Sangue cristão continua a ser derramado!
Cristãos coptas, vítimas do Estado Islâmico
Gilles Lapouge
Prevendo que será expulso do Iraque e da Síria o grupo
estuda
se estabelecer no Sinai
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Sangue de cristãos coptas de Alexandria, no Egito, impregnado nos bancos da igreja após atentado a bomba Foto: REUTERS/Mohamed Abd El Ghany |
Ao verter o sangue dos cristãos em duas igrejas coptas do Egito (em Tanta, 29 mortos, e Alexandria, 17 mortos), o Estado Islâmico (EI) atingiu, na verdade,
muitos alvos.
Ele certamente enlutou a comunidade cristã do
Egito, os coptas, uma das mais veneráveis da história, e ao mesmo tempo visou a toda a comunidade cristã, o que
explica a dor do papa Francisco e seu próximo deslocamento ao Egito.
Mas essa não é a
única razão dessas barbáries. Com o
ataque aos coptas, o EI pretende atingir o Egito todo e seu presidente, o general
Abdul Fatah al-Sissi. Num prazo mais longo, o EI prepara provavelmente sua mudança de domicílio. Escorraçado
como será em breve de seus feudos no Iraque e na Síria (Mossul e Raqqa) o grupo extremista gostaria de se
estabelecer no Egito. Não em Alexandria ou no Cairo, é claro, mas na Península do Sinai, onde bandos
terroristas assassinam e matam há muitos anos.
Eis aí porque o Egito e o governo do general Sissi
encontram-se na mira dos bandos islâmicos. O EI compreendeu que um atentado
contra as igrejas coptas do Cairo ou do delta do Nilo é bem mais eficaz, como
propaganda, do que os assassinatos de alguns recrutas ou soldados egípcios no
Sinai. Um lucro suplementar na ideia dos “loucos de Deus”: com a agressão aos cristãos, o governo egípcio revela sua incapacidade
de proteger as minorias do país.
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Interior da igreja cristã copta de Alexandria após o atentado do Estado Islâmico! Foto: EFE/EPA/STR |
Os atentados
colocam o general Sissi em posição delicada: se ele se omite, mostra sua
impotência diante do EI. Mas se protege
as comunidades coptas (há 10 milhões de coptas no Egito), ele se confessa
cúmplice dos “infiéis”, um traidor, em suma, do Islã.
Essa é a razão
pela qual os ataques aos coptas recrudesceram: em dezembro, um atentado suicida na igreja de São Pedro e São Paulo, no
Cairo, deixou 28 mortos. Em fevereiro, assassinatos de coptas na cidade de Arish, capital do Sinai do Norte,
fizeram centenas de coptas do Sinai se refugiarem a oeste do Canal de Suez.
Ressurge assim,
com a intensificação das lutas contra o general Sissi e o assassinato de
coptas, um dos “fundamentos” do Estado Islâmico: erradicar todos os deuses, todas as confissões religiosas que existem
exceto a islâmica. O objetivo é claro: apequenar
o cristianismo egípcio.
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A igreja de São Jorge em Tanta, Egito, foi atingida por bombas horas antes da igreja de Alexandria. Foto: REUTERS/Fawzy Abdel Hamied |
A mesma ira
destrutiva se abate sobre as outras religiões – ou filosofias – como, por
exemplo, fez o Taleban com os Budas de Bamyan (Afeganistão) ou o próprio EI em
Palmyra (Síria). É um delírio niilista.
Eles querem apagar não só os crentes e os monumentos não muçulmanos, mas também
as memórias. E afora as tropas de Sissi, quem mais pode proteger os coptas
do Egito? Durante muito tempo, foi a França. Mas ela se retirou. Em seu lugar,
a Rússia de Vladimir Putin se ofereceu para carregar o fardo.
Enfim, resta o objetivo estratégico do EI: após o
Iraque e a Síria, meter a mão no “elo frágil” do Egito, o Sinai. O último
vídeo do EI se intitulava “Luz da sharia”, e anunciava, nas entrelinhas, esse
próximo desdobramento. O vídeo foi filmado no Sinai e mostra militantes
islâmicos, bem instalados, reorganizando a vida cotidiana do Sinai, queimando
toneladas de cigarros e de maconha, e distribuindo uniformes do EI à população
local.
Traduzido do
francês por Celso Paciornik.
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