FRANCISCO ENTRE NÓS!
Com aceno a indígenas, papa inicia no Chile
sexta visita à América Latina
SYLVIA COLOMBO
Papa Francisco peregrina uma semana
entre o Chile e o Peru
Visita desafiadora sob vários aspectos
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Homem limpa escultura de mapuche diante de cartaz com o papa Francisco em Temuco, no Chile |
Em sua sexta visita à América Latina, onde já foi a Brasil, Bolívia, Equador,
Paraguai, Cuba, México e Colômbia, o papa Francisco desembarcará nesta
segunda (15 de janeiro) no Chile e seguirá dia 18 para o Peru, onde ficará até
dia 21.
Entre as várias atividades tradicionais, como
encontros com chefes de Estado e missas para multidões, há ao menos duas que
são inusitadas.
No Chile, o
papa se encontrará dia 17, na cidade de Temuco, com representantes da etnia MAPUCHE. A escolha chama a atenção
porque ativistas desse grupo indígena estão em pé de guerra com o Estado tanto
no Chile como na Argentina, realizando atos pacíficos e, em alguns casos,
cometendo atentados para reivindicar
soberania ou terras que julgam lhes terem sido roubadas no século 19.
Já no Peru,
Francisco também vai se reunir com representantes indígenas — entre eles os da Nación Q’ero, considerados descendentes
dos incas — no dia 19, em Puerto Maldonado.
Nenhuma dessas
comunidades é católica — a maior parte da população indígena do continente foi dizimada na
colonização, quando a Igreja Católica atuou ao lado de espanhóis e portugueses.
Segundo o bispo peruano David Martínez
Aguirre, que acompanhará o papa na
visita, a mensagem que o pontífice quer passar é que os indígenas «são minorias que devem ser levadas em conta»,
pois podem trazer «outras direções à
humanidade».
Francisco
também fará referência ao abuso da exploração de recursos naturais na região
Amazônica,
defendendo que aqueles que vivem da
floresta «não devem apostar num benefício
imediato».
A ida a Puerto Maldonado é um primeiro passo
para o planejamento de um Sínodo de
Povos Amazônicos, que o pontífice quer realizar, ainda sem data certa, em
localidades da região que se estende por Colômbia, Brasil e Peru.
Além da defesa dos recursos naturais, a
Igreja se preocupa com a expansão das igrejas evangélicas na região.
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Avião preparado para conduzir Papa Francisco em seus deslocamentos pelo Chile |
POLÍTICA
No dia seguinte ao
seu desembarque em Santiago, o papa se encontrará, no palácio de La Moneda, com
a presidente Michelle Bachelet.
Há expectativa de que ele cite os reiterados pedidos da Bolívia por um
acesso ao mar. Na segunda metade do século 19, depois de uma
guerra com o Chile da qual o Peru também participou, a Bolívia perdeu 400 km de costa e 120 mil km de território.
Os chilenos dizem
que não há volta atrás nessa questão, uma vez que os dois países assinaram um
tratado em 1904 estabelecendo a fronteira como é hoje. Morales, porém, usa a saída ao mar de bandeira e recurso eleitoral.
Há duas semanas, o
papa recebeu o presidente boliviano em Roma e se mostrou solidário à
reivindicação.
Ainda em Santiago, Francisco rezará uma missa no
parque O'Higgins, para cerca de 500 mil pessoas. Também neste dia, visitará
uma prisão feminina na capital chilena. A última atividade no país será a missa
na cidade costeira de Iquique, no
norte.
A visita causou polêmica entre os não católicos, uma vez que o governo
declarou feriado nas cidades por onde o religioso passará.
Pesquisa do instituto Cadem mostra que 54% dos entrevistados se opõem à
declaração de feriado por violar o princípio de que o Estado chileno é laico.
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Praça de Puerto Maldonado - na amazônia peruana, onde Papa Francisco provavelmente se encontrará com indígenas |
PERU
Em Lima, o papa se
encontrará com o presidente Pedro Pablo
Kuczynski e rezará uma missa na base
aérea de Las Palmas, para a qual são
esperadas 1,4 milhão de pessoas.
Além de Puerto
Maldonado e Lima, o pontífice ainda irá, no Peru, a Trujillo, onde igualmente rezará uma missa para 1 milhão de pessoas.
Ali, visitará um
dos bairros atingidos pelas chuvas trazidas pelo fenômeno El Niño, que deixaram
mais de 11 mil famílias locais desabrigadas.
ROTEIRO DO PAPA
CHILE
15/janeiro
Papa chega a Santiago
16/janeiro
Encontra-se com a presidente, celebra missa e visita prisão feminina
17/janeiro
Viaja a Temuco, no centro-sul do país
18/janeiro
Vai a Iquique, no norte, e depois a Lima, no Peru
PERU
18/janeiro
Chegada em Lima
19/janeiro
Encontra-se com o presidente; depois viaja a Puerto Maldonado, perto da
fronteira com o Brasil
20/janeiro
Visita Trujillo, no litoral
21/janeiro
Em Lima, reza última missa antes de voltar para Roma
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