Brasil: o crime compensa!
Brumadinho: a
avalanche de impunidade que consolida o crime e mata inocentes
Entrevista
especial com o padre Dário Bossi
Provincial
dos Missionários Combonianos no Brasil, membro da Rede de Igrejas e Mineração e
Assessor da REPAM-Brasil
Ricardo Machado
No
Brasil, há uma lição muito bem aprendida pelos setores políticos
desenvolvimentistas, empresários da mineração e o mercado financeiro:
o
crime compensa!
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PADRE DÁRIO BOSSI Provincial dos Missionários Combonianos no Brasil |
O desmoronamento da barragem
de Brumadinho, em Minas Gerais, ocorrido no último 25 de janeiro, está longe de
ser um acidente. “Há evidências que tanto a empresa Vale S.A. como o Estado
tinham informações sobre o perigo da barragem da mina Córrego do Feijão
desmoronar. Por isso, chamamos este evento de crime, para o qual
exigimos rápida responsabilização dos atores envolvidos, sendo processados
criminalmente”, assevera Pe. Dário Bossi, em entrevista por e-mail à IHU
On-Line. “Mariana nos ensinou que a impunidade
consolida o crime”, complementa.
Os dados mais atualizados dão
conta de 165 pessoas mortas e outras 160 desaparecidas, entre empregados da
Vale, terceirizados e população local. As demais espécies animais e vegetais
somam outras milhares de vítimas da lama altamente tóxica. “Os crimes da Samarco
e da Vale ensinam também que há uma aliança silenciosa entre empresas de
mineração e Estado. As companhias extrativas precisam do aval do Estado
para se instalarem e operarem, muitas vezes ignorando ou banalizando o processo
de consulta e consentimento prévio, livre e informado das comunidades. O Estado
precisa da mineração porque continua apostando nisso, aparentemente como uma
das atividades de mais ‘seguro’ e rápido desenvolvimento”, pontua o
entrevistado.
A principal justificativa
de quem defende o modelo extrativista é a econômica. Ignora-se, contudo, a necessidade a transição do
modelo dominante. “Em lugar de buscar a diversificação e transições econômicas
que nos liberem da dependência do modelo extrativo, o Brasil mostra querer
investir ainda mais nesta pauta, que não podemos mais definir como produtiva,
mas destrutiva!”, acentua. As alternativas existem, o que não é interesse
político. “O pós-extrativismo é um modelo de
política macroeconômica que busca uma mudança radical no sistema de produção e
consumo. Propõe e organiza transições:
* de um modelo saqueador dos recursos para um modelo
pautado na economia local,
* na produção de bens duráveis,
* na diminuição do consumo,
* no desenvolvimento de uma noção de limites de
produção e
* na reutilização de recursos.
Pretende, assim, delimitar
a mineração ao essencial, e reduzir também a circulação das matérias
primas através do globo inteiro”, propõe.
Enquanto Dário Bossi
respondia a entrevista, redes sociais e veículos de imprensa repercutiam a
declaração do ministro do Meio Ambiente Ricardo
Salles de que a memória de Chico Mendes era irrelevante. Menos que um
“ato falho”, a fala do ministro apresenta de forma transparente e límpida o paradigma
que orienta o atual governo. “Os seringueiros são considerados irrelevantes,
os quilombolas descartáveis, os indígenas sobras a serem integradas. Mas a
morte de cada vítima, quando se faz memória, mobiliza as pessoas, consolida a
indignação, unifica as reivindicações, exige justiça”, destaca.
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BRUMADINHO - MG Bombeiros fazendo buscas na lama |
Confira
a entrevista.
IHU On-Line – A
tragédia humana e ambiental de Brumadinho, em Minas Gerais, não chega a ser uma
surpresa, afinal não faltaram alertas dos riscos. Entretanto, o que significa o
episódio em termos sociais e ambientais?
Pe. Dário Bossi: Há evidências que tanto a empresa Vale S.A. como o
Estado tinham informações sobre o perigo da barragem da mina Córrego do Feijão
desmoronar. Por isso, chamamos este evento de crime, para o qual exigimos
rápida responsabilização dos atores envolvidos, sendo processados criminalmente.
