Saiba sobre os Magos na Bíblia
OS MAGOS SEGUNDO O EVANGELHO DE MATEUS
Luiz da Rosa
Uma história que empolga gerações e
mais gerações e que, até hoje,
motiva a fé e a piedade populares
Os “reis” magos são
personagens citados somente por Mateus
(2,1-12), que visitam o menino Jesus, trazendo para eles presentes: ouro,
incenso e mirra. O evangelista não diz quem são e nem o número, mas a tradição
retém que eram três e deu a eles os nomes de Melquior, Baltasar e Gaspar. Esses nomes aparecem no Evangelho Apócrifo Armênio da Infância,
do fim do século VI, no capítulo 5,10.
O texto diz:
Um anjo do Senhor foi depressa ao país
dos persas para avisar aos reis magos e ordenar a eles de ir e adorar o menino
que acabara de nascer. Estes, depois de terem caminhado durante nove meses,
tendo por guia a estrela, chegaram à meta exatamente quando Maria tinha dado à
luz. Precisa-se saber que, naquele tempo, o reino persiano dominava todos os
reis do Oriente, por causa do seu poder e das suas vitórias. Os reis magos eram
três irmãos: Melquior, que reinava sobre os persianos; Baltasar, que era rei
dos indianos, e Gaspar, que dominava no país dos árabes.
Os três reis são chamados de “Magos” não porque fossem expertos na
magia, mas porque tinham grande conhecimento da astrologia. De fato, entres
os persas, se dizia “Mago” aqueles que os judeus chamavam “escribas”, os gregos
“filósofos” e os latinos “sábios”.
De acordo com a narração de
Mateus, os magos, quando chegaram em Jerusalém, primeiro de tudo, visitaram
Herodes, o rei romano da Judeia, e perguntaram quem era o rei que tinha
nascido, pois tinham visto aparecer a “sua estrela”. Herodes, claramente não
conhecia a profecia do Antigo Testamento (Miqueias 5,1) e perguntou aos seus
sábios sobre o lugar onde deveria nascer o Messias. Tendo sabido que o lugar
era Belém, mandou-lhes àquela cidade, pedindo-lhes que referissem a ele o lugar
exato onde encontrar o menino, para que “também ele pudesse adorá-lo”. Guiados
pela estrela, os magos chegaram a Belém, que fica a cerca de 10 quilômetros de
Jerusalém. Chegados diante do Menino, ofereceram-lhe, como presente, ouro,
incenso e mirra. Tendo sido avisados, em sonho, para não dizer nada a Herodes,
voltaram para suas terras por uma outra estrada. Tendo descoberto o engano, o
rei Herodes mandou matar todas as crianças de Belém que tivessem menos de 2
anos.
A exegese histórico-crítica [estudo científico da Bíblia], a partir
do século XIX, propôs critérios para distinguir os fatos históricos
provavelmente acontecidos dos episódios criados pelas comunidades cristãs ou
pelos próprios evangelistas. Nesta linha, diversos
exegetas contemporâneos sublinham que, no caso deste episódio, não nos
encontramos diante de um fato histórico, mas de uma composição midráshica [narrativa
de estilo rabínico que servia para explicar passagens obscuras das Escrituras
Sagradas ou reportar históricas edificantes para a fé do povo].
Histórico ou não, o ponto de
partida que o autor deste texto toma em consideração é a convicção de que o Menino Jesus fora rejeitado pelo poder constituído
na Palestina. Por outro lado ele
fora acolhido por pessoas que não tinham títulos especiais, que eram marginais
à realidade onde ele nasceu, que vinham de longe e, por isso, considerados
com certa desconfiança, excluídos. Os magos
eram gentios, isto é, não judeus,
que não conheciam as Escrituras, o Antigo Testamento. Portanto, a mensagem do Menino, segundo Mateus, é
universal, destinada a ir longe.
Os presentes que os magos trazem para o Menino têm um rico significado
simbólico:
a) O ouro é o
metal precioso por excelência e simboliza
a realeza.
b) O incenso,
um perfume que se queima, é usado durante as celebrações rituais e venerações
religiosas e é o símbolo da divindade.
c) A mirra
vem de uma planta medicinal que, misturada com óleo, era usada para fins
medicinais, cosméticos e religiosos e também para embalsamar os corpos, simbolizando o futuro sofrimento redentor
de Cristo.
Outro elemento importante na narração sobre os magos é
a ESTRELA. Somente na Idade Média se
falou em cometa, especialmente o pintor Giotto, em 1301, impressionado pela
passagem naquele ano de um cometa. Ao invés, toda
a iconografia precedente fala simplesmente de “estrela”. Há hipóteses
modernas que identificam a estrela com a conjunção simultânea, que aconteceu no
ano 7 antes de Cristo, na constelação
dos Peixes. Apesar dessas tentativas de explicação, a presença da estrela provavelmente entra também na perspectiva
simbólica da narração. De fato, representa
um símbolo messiânico presente já no livro dos Números, quando se menciona o
profeta Balaão, o qual diz que “um
astro procedente de Jacó se torna chefe” (24,17). Recordemos também o texto
de Isaías 9,1: “O povo que andava nas
trevas viu uma grande luz, uma luz raiou para os que habitavam uma terra
sombria.”
Não conhecemos a história sucessiva desses personagens. Isso, do ponto de vista de alguns estudiosos, se
justifica pelo fato de que não estamos diante de um fato histórico. De qualquer
forma, na Alemanha, em Colônia, encontramos uma basílica com urnas onde teriam sido
sepultados os reis magos. Essas relíquias estavam na Itália e no século XII
foram levadas para a Alemanha.
Observação: Pe. Telmo José
Amaral de Figueiredo realizou pequenas correções ortográficas e gramaticais no texto original.
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