Jovens sem futuro!
Desalento triplica
entre os mais jovens
devido o desemprego
Douglas Gavras
Total
de trabalhadores com até 24 anos que desistiram de procurar emprego saltou de
600 mil, em 2014, para 1,8 milhão no ano passado
O mercado de trabalho após a
crise atingiu em cheio os jovens brasileiros. Além de o desemprego dessa
faixa etária ter batido em 27,2% no fim do ano passado, o número de desalentados,
os que desistiram de buscar emprego, triplicou desde 2014, entre os que têm
até 24 anos. No fim de 2018, mais de 1,76 milhão de jovens estavam nessa
condição.
Os números, da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-Contínua), do IBGE, e
compilados pela consultoria LCA, apontam que o desalento atingia 600 mil
pessoas nessa faixa etária até setembro de 2015. A partir daí, quando a
recessão já tinha se agravado e minado os empregos, os jovens desalentados
subiram para a casa do milhão.
Para o economista Cosmo
Donato, da LCA, o aumento expressivo do desalento entre os brasileiros mais
jovens é um sinal preocupante, porque o trabalhador que está entrando no
mercado seria um dos últimos a desistir de procurar emprego, se a economia estivesse
em uma situação melhor. “Há um número crescente de pessoas que não acredita
que irá encontrar um emprego, por isso desiste até mesmo de procurar.”
[Comentário pessoal:
Isso é um verdadeiro crime! Retirar da juventude a esperança, a crença em um
futuro melhor, em uma realização pessoal... Jovens desmotivados são o terreno
mais fértil para a ociosidade, o acesso ao álcool e às drogas! Estamos desperdiçando
o maior tesouro de uma nação: seus jovens!!! E não adiante, em nada, ficar
buscando os “culpados” pela situação no passado! É preciso iniciar, urgentemente,
uma política de recuperação do emprego, visando, especialmente, os mais jovens.]
Ele lembra que as condições
para os mais jovens no mercado acabam sendo mais difíceis. Se no ano
passado, a desocupação para todos os trabalhadores ficou em 11,6%, a dos jovens
era de 27,2%, mesmo resultado de 2017. Até quando a taxa de desocupação,
antes da crise, estava em 6%, a dos mais jovens não ficou abaixo de 14%.
A paulistana Thaiane
Giovanini, de 18 anos, só queria começar a faculdade. Mas, para cursar
Biomedicina, ela precisa de um emprego. “Fiquei um ano e meio em uma loja,
como menor aprendiz, que era o único tipo de vaga que eles tinham para oferecer.
Depois de completar 18 anos e o contrato acabar, fiquei sem rumo”, conta.
Ela diz que até tem conseguido ser chamada para entrevistas de
emprego nos últimos meses, mas sempre esbarra na falta de experiência e de
formação.
“Parece que estou andando em círculos.
Não me contratam, por não ter continuado estudando,
e não consigo fazer faculdade, por não ter emprego.”
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Sem emprego, Thaiane Giovanini não consegue estudar Foto: Douglas Gavras/Estadão |
“O que aconteceu é que a
crise fragilizou ainda mais esse grupo. A crise atingiu chefes de família,
corroeu a renda das famílias e jogou para o mercado diversas pessoas que antes
poderiam se dar ao luxo de só estudar”, diz Donato. Pela falta de
experiência, eles acabam formando a faixa em que o desemprego mais vai demorar
a cair.
O desalentado gostaria de
trabalhar, mas acha que não vai conseguir um emprego por diversos motivos: pela
idade, pela baixa experiência, pela impressão de que o mercado de trabalho
ainda está muito ruim.
“E tem a questão do custo
de procurar emprego. O jovem tem de gastar com transporte, estar disponível
para bater perna e fazer entrevistas. É uma atividade que demanda tempo e
dinheiro e, se ele não acredita que vai encontrar, acaba nem procurando”,
lembra Daniel Duque, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia, da
Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).
Salário
menor
Além do impacto no desalento,
a renda dos trabalhadores com até 24 anos caiu quase 8% nos últimos quatro anos
– uma perda maior do que a das demais faixas, já considera a inflação, pelo Índice
de Preços ao Consumidor - Amplo (IPCA). Em 2014, antes da recessão e
quando a taxa de desemprego para os jovens era quase a metade do nível atual,
esses trabalhadores ganhavam, em média, R$ 110 a mais do que hoje.
