O Catecismo ainda funciona???
As aulas de catequese já não funcionam mais
Entrevista
com Tobias Wiegelmann
Diácono
e responsável pela catequese, a pastoral sacramental e a comunicação da fé na
arquidiocese de Colônia (Alemanha)
Eva Bernarding
Settimana
News
19-07-2018
Wiegelmann fala sobre as últimas
tendências da catequese na
Alemanha e explica como poderia se tornar
interessante
para as crianças de hoje
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TOBIAS WIEGELMANN |
O
catecismo na tradição cristã ocidental é a introdução
teórica e prática à fé cristã. O termo, que é derivado do latim, significa “instrução religiosa”. A maioria dos
batizados passa pelo catecismo nos anos de preparação para a primeira comunhão,
confirmação e casamento.
Tobias Wiegelmann é diácono e responsável
pela catequese, a pastoral sacramental e a comunicação da fé na arquidiocese de
Colônia. Após dois anos de vida religiosa com os beneditinos, começou sua
formação como especialista no desenvolvimento de recursos humanos e estudou
teologia. Desde setembro de 2013, é responsável pela Social Media e editor da
Internet na Conferência dos Superiores Maiores da Alemanha.
Eis
a entrevista.
Diácono
Tobias, quais são as novas tendências na catequese?
Tobias
Wiegelmann:
Principalmente existem novos desafios. Por exemplo, o fato de que as clássicas
aulas em grupo não funcionam mais porque ninguém tem mais tempo no período da
tarde. As pessoas têm um ritmo de vida diferente. Além disso, as mídias sociais
e as tecnologias são cada vez mais importantes. Notamos isso também no campo da
catequese e queremos aproveitá-las. Escuta-se agora comumente dizer que a nova
ideia que temos do catecismo afasta-se cada vez mais do modo de conceber a
catequese sacramental destinado a um determinado dia, aquele da primeira
comunhão. Seria mais oportuno refletir
sobre a forma de propor uma catequese significativa que possa acompanhar
concretamente de maneira significativa toda a vida.
Em
sua opinião, como pode ter sucesso uma catequese significativa que dure ao
longo de toda a vida?
Tobias: Antes de tudo, deve-se
enfatizar que o catecismo diz respeito a todos nós. Quando, em nossas
comunidades pastorais, preparamos para a primeira comunhão, devemos sempre nos
perguntar, inclusive nós adultos: o que
significa na minha vida a Eucaristia, que significado tem para mim o
sacramento? E o que fazemos deve ter algo a ver com as
nossas vidas. Podemos compreender muito melhor a razão pela qual Jesus
sentou-se em um banquete com os pobres e os excluídos, se inclusive nós
abrirmos nossas comunidades aos pobres do nosso tempo. Jesus nos deu o exemplo.
Ele ensina por meio de parábolas, ou seja, conta aos seus ouvintes histórias
tiradas da vida concreta. Nós também
devemos dar espaço ao discurso sobre a vida e a partir dessa escuta comum
descobrir que Deus age através da nossa
existência.
De
minha preparação para a primeira comunhão ainda lembro-me das aulas clássicas
em grupo feitas com pequenos trabalhos, desenhos e leituras. É algo que
funciona ainda hoje ou na era digital é preciso ter sempre em mãos o smartphone
para tornar atrativa a catequese?
Tobias: Certamente existe a clássica
aula em grupo que em alguns lugares ainda funciona. Graças a Deus, as pessoas
são muito diferentes. Mas notamos também que com o uso das novas mídias podemos despertar um novo interesse pelos
conteúdos. Mais importante do que o método, no entanto, é o quanto de coração é colocado na tarefa.
Se, como catequista, percebo que esse não é o meu método, então eu me
comprometo com menor paixão do que quando existe um método que se adapta melhor
a mim. É preciso lembrar que muitos jovens catequistas cresceram hoje com a
mídia digital. Usam esses recursos muito melhor daqueles que lecionam o catecismo
há muitos anos. Eles fazem isso da forma mais adequada para eles e eu acho isso
muito importante. Trata-se mais da
reunião de pessoas e menos de métodos.
Pode
concretamente, dizer quais são os novos desenvolvimentos na catequese? Como se
apresenta hoje a preparação para a primeira comunhão ou confirmação?
Tobias: Na preparação para a
primeira comunhão tende-se a tomar uma maior distância das clássicas aulas em
grupos. Em seu lugar são colocadas iniciativas
da vida cotidiana em que pais e
filhos, por exemplo, celebram juntos os chamados Weggottesdiente (itinerários litúrgicos) ou realizam workshops em que se trabalha em grupo. Gostamos de
integrar no catecismo também o smartphone. Dessa forma, as crianças podem, por exemplo, criar animações em que contam histórias
da Bíblia. Isso pode ser positivo para a preparação para a primeira
comunhão, e também para a crisma. Trata-se acima de tudo de aprender através de experiências
vivenciadas. Os alunos da crisma, por exemplo, fazem excursões nas
academias de escalada (Klettergarten) em que testam o tema da confiança.
Em
minha opinião, importantes não são os métodos em si para determinar o sucesso
do catecismo. Mais importante é que seja
dada muita atenção para os conteúdos, que a Sagrada Escritura seja novamente
colocada no centro e que se preste atenção ao que a Bíblia nos diz. O fator
decisivo é reconhecer onde a Bíblia tem uma relevância para a própria vida. E
aqui há uma diferença para as crianças da primeira comunhão em comparação com
aqueles da confirmação. Os métodos ajudam a descobrir essa diversa relevância.
O
conteúdo da fé por milênios permaneceu o mesmo, exceto por pequenas variações.
O que distingue, concretamente, a catequese de hoje daquela do passado?
Tobias: O conteúdo da fé é o mesmo.
Vejamos a diferença com a preparação para a minha primeira comunhão: eu fui
preparado pelos meus pais e por nosso pastor de almas. O pastor propôs um
ensinamento relativamente clássico. Ele nos disse o que precisávamos aprender:
a oração do Pai Nosso, o Credo, e assim por diante. De fato, era transmitido
muito conhecimento também nos grupos da primeira comunhão.
Hoje, trata-se mais de SE
ENCONTRAR.
Por exemplo, os pais que acompanham
os grupos da primeira comunhão são muitas vezes pessoas que não tiveram por
longo período um contato com a Igreja. No passado era diferente. Através da
primeira comunhão de suas crianças, de
repente eles são levados a refletir novamente sobre a sua fé.
O
conteúdo da fé evidentemente por 2.000 anos é o mesmo, mas, eu acredito, tem
outro impacto na vida das pessoas. Hoje,
até mesmo os pais estão envolvidos no discurso sobre a fé. Isso significa
que a catequese da primeira comunhão não só uma catequese para crianças, mas
também para os pais.
A
Igreja em geral deve permanecer aberta para o uso de smartphones e outras
novidades?
Tobias: Eu não vejo o que poderia se
dito em contrário. Em essência, trata-se
de estar sempre em comunicação uns com os outros e agora as modalidades mudaram.
A descoberta da imprensa representou uma mudança na comunicação e tornou-se um
grande dom, pois de repente todo mundo podia assim ler a Bíblia. E hoje é
justamente a tecnologia digital que muda a comunicação. Como Igreja, vivemos a fé que comunicamos aos outros. E não há nada
melhor de que isso continue a crescer com novos métodos.
Quem
contribui ativamente para o desenvolvimento de novas tendências? É o desejo dos
novos alunos, ou são também os catequistas e o clero que imprimem um impulso
para a mudança?
Tobias: No melhor dos casos, essa
exigência vem de ambos os lados. Crianças
e adolescentes precisam ter a sensação de poder compartilhar e colaborar com os
outros. E as catequistas e os catequistas também devem ter a sensação de
estarem envolvidos ativamente. Dessa forma as coisas funcionam melhor. A meu ver, tudo é mais difícil quando não
existe atenção mútua. Então, se apresentarmos às crianças e aos adolescentes
métodos em que eles não podem interagir e condenamos os catequistas a usar
métodos que lhes são estranhos, é claro que isso não pode funcionar.
Nos
últimos anos descobriu-se algo de novo na vivência do catecismo?
Tobias: Para mim é sempre
emocionante descobrir a quantidade de
caminhos diferentes pelos quais é possível se aproximar das Sagradas Escrituras,
da Bíblia, e quanta potencialidade existe neles. Acho incrível, por exemplo,
que as crianças e os adolescentes elaborem animações a partir dos textos
bíblicos. É fascinante que o mesmo
livro, embora com diferentes métodos, abra tantos caminhos novos e diferentes.
Traduzido por Luisa Rabolini (com correções de Telmo José Amaral de Figueiredo). A entrevista original, em
alemão, foi publicada pelo site katholisch.de
– para acessá-la, clique aqui.
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