Mariana nos ensinou que a impunidade consolida o crime. A Articulação
Internacional das Atingidas e Atingidos pela Vale também fez duas denúncias à
Comissão de Valores Mobiliários, solicitando a destituição da diretoria inteira
da empresa.
Os mitos da mineração
sustentável, da tecnologia de ponta capaz de prevenir qualquer tipo
de incidente, da responsabilidade socioambiental das grandes
mineradoras, derreteram-se em poucos minutos, em Brumadinho. A Vale e muitas empresas investem muito para
alimentar estes mitos. Bastante dinheiro foi destinado à propaganda, e também
(até quando foi legalmente possível) ao financiamento de partidos e candidatos.
As comunidades, entidades
e movimentos sociais que criticam estes mitos são constantemente hostilizadas, deslegitimadas e até caluniadas, espionadas ou
perseguidas judicialmente. As comunidades sentem-se sem escuta e
desrespeitadas. Mas estes mitos, que enchem a boca das mineradoras,
desmoronaram em cima da vida de centenas de pessoas, e estão ainda rolando,
rio abaixo, contaminando bacias inteiras.
Os crimes da Samarco e da
Vale ensinam também que há uma aliança silenciosa entre empresas de mineração e
Estado. As companhias extrativas precisam do aval do Estado para se
instalarem e operarem, muitas vezes ignorando ou banalizando o processo de
consulta e consentimento prévio, livre e informado das comunidades. O
Estado precisa da mineração porque continua apostando nisso, aparentemente como
uma das atividades de mais “seguro” e rápido desenvolvimento.
Mais que criticar a
“indústria de multas do Ibama”, em nossa opinião, o Governo deveria:
a) perseguir a fábrica de licenças ambientais aceleradas,
b) suspender o processo de flexibilização das leis
ambientais,
c) reverter o desmonte das instituições públicas
voltadas à defesa e promoção dos direitos socioambientais.
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No Brasil de hoje, defender o meio ambiente parece ter virado crime! Depredar a natureza, poluir, queimar e arrasar parece estar liberado! |
Ataques
aos ambientalistas
Ao contrário, quem vem
sendo atacadas são exatamente as organizações empenhadas na defesa do meio
ambiente e, mais recentemente, até a própria Igreja Católica, que há muito
tempo está acompanhando as vítimas da injustiça ambiental, com a liberdade da
vocação que lhe vem do Evangelho.
Não podemos esquecer, enfim,
que o grito de Mariana e Brumadinho não é isolado. Há muita violência que
está acontecendo gota a gota, no silêncio e na invisibilidade das periferias,
que são as “zonas de sacrifício” do capitalismo.
Há barragens que matam sem desmoronar, pela contaminação de bário em Araxá ou
de arsênio em Paracatu, ambas em Minas Gerais, por exemplo.
O trem de minério da Vale no
corredor de Carajás continua a atropelar e matar animais e pessoas (foram 47
pessoas mortas e mais de 100 feridos, nos últimos 15 anos); uma reportagem da Agência
Pública, recentemente, demonstrou que a empresa avalia se atender a demanda
por segurança da população não tanto em base ao perigo real, mas pelo cálculo
de cenários que avaliam, entre outros elementos, o dano à imagem da empresa,
caso aconteçam acidentes.
IHU On-Line –
Quais são as engrenagens políticas que colocam em funcionamento a máquina de
moer o meio ambiente, os animais e as pessoas?
Pe. Dário Bossi:
Há tempo, o Comitê em Defesa dos
Territórios frente à Mineração documenta as dimensões e os interesses da
“bancada da mineração” no Parlamento brasileiro. Apesar de muitas críticas
da sociedade civil organizada, dos sindicatos e dos ambientalistas, o Governo
Temer aprovou com uma sequência de decretos, entre 2017 e 2018, o novo Marco
Legal da Mineração, com o objetivo de “contribuir para a atratividade do
setor, imprimindo maior transparência, agilidade e segurança jurídica ao setor
mineral brasileiro”.
O passo seguinte pode ser a
flexibilização da legislação sobre mineração em faixa de fronteira. O novo presidente eleito e seu governo têm
interesses para liberar a mineração em terras indígenas. As mineradoras já
registraram pedidos de pesquisa e exploração para um quarto das terras
indígenas da Amazônia Legal (território correspondente à dimensão dos
estados e SP e RJ).