Com a crise, os
trabalhadores mais experientes se viram obrigados a buscar vagas com
remuneração que antes era paga para os iniciantes. Para os mais jovens,
quando a oportunidade aparecia, o salário era ainda menor do que antes, diz
Duque.
“Eu nem espero mais conseguir
um emprego do mesmo nível de quem entrou antes no mercado”, diz Bruno Santos,
de 19 anos. Ele, que trabalhou por dois anos e meio como empregado informal em
um depósito de material de construção. Agora, que terminou o ensino médio,
busca uma oportunidade com a carteira assinada. “Não desisto, mas desanimo a
cada dia.”
Dados do Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados (Caged) ajudam a entender a situação difícil de
quem busca o primeiro emprego. Eles apontam que houve uma queda de 41% no
número de vagas formais abertas para quem nunca tinha trabalhado antes.
Duque lembra que os jovens
que tentam entrar no mercado de trabalho desde 2015 terão mais dificuldade de
se equiparar a quem começou a trabalhar em períodos de economia aquecida. “É
como largar em uma maratona no último pelotão.”
Fonte: O Estado de S.
Paulo – Economia – Sábado, 30 de
março de 2019 – Pág. B4 – Internet: clique aqui.
Em fevereiro, número
de desempregados sobe
e volta a romper
patamar de 13 milhões
Daiane Costa
Taxa
de desemprego ficou em 12,4%.
Quantidade
de pessoas fora da força de trabalho é recorde
No momento em que as
projeções para a expansão da economia brasileira em 2019 são reduzidas e as
sondagens mostram que empresários estão menos dispostos a investir e
contratar, o número de desempregados voltou a romper o patamar dos 13
milhões em fevereiro - desde o trimestre encerrado em maio do ano passado o
desemprego não atingia tantas pessoas. As informações são da Pnad Contínua,
divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira.
A taxa de desemprego ficou
em 12,4% no trimestre encerrado em fevereiro. Nos três meses de setembro a novembro, que servem como base de
comparação, a taxa havia ficado em 11,6% e o desemprego atingido 12,2 milhões
de pessoas. Há um ano, a taxa estava mais alta: era de 12,6%.
A população ocupada,
estimada em 92,1 milhões de pessoas, caiu 1,1% ou menos um milhão em relação ao
trimestre encerrado em novembro. Mas
cresceu no mesmo ritmo na comparação com o trimestre encerrado em fevereiro do
ano passado. Dos trabalhadores ocupados, 39,676
milhões estavam na informalidade. Isso representa 43% do total da
força do trabalho no país.
[Comentário pessoal:
os números acima, sobre a informalidade dos trabalhadores brasileiros revela
algo preocupante: o mercado de trabalho brasileiro está precarizado! É um mercado
incapaz de gerar empregos de boa qualidade, bons salários e carteira assinada,
isto é, empregos onde os direitos do trabalhador sejam respeitados. Desse modo,
é difícil vislumbrar uma real melhoria nas condições de vida da maioria da
população do Brasil.]
Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE,
explica que a alta da taxa já era esperada porque janeiro e fevereiro são dois
meses de dispensa dos trabalhadores temporários contratados no fim do ano
anterior.
Essas dispensas, este ano,
ocorreram igualmente no setor público e no privado. No caso do público, a
maioria das demissões foi de professores que não eram concursados. No setor
privado, houve muitos desligamentos na indústria (-198 mil pessoas
empregadas) em relação ao trimestre encerrado em novembro.
— Tal como a carteira de
trabalho assinada, a indústria é um indicativo da atividade econômica. E
houve dispensa significativa nesse setor,
de trabalhadores homens e de baixa instrução — disse Cimar.
Por outro lado, o único grupo
que cresceu foi o de transportes, alta de 133 mil pessoas em relação a
novembro, puxada pelo setor de transporte de aplicativo, como Uber e Cabify.
— Basta você ter um carro
para poder trabalhar, não disputa vaga com ninguém — explica o coordenador do
IBGE.
Segundo o IBGE, no
trimestre encerrado em fevereiro, um total de 65,7 milhões de pessoas não
estavam trabalhando nem buscando uma vaga. Esse número representa uma alta
de 1,2% de brasileiros nessas condições em relação ao mesmo trimestre de 2018. É um número recorde de pessoas fora da força de trabalho.
A taxa de subutilização da
força foi de 24,6%, outra alta em relação ao trimestre anterior, quando havia
ficado em 23,9%. A população subutilizada, estimada em 27,9 milhões de pessoas,
é recorde para a série histórica da pesquisa, iniciada em 2012.
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