Papa Francisco visita o Chile e o Peru
Parolin: “Será uma viagem complicada”
Carlo Marroni
Jornal
«Il Sole 24 Ore» (Itália)
11-01-2018
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PAPA FRANCISCO Primeira viagem internacional de 2018: Peru e Chile |
Tudo
está pronto para o início da primeira viagem ao exterior de Francisco em 2018,
ao Peru e ao Chile. Bergoglio volta ao continente latino-americano, e chega
perto da sua Argentina, onde, no entanto, ainda não quer ir, porque sabe que
representa um elemento muito forte de "política interna" e adia seu
retorno ao país natal.
«Eu acho que será uma viagem
complicada, mas certamente será emocionante», disse o cardeal secretário de
Estado, Pietro Parolin, ao Vatican News.
De
acordo com Parolin, os desafios são muitos: «Eu mencionarei dois, em especial,
que são muito importantes para o Papa:
1º)
O primeiro é o desafio da população
indígena, dos indígenas: e aqui me refiro também ao Sínodo sobre a Amazônia, que foi convocado pelo Papa recentemente,
a ser realizado em 2019; portanto, qual
é o papel, qual é a contribuição dessas populações dentro de cada país,
dentro das suas sociedades, como podem contribuir também para essas sociedades».
2º)
Depois, Parolin acrescentou, «outro tema
que mexe muito com o Papa e sobre o qual ele retornou com palavras muito
fortes, é o da corrupção, que impede o desenvolvimento e a superação da
pobreza e da miséria».
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Território dos índios Mapuches no sul do Chile Em amarelo localiza-se a área atual que ocupam, em verde piscina, o território que reivindicam |
No centro também a questão dos abusos e a luta
contra a corrupção
Portanto,
uma viagem que abarca algumas questões políticas profundamente presentes
naquelas latitudes, como disse Parolin, inclusive aquela dos povos indígenas,
especialmente dos mapuches do Chile,
que lutam para recuperar territórios. Depois, há a questão dos abusos sexuais. Tanto no Peru como no Chile as revelações sobre os abusos sexuais
cometidos por padres e religiosos católicos estão no centro das atenções.
Ainda ontem, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada anunciou uma
nova administração para o Sodalício de Vida Cristã, com sede
em Lima. Luis Fernando Figari,
leigo, superior da associação religiosa até 2010, foi acusado, juntamente com
outros dirigentes de abuso sexual contra
menores e irregularidades financeiras. No Chile, à comoção causada pelo
escândalo sobre os abusos cometidos pelo padre
Fernando Karadima, influente sacerdote em uma paróquia da elite de Santiago,
somaram-se agora as revelações de outros casos perpetrados pelos irmãos maristas em diversas
instituições sob seu comando no país. Outro tema será o da corrupção e da pobreza, especialmente no Peru, onde o atual chefe
de Estado, Pedro Pablo Kuczynski,
salvou-se recentemente de um impeachment
parlamentar e concedeu um controverso indulto ao seu predecessor Alberto
Fujimori, que cumpria uma sentença de 25 anos de prisão por graves violações
dos direitos humanos.
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LUIS FERNANDO FIGARI Leigo peruano acusado de abusos sexuais no instituto religioso por ele fundado |
O dossiê chileno-boliviano
Finalmente,
um assunto muito delicado, relativo à
reivindicação boliviana de uma abertura para o Oceano Pacífico - uma
disputa territorial centenária, atualmente em análise pelo Tribunal
Internacional de Haia - já causou atrito entre o Vaticano e os governos dos
dois países. Em novembro passado, o embaixador do Chile junto à Santa Sé pediu
que «nenhuma pessoa se pronunciasse sobre o assunto até ser divulgada a decisão
de Haia», depois de Francisco - durante
sua visita à Bolívia, em 2015 - defendeu um «diálogo necessário» entre as
partes, para se chegar a «soluções compartilhadas, razoáveis, justas e
duradouras». Uma declaração que irritou o governo e a população chilena.
Além disso, em dezembro último, após uma audiência no Vaticano, o presidente
boliviano Evo Morales se referiu a um suposto «apoio» do Papa para a posição de
seu país, não confirmado pela Santa Sé.
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PADRE FERNANDO KARADIMA Ex-paróco da Paróquia de El Bosque em Santiago do Chile Acusado de pedofilia |
Traduzido
do italiano por Luisa Rabolini.
Acesse a versão original do artigo, clicando aqui.
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Mapa mostrando zonas de disputa no Chile que a Bolívia reivindica a fim de ter acesso ao Oceano Pacífico e realizar suas exportações e importações |
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