Assim, em lugar de buscar a
diversificação e transições econômicas que nos liberem da dependência do modelo
extrativo, o Brasil mostra querer investir ainda mais nesta pauta, que não
podemos mais definir como produtiva, mas destrutiva!
Há uma engrenagem
interessante, que em jargão é definida “as portas giratórias da mineração”. As
companhias mineradoras, através de sua influência econômica, conseguem instalar
no Governo seus representantes; em paralelo, empregam quadros ligados à
burocracia do Estado. O jogo está feito: os interesses de ambos estão
garantidos, e as grandes empresas conseguem, desta maneira, controlar, além
do Congresso, também o governo e a Agência Nacional de Mineração.
Nos últimos quatro anos, por exemplo, todo o segundo escalão do Ministério de
Minas e Energias estava controlado pela Vale.
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Vagões com minério de ferro da VALE S.A. em Marabá - Pará |
IHU On-Line – Como
a sociedade civil tem se organizado para combater o lobby das mineradoras,
madeireiros, agropecuaristas e empresas interessadas na exploração
hidrelétrica?
Pe. Dário Bossi:
Estamos tentando entrelaçar
estratégias complementares; existem diversas redes e entidades que atuam em
defesa das comunidades, na denúncia das violações de direitos e dos interesses
elitistas do lobby das grandes empresas extrativas.
Nos territórios, há
movimentos e pastorais sociais empenhadas ao lado dos atingidos/as. Eu, por
exemplo, atuo há onze anos junto à rede Justiça nos Trilhos, empenhada
no Corredor de Carajás, que recebeu recentemente o prêmio internacional
“Direitos humanos e empresas”, na ONU em Genebra.
Uma menção de honra é para o
trabalho corajoso, fiel e competente que há muitos anos desenvolvem a Comissão
Pastoral pela Terra - CPT e o Conselho Indigenista Missionário - CIMI.
Há, depois, entidades e redes
que estudam e denunciam as “ligações perigosas” entre poder econômico e
político: entre elas, destaco o Comitê em Defesa dos Territórios frente à
Mineração. Neste campo, é necessário resgatar a transparência, a defesa e
promoção dos bens comuns, características de uma política de grande respiro: “a
política não deve submeter-se à economia, e esta não deve submeter-se aos
ditames e ao paradigma eficientista da tecnocracia. Pensando no bem comum,
hoje precisamos imperiosamente que a política e a economia, em diálogo, se
coloquem decididamente ao serviço da vida, especialmente da vida humana”
(LS 189).
A Igreja Católica, desde
2017, criou o Grupo de Trabalho sobre Mineração, em assessoria à Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB: há um trabalho urgente e permanente de
conscientização, para que as dioceses e paróquias tenham argumentos e
orientações a partir dos quais tomar posição ao lado das vítimas, em conflitos
provocados pela mineração.
A Rede Eclesial Pan-Amazônica
- REPAM atua junto a numerosas comunidades na Amazônia, escutando o grito,
às vezes desesperado, de comunidades ameaçadas ou atingidas pelo extrativismo.
Constata-se que os principais atores que ameaçam a Amazônia e os outros
biomas do país são corporações de capital internacional, ou empresas nacionais
que exportam quase por inteiro sua produção, contribuindo ao processo de
reprimarização da economia nacional, a benefício dos clientes estrangeiros.
[Comentário pessoal: muitos
brasileiros não enxergam que, de duas décadas para cá, o Brasil deixou de
estimular, investir e valorizar a sua indústria para voltar-se ao
agronegócio e à extração de minérios. Retornamos ao que éramos quando colônia
de Portugal, ou seja, fornecedores de matéria-prima ao invés de produtos
elaborados, mais sofisticados e caros! Um país assim, jamais será rico e desenvolvido!
O capital internacional destinou ao nosso país e os capitalistas locais aceitaram
este papel: fornecer produtos in natura ou, somente, semielaborados para
o mercado internacional. Até a exportação de café em grãos aumentou de uns
tempos para cá! Imaginem! Os salários da indústria, em toda parte do mundo,
sempre são os melhores e os mais estáveis, enquanto que o ganho dos
trabalhadores com o agronegócio e a mineração são bem menores! E esses setores –
do agronegócio e da mineração – foram os que mais diretamente e
fortemente apoiaram o atual governo! Esse é o Brasil que queremos???]
IHU On-Line – De
que ordem são os desafios de sensibilizar a população para a necessidade de uma
transição que vise um modelo econômico pós-extrativista?
Pe. Dário Bossi:
A Carta Pastoral da Conferência
Episcopal Latino-Americana - CELAM define extrativismo como “uma
tendência desenfreada do sistema econômico de converter os bens da natureza em
capital”. Papa Francisco alerta, de muitas
formas, para a urgência de pôr um limite a esta tendência: “o que interessa
é extrair o máximo possível das coisas por imposição da mão humana (...)
Passa-se facilmente à ideia dum crescimento infinito ou ilimitado, que
tanto entusiasmou os economistas, os teóricos da finança e da tecnologia. Isto
supõe a mentira da disponibilidade infinita dos bens do planeta, que leva a
«espremê-lo» até ao limite e para além do mesmo” (Carta Encíclica Laudato Si’,
106).
O pós-extrativismo é
um modelo de política macroeconômica que busca uma mudança radical no sistema
de produção e consumo. Propõe e organiza transições, de um modelo saqueador dos
recursos para um modelo pautado na economia local, na produção de bens
duráveis, na diminuição do consumo, no desenvolvimento de uma noção de limites
de produção e na reutilização de recursos. Pretende, assim, delimitar a
mineração ao essencial, e reduzir também a circulação das matérias primas
através do globo inteiro.
Resgata a produção ligada
ao território, e, com isso, a
valorização das raízes e da sabedoria dos povos. Visa recuperar as relações
regionais entre países, redimensionando o modelo exportador, a partir da
satisfação das necessidades econômicas mais imediatas.
Dialoga com o modelo de
decrescimento, que também a encíclica Laudato Si’ propõe como a
alternativa mais eficaz para desmontar o capitalismo, “economia que mata”, como
frequentemente lembra o Papa. “A espiritualidade cristã propõe um
crescimento na sobriedade e uma capacidade de se alegrar com pouco. É um
regresso à simplicidade que nos permite parar a saborear as pequenas coisas,
agradecer as possibilidades que a vida oferece sem nos apegarmos ao que temos
nem entristecermos por aquilo que não possuímos. Isto exige evitar a
dinâmica do domínio e da mera acumulação de prazeres” (Carta Encíclica Laudato
Si’, 222).
Sendo o extrativismo um
sistema que chega a sugar energias e vidas da Criação inteira, o
pós-extrativismo é uma opção profética, que requer também o cultivo de
uma espiritualidade profunda, capaz de resgatar a essência das coisas e das
relações.
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MINISTRO DO MEIO AMBIENTE Destila toda a sua arrogância, ignorância e falta de preocupação com o meio ambiente no Brasil, mesmo após o desastre e crime de Brumadinho! |
IHU On-Line – Em
entrevista ao Roda Viva, o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles afirmou que
Chico Mendes “é irrelevante”. O que a postura ilustra sobre a pauta ambiental
do atual governo?
Pe. Dário Bossi:
As vítimas são irrelevantes para este
sistema. Tem uma página da exortação apostólica Evangelii Gaudium que é
muito forte: “O ser humano é considerado, em si mesmo, como um bem de
consumo que se pode usar e depois lançar fora. Assim teve início a cultura do
«descartável», que aliás chega a ser promovida. Já não se trata
simplesmente do fenômeno de exploração e opressão, mas duma realidade nova: com
a exclusão, fere-se, na própria raiz, a
pertença à sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas, na periferia ou
sem poder já não está nela, mas fora. Os excluídos não são «explorados»,
mas resíduos, «sobras»” (Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, 53).
Assim, os seringueiros são
considerados irrelevantes, os quilombolas descartáveis, os
indígenas sobras a serem integradas. Mas a morte de cada vítima,
quando se faz memória, mobiliza as pessoas, consolida a indignação, unifica as
reivindicações, exige justiça.
Podem-se barganhar os
interesses de quem especula com o meio ambiente, pode-se resistir por um tempo
nos equilíbrios precários do poder, mas a dignidade das vítimas, seu legado
e seu apelo à resistência são permanentes, e não se contaminam por estas
poucas palavras sem relevo.
IHU On-Line – O
Brasil soma mais de 70 regiões com conflitos relacionados à mineração. Como a
rede Igrejas e Mineração tem acompanhado os conflitos entre mineradoras e
populações locais no Brasil e na América Latina? O que tem sido feito?
Pe. Dário Bossi:
A rede Igrejas e Mineração, em
estreita colaboração com o Grupo de Trabalho da CNBB sobre Mineração, está
completando um mapeamento de todos os empreendimentos minerários no País,
destacando aqueles onde há conflitos com as comunidades locais. Estamos
identificando mais de 70 dioceses ou prelazias do Brasil onde existem conflitos
por mineração. É um dado alarmante, que abre ainda mais os olhos da
Igreja sobre sua missão de defesa da vida e da Criação.
Por isso, estamos oferecendo
assessoria a bispos, sacerdotes, religiosas(os) e cristãos leigos e leigas em
diversos territórios. Em novembro de 2018, convocamos um “Encontro das
comunidades atingidas por mineração em diálogo com a Igreja no norte e
nordeste”. Foi na comunidade de Piquiá, Maranhão, internacionalmente
conhecida pelas violações de direitos que sofre e pela resistência que soube
articular, abrindo novos caminhos de libertação.
No ano passado, a rede
Igrejas e Mineração promoveu também um seminário internacional de reflexão e
debate sobre ecoteologia e mineração. Aproximou-se às comunidades
atingidas por mineração em Paracatu, Minas Gerais, e somou-se ao acompanhamento
delas.
Já atuávamos, a partir de
outras articulações, em Brumadinho, Minas Gerais. Desde aquele trágico 25 de
janeiro de 2019, estamos no
município, presentes ao lado das famílias, em suporte à igreja local.
A Igreja está presente e
frequentemente tem raízes profundas na vida do povo; conhece seu sofrimento e,
em vários casos, tem tomado posições corajosas e claras em denúncia das
violações da mineração, reivindicando direitos, proteção, reparação integral dos
danos e respeito da vida.
A recente Carta Pastoral
da Conferência Episcopal Latino-Americana - CELAM, “Discípulos
missionários guardiões da casa comum”, aprofunda entre outros temas os
desafios e as contradições da mineração, apontando para a missão da Igreja
nestes contextos. A Carta foi escrita com a colaboração da rede Igrejas e
Mineração, que está contribuindo também para sua divulgação na América Latina.
A partir deste importante
subsídio, e considerando a urgência e gravidade dos conflitos no Brasil, estamos
tentando organizar um encontro dos bispos de dioceses em conflito com a
mineração.
Assim, nossa missão é
estar próximos aos atingidos/as, formar consciência crítica, assessorar as
igrejas, revelar a insustentabilidade do modelo extrativo.
Recentemente, começamos a
aprofundar também a dimensão financeira da economia mineira. Além do valor do
minério extraído e comercializado, uma das fontes de maior lucro das
mineradoras é o mercado financeiro, que responde a regras diferentes e
desvinculadas das operações com a matéria-prima.
Por exemplo, entre o crime
ambiental de Mariana (2015) e aquele de Brumadinho (2019), em pouco mais de
três anos, o valor de mercado da Vale mais que triplicou, chegando a quase
290 bilhões de reais. A empresa teve lucro líquido de 42 bilhões. Mesmo
assim, entre 2015 e 2016, reduziu do 44% seus investimentos em ações de saúde e
segurança.
[Comentário pessoal: isso
é um escândalo! E a empresa Vale S.A. ainda tem coragem de posar-se de “preocupada”
com a situação de suas barragens! Seria de dar risadas, se não fosse o
prenúncio de mais crimes humanos e ambientais futuros!]
Indignados por esta lógica de
obediência aos mercados financeiros, através da rede Igrejas e Mineração estamos
lançando uma campanha de desinvestimento de dinheiro dos capitais das
mineradoras.
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