SEM DESCULPAS!!!
Não adianta pedir desculpas daqui a 50 anos
Eleonora de
Lucena
Jornalista,
ex-editora-executiva da Folha (2000-2010) e copresidente
do
serviço jornalístico TUTAMÉIA (tutameia.jor.br)
A defesa da democracia está no cerne
do jornalismo
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ELEONORA DE LUCENA (Em pé, falando ao microfone) |
Ninguém
poderá dizer que não sabia. É ditadura,
é tortura, é eliminação física de qualquer oposição, é entrega do país, é
domínio estrangeiro, é reino do grande capital, é esmagamento do povo. É
censura, é fim de direitos, é licença para sair matando.
As palavras são ditas de
forma crua, sem tergiversação – com brutalidade, com boçalidade, com uma agressividade do tempo das cavernas.
Não há um mísero traço de civilidade. É
tacape, é esgoto, é fuzil.
Para
o CANDIDATO-NOJO, é preciso extinguir qualquer legado do iluminismo, da
Revolução Francesa, da abolição da escravatura, da Constituição de 1988.
Envolta em ódios e mentiras,
a eleição encontra o país à beira do abismo. Estratégico
para o poder dos Estados Unidos, o Brasil está sendo golpeado:
1º)
As primeiras evidências apareceram com a descoberta
do pré-sal e
2º)
a espionagem escancarada dos EUA.
3º) Veio
a Quarta Frota, 2013.
4º)
O impeachment, o processo contra Lula
e sua prisão são fases do mesmo processo
demolidor das instituições nacionais.
Agora
que removeram das urnas a maior liderança popular da história do país, emporcalham o processo democrático com
ameaças, violências, assassinatos, lixo internético. Estratégias já usadas
à larga em outros países.
O
objetivo é fraturar a sociedade, criar fantasmas, espalhar medo, criar caos,
abrir espaço para uma ditadura
subserviente aos mