. Por que não reservar um momento
para discuti-la em classe e demais espaços universitários nesta próxima
sexta-feira? Fica a sugestão.
A greve global dos adolescentes pelo
clima
Em outubro de 2018, o IPCC [= Intergovernmental Panel on Climate Change, traduzindo: Painel Intergovernamental sobre Mudanças
Climáticas] publicou seu Special Report on Global Warming of
1.5oC. O propósito principal desse relatório é comparar os diferentes impactos de um
aquecimento médio global de 1,5oC e de 2oC acima do
período pré-industrial. Ele mostra que um aquecimento médio global de 1,5oC
é já terrivelmente ameaçador para o funcionamento elementar das sociedades
contemporâneas. Para se conservar uma
chance razoável de não ultrapassar essa primeira barreira, as emissões de CO2
precisam cair pela metade a cada década, de modo que as emissões líquidas de CO2
devem zerar até 2050. Além disso, após essa data, precisaríamos ter
tecnologia para iniciar “emissões negativas” em grande escala, ou seja, retirar
da atmosfera algo como 12 bilhões de toneladas de CO2 por ano até
2100, uma quantidade maior que as emissões anuais da China.[1] Dado que as emissões de gases de efeito
estufa estão ainda crescendo e continuarão a crescer num futuro discernível, o
Relatório de 2018 conclui ex silentio
que a porta de acesso para se manter o aquecimento em 1,5oC está
fechada. Ainda que formulado em surdina, há aqui um chamado à ação emergencial contra as mudanças
climáticas que nada tem de conservador. Brian Hoskins, do Imperial College de Londres, bem resumiu
essa mensagem do IPCC: “Não temos evidência de que um aquecimento de 1,9oC é
algo com que se possa lidar facilmente, e 2,1oC é um desastre.”[2] De fato, já em 2009, os cientistas do RealClimate afirmavam que um aquecimento
médio global de 2oC “deixará a Terra mais quente do que o foi em
milhões de anos”,[3] uma temperatura portanto jamais experimentada pelos
humanos e a fortiori pela agricultura
e pela civilização florescida ao longo dos 11.700 anos de estabilidade
climática do Holoceno.
As dinâmicas atuais de aquecimento são únicas na história
conhecida do clima planetário. Um artigo publicado na revista ESD (Earth System Dynamics) em 2018 constata:
“O sistema Terra está atualmente em um
estado de rápido aquecimento, sem precedentes mesmo nos registros geológicos”.[4] Tal rapidez
é, de fato, fulminante e nada tem a ver com aquecimentos em épocas geológicas
anteriores, que evoluíam em escalas de tempo de milênios: cada década desde a de 1970 foi claramente mais quente que a década precedente[5]. Desde os anos 1980, o aquecimento global
entrou em aceleração. E justamente porque se trata de uma aceleração, já no segundo decênio do século XXI, em
particular desde 2014, o aquecimento verdadeiramente decolou. O gráfico da Figura 1 mostra a evolução não linear do ritmo do
aquecimento. Ele compara a taxa média de aquecimento entre o período 1970-2014 (+0,17oC
por década) com o aquecimento de 0,43oC da última década (2008-2017), em relação ao período
1951-1990. O ritmo do aquecimento
multiplicou-se por 2,5 na comparação entre esses dois períodos.
Nada indica
que o ritmo atual do aquecimento planetário (0,43oC por década)
diminuirá a partir de 2020. Ao contrário. Por
causa, sobretudo, da crescente queima de combustíveis
fósseis e do desmatamento, mais e mais CO2 e outros gases de
efeito estufa (GEE) estão se concentrando na atmosfera; e enquanto o
aumento dessas concentrações persistir, o planeta inevitavelmente continuará se
aquecendo. Segundo Michael E. Mann, “para
não se ultrapassar o limiar de aquecimento de 2oC, os níveis de CO2
na atmosfera devem-se manter abaixo de 405 partes por milhão (ppm)”.[6] As
concentrações atmosféricas de CO2 estavam em fevereiro de 2019 em
411 ppm, contra 280 ppm no século XIX e 400 ppm atingidos pela primeira vez em
2013. Elas estão subindo cada vez mais
rapidamente, nos últimos anos à taxa de 3 ppm por ano. Em 2013, essas
concentrações já estavam mais altas do que haviam sido, pelo menos, nos últimos
800 mil anos. Há 800 mil anos, o Homo sapiens sequer existia.[7]
O decênio
em curso (2014-2023) será o mais quente dos registros históricos. Até 2023,
o aquecimento médio global pode ultrapassar pela primeira vez, na média anual,
1,5oC acima do período pré-industrial, isto é, o patamar de
aquecimento que o Acordo de Paris, de 2015, almejava não ultrapassar. O MET Office, a agência britânica
encarregada de monitorar a meteorologia e o clima,[8] prevê com 95%
de confiança para 2019-2023 um aquecimento do planeta, na média anual, entre
1,03oC e 1,57oC acima do período pré-industrial, como
mostra a Figura 2.
Os adolescentes reagem
Os que
estão hoje no poder – nomeadamente as corporações e seus governos – denegam a realidade que se escancara nos
dados acima referidos e não se importam, na prática, com o mundo terrivelmente
hostil que estão legando aos seus e nossos filhos. Mas as crianças e
adolescentes se importam. E com toda a razão. Em primeiro lugar porque as bombas climáticas de 1,5oC –
2oC vão explodir nas mãos deles, e isso não deve correr num
longínquo e abstrato final do século, mas, segundo projeções convergentes, provavelmente entre 2025 e 2040. Em
segundo lugar, porque, como afirmou Greta
Thunberg, uma sueca de 16 anos, alguém tem que assumir a posição de adulto, quando os
adultos agem como crianças. Em dezembro passado, na COP24, na
Polônia, Greta, descendente de Svante Arrhenius (Prêmio Nobel de química em
1903 e um dos pais da ciência das mudanças climáticas), declarou aos delegados,
num discurso de enorme impacto:
“Vocês
sempre falam em seguir adiante com as mesmas más ideias que nos criaram essa
confusão, mesmo quando a única coisa
sensata a fazer é puxar o freio de emergência. Vocês não são
suficientemente maduros para dizer as coisas tais como elas são. Mesmo esse
fardo, vocês deixam para nós, crianças. (…) Nossa civilização está sendo sacrificada para que uma pequena minoria
continue a ganhar enormes quantidades de dinheiro. Nossa biosfera está
sendo sacrificada para que os ricos em países como o meu possam viver no luxo. É o sofrimento da maioria que paga pelo
luxo de poucos. (…) Vocês dizem que amam seus filhos acima de tudo, mas estão roubando seu futuro bem diante de
seus olhos. Enquanto vocês não puserem o foco no que é necessário fazer, e
não no que é politicamente possível, não há esperança. Não se pode resolver uma crise sem a tratar como uma crise.
Precisamos manter os combustíveis fósseis no subsolo e precisamos focar em
equidade. E se soluções dentro deste
sistema são tão difíceis de encontrar, talvez devamos mudar o próprio sistema.
Não viemos aqui para implorar aos líderes do planeta para que se importem. Vocês nos ignoraram no passado e nos
ignorarão de novo. Não estamos mais no tempo das desculpas e não temos mais
tempo. Viemos aqui para lhes dizer que, gostem ou não, a mudança está chegando. O poder real pertence ao povo. Obrigada.”
E em janeiro de 2019, aos milionários e bilionários em seu “retiro espiritual” de Davos, Greta
declarou: [9]
“Em lugares como Davos,
as pessoas gostam de contar histórias de sucesso. Mas seus sucessos vieram com preços impensáveis. E no que se refere
às mudanças climáticas, temos que reconhecer que fracassamos. Todos os
movimentos políticos em sua forma atual fracassaram. E a mídia fracassou em
criar uma ampla preocupação a respeito. Mas o Homo sapiens não fracassou ainda.
Sim, estamos fracassando, mas ainda há
tempo para virar o jogo. Ainda podemos consertar isso. As coisas ainda estão em nossas mãos. Agora é tempo de dizê-lo
claramente. Resolver
a questão climática é o mais complexo desafio com que o Homo sapiens já se confrontou. A solução principal,
entretanto, é tão simples, que mesmo uma criança pode entendê-la: temos que cessar as emissões de gases de
efeito estufa. E ou bem fazemos isso, ou não. Vocês dizem que nada na vida
é preto ou branco. Mas isso é mentira. Uma mentira muito perigosa. Ou evitamos um aquecimento de 1,5oC,
ou não. Ou evitamos desencadear uma
irreversível reação em cadeia além do controle humano, ou não evitamos. Ou
escolhemos manter a civilização, ou não. Isso é perfeitamente preto ou branco. Precisamos mudar quase tudo em nossas
sociedades atuais. Os adultos costumam dizer: ‘Temos o dever de dar
esperança aos jovens’. Eu não quero a sua esperança. Eu não os quero esperançosos. Eu os quero em pânico. Quero que
sintam o medo que eu sinto todos os dias. E
então quero que ajam. Quero que ajam como numa crise. Quero que ajam como
se a casa estivesse em chamas. Porque ela está.”
Não era possível resumir essas longas citações, porque tudo o que Greta Thunberg diz é essencial e
nenhum adulto consegue dizê-lo melhor que ela. Por isso, num de seus
admiráveis artigos, Eliane Brum fez suas, as palavras de Greta:
“num planeta governado por adultos infantilizados como Trump e Bolsonaro,
meninas de diferentes países lideram uma rebelião pelo clima e marcam uma greve
global de estudantes para 15 de março”.[10]
Uma greve global de adolescentes
Sim, a ótima notícia nesse cenário de chumbo é que, apesar
dos adultos, há forças vitais que começam a se ocupar do planeta. Os adolescentes puseram-se em marcha, vêm fazendo
desde novembro manifestações crescentes e marcaram uma greve global para a
próxima sexta-feira, dia 15 de março, em protesto contra a cumplicidade ou
omissão dos adultos no que se refere à crise climática. Haverá doravante novas
manifestações, não apenas na forma de greves, em outras sextas-feiras. A
Theresa May, Primeira-Ministra do Reino Unido, que diz lamentar que os
estudantes percam “horas de aula”, Greta respondeu: “os políticos, por sua inação, perderam 30 anos, é um pouco pior”.[11] E os grevistas
levantam um cartaz com o seguinte recado aos adultos que se tomam por sábios: “Farei a minha lição de casa quando você
fizer a sua”.[12] Os adolescentes contam com o apoio de muitos de seus
professores. Patrick Lancksweerdt, diretor de uma escola de Bruxelas, declarou
ao jornal De Standaard, “a educação tem que tornar os jovens em
adultos. Por suas ações, eles provaram que o são”.[13] Na Bélgica, nada menos que 3.000 cientistas
assinaram uma carta aberta em apoio aos estudantes.[14] Na Holanda,
350 cientistas firmaram outra carta aberta: “Tomando por base os fatos
fornecidos pela ciência, os que se
manifestam estão certos. Tal é a razão por que nós, cientistas, os apoiamos”.
Também na Inglaterra, 224 acadêmicos entre os mais eminentes das Universidades
britânicas manifestaram seu “completo apoio aos estudantes”: “Eles têm todo o direito de estarem em
cólera pelo futuro que lhes legaremos, se ações urgentes e proporcionais não
forem tomadas”.[15]
O site FridaysForFuture.org traz
uma tabela dos eventos de protesto
desse movimento: ao todo são 1.226 em 90
países. Há 1.018 protestos em preparação em 86 países, sendo que 957
ocorrerão na greve global de 15 de Março em 82 países.
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Fonte: https://www.fridaysforfuture.org/events/list |
Infelizmente,
poucos ainda ouviram falar disso no Brasil. Entre nós, o registro do FridaysForFuture (FFF) mostra apenas 8 eventos de protesto relacionados
com a greve global de 15 de Março. Num artigo da Folha de S. Paulo, Marcelo Leite se indaga: “Por que estudantes brasileiros não fazem greve pelo clima?”. “Por
aqui”, constata ele, “a moçada anda meio quieta”.[16] Sim, está na
hora do Brasil educar os seus jovens. O Movimento
Mapa Educação, desenvolvido por Tabata Amaral, Renan Ferreirinha e Lígia
Stocche, é uma iniciativa fundamental para despertar nos jovens a percepção de
que a educação é um direito deles e que os jovens são parte essencial e
indispensável das soluções.[17] É preciso
aproximar os jovens da ciência. Educação
científica é, antes de mais nada, entender que:
* não podemos viver sem florestas e que é preciso defender a cobertura vegetal da
Amazônia, do Cerrado, da Caatinga e dos demais biomas brasileiros, devastados pelo agronegócio.
* Educação científica é entender que não
podemos viver sem os polinizadores e que é preciso defender as abelhas e outras
espécies, além de nossa própria saúde, dos agrotóxicos.
* Educação
científica é também entender que os rios
devem ser defendidos da devastação operada pela mineração, que destrói
paisagens e mata as pessoas em sua busca inescrupulosa de lucro.
Está mais que na hora do Brasil inteiro acordar. E os jovens, adolescentes e universitários
(onde estão esses últimos?) têm um papel fundamental nesse penoso, mas
impreterível sobressalto. Precisamos
deles para nos sacudir de nossa arrogância e de nossa abulia.
Os líderes dessa greve internacional de adolescentes sabem,
melhor que ninguém, explicar as razões de seu movimento. A palavra está, mais
uma vez, com eles.
Carta-aberta do Grupo de coordenação
global da
greve climática do dia 15 de março
liderada pelos jovens (1/III/2019): [18]
“Nós, os jovens, estamos profundamente preocupados com o
nosso futuro. A humanidade está agora
causando a sexta extinção em massa de espécies e o sistema climático global
está na iminência de uma crise catastrófica. Seus impactos devastadores já
estão sendo sentidos por milhões de pessoas no mundo todo. E, entretanto, estamos longe de atingir os objetivos do
Acordo de Paris.
Os jovens
representam mais de metade da população global. Nossa
geração cresceu com a crise climática e teremos que lidar com isso pelo resto
de nossas vidas. Apesar disso, a maioria de nós não está incluída nos processos
locais e globais de tomadas de decisão. Somos
o futuro privado de voz da humanidade.
Não aceitaremos mais essa injustiça. Exigimos justiça para todas as vítimas passadas, atuais e futuras da
crise climática, e por isso estamos nos levantando. Milhares de nós saíram
às ruas nas últimas semanas em todo o mundo. Agora faremos nossas vozes serem ouvidas.
No dia 15 de março, protestaremos em
todos os continentes.
Precisamos, enfim, tratar
a crise climática como uma crise. É a maior ameaça na história da
humanidade e não aceitaremos a inação dos tomadores de decisão do mundo que
ameaça toda a nossa civilização. Não
aceitaremos uma vida com medo e devastação. Temos o direito de viver nossos
sonhos e esperanças. A mudança climática já está acontecendo. As pessoas
morreram, estão morrendo e vão morrer por causa disso, mas podemos e vamos
parar com essa loucura.
Nós, os
jovens, começamos a nos mover. Vamos mudar o destino da humanidade, quer vocês
gostem ou não. Unidos vamos nos levantar até obtermos justiça climática.
Exigimos que os tomadores de decisão
do mundo assumam responsabilidade e
resolvam essa crise.
Vocês nos falharam no passado. Se continuarem a fazê-lo no
futuro, nós, os jovens, faremos a mudança acontecer por nós mesmos. A juventude
deste mundo começou a agir e nosso movimento será sem repouso.
O movimento dos jovens pelo clima é, sem sombra de dúvida, o
fato central da atualidade em escala global. Quando tudo parecia entregue aos
indiferentes ou aos que negam ou tergiversam ou se perdem em distinguos sobre a gravidade extrema da
casa em chamas, os jovens chegam para interromper a flauta de Hamelin em que
nos embalamos. Como afirmou um ativista veterano como Bill McKibben, autor do
clássico The end of nature (1989) e
fundador em 2007 do movimento 350.org:
“O movimento que Greta desencadeou é uma das coisas mais esperançosas
acontecidas em meus 30 anos de trabalho sobre a questão climática. Ele lança o
desafio geracional do aquecimento global, conferindo-lhe sua mais aguda
expressão, e desafia os adultos a provarem que são, de fato, adultos.”[19]
Ao invés de apenas nos envergonharmos de nossas receitinhas
inócuas de “sustentabilidade”, ao invés de continuarmos em nossa posição de
mercadores de falsas esperanças, é sempre tempo de receber uma lição de
realidade e, com todas as nossas forças, apoiar ativamente essa mobilização
científica e política. Ela é também da Universidade. Ela é de todos nós.
REFERÊNCIAS
[1] Cf. Dominic Lenzi et al., “Don’t deploy negative emissions
without an ethical analysis”. Nature,
19/IX/2018.
[2] Citado por Andrew Simms, “A cat in hell’s chance – why
we’re losing the battle to keep global warming below 2C”, The Guardian, 19/I/2017: “We have no evidence that a 1.9C rise is
something we can easily cope with, and 2.1 is a disaster.”
[3] O RealClimate é
um blog criado em 2004 por eminentes climatologistas como Gavin Schmidt,
Michael Mann, Raymond Bradley, Caspar Ammann, entre outros. Cf. “Hit the breaks
hard”, 29/IV/2009: “Global warming of 2°C would leave the Earth warmer than it
has been in millions of years”.
[4] Cf. M. Aengenheyster, Q.Y. Feng, F. van der Ploeg &
H.A. Dijkstra, “The point of no return for climate action: effects of climate
uncertainty and risk tolerance, Earth
System Dynamics, 9, 2018, pp. 1085-1095: “The Earth system is currently in
a state of rapid warming that is unprecedented even in geological records.”
[5] Cf. Climate Change: A
Summary of the Science, Royal Academy, 2010: “Each decade since the 1970s
has been clearly warmer than the one immediately preceding”.
[6] Cf. Michael E. Mann, “Earth Will Cross the Climate Danger
Threshold by 2036”. Scientific American,
1/IV/2014.
[7] Cf. Andrew Freedman, “The Last Time CO2 Was This High,
Humans Didn’t Exist”. Climate Central,
3/V/2013: “There is no single, agreed-upon answer to those questions as studies
show a wide date range from between 800,000 to 15 million years ago.”
[8] Cf. MET Office, “Forecast suggests Earth’s warmest period
on record”, 6/II/2019.
[10] Cf. Eliane Brum, “As crianças tomam conta do mundo”. El País Brasil, 27/II/2019.
[11] Cf. Amélie Bottollier Depois, “Adolescente provoca greves
pelo mundo às sextas-feiras” Folha de S.
Paulo, 20/II/2019.
[12] Cf. Frédéric Simon, “Scientists tell Belgian school kids on
climate strike: ‘You are right”. Euractiv,
1/II/2019.
[13] Cf. “Brussels climate protest: More than 10,000 children
skip school to join demonstration in Belgian capital”. The Independent, 17/I/2019.
[14] Cf. Frédéric Simon, “Scientists tell Belgian school kids on
climate strike: ‘You are right”. Euractiv,
1/II/2019.
[15] Cf. “School climate strike children’s brave stand has our
support”. The Guardian, 13/II/2019.
[16] Cf. Marcelo Leite, “Por que estudantes brasileiros não
fazem greve pelo clima?” Folha de S.
Paulo, 25/II/2019.
[17] Cf. Fábio Takahashi, “Três jovens criam movimento por
educação de qualidade e protagonismo”. Folha
de S. Paulo, 7/XI/2017.
[18] We, the young, are deeply concerned about our future.
Humanity is currently causing the sixth mass extinction of species and the
global climate system is at the brink of a catastrophic crisis. Its devastating
impacts are already felt by millions of people around the globe. Yet we are far
from reaching the goals of the Paris agreement. Young people make up more than
half of the global population. Our generation grew up with the climate crisis
and we will have to deal with it for the rest of our lives. Despite that fact,
most of us are not included in the local and global decision-making process. We
are the voiceless future of humanity. We will no longer accept this injustice.
We demand justice for all past, current and future victims of the climate
crisis, and so we are rising up. Thousands of us have taken to the streets in
the past weeks all around the world. Now we will make our voices heard. On 15
March, we will protest on every continent. We finally need to treat the climate
crisis as a crisis. It is the biggest threat in human history and we will not
accept the world’s decision-makers’ inaction that threatens our entire
civilization. We will not accept a life in fear and devastation. We have the
right to live our dreams and hopes. Climate change is already happening. People
did die, are dying and will die because of it, but we can and will stop this
madness. We, the young, have started to move. We are going to change the fate
of humanity, whether you like it or not. United we will rise until we see
climate justice. We demand the world’s decision-makers take responsibility and
solve this crisis. You have failed us in the past. If you continue failing us
in the future, we, the young people, will make change happen by ourselves. The
youth of this world has started to move and we will not rest again. (The global
coordination group of the youth-led climate strike). https://www.theguardian.com/environment/2019/mar/01/youth-climate-change-strikers-open-letter-to-world-leaders
[19] Citado por Jonathan Watts, “’The beginning of a great
change’: Greta Thunberg hails school climate strikes”. The Guardian, 15/II/2019: “The movement that Greta launched is one
of the most hopeful things in my 30 years of working on the climate question.
It throws the generational challenge of global warming into its sharpest
relief, and challenges adults to prove they are, actually, adults.”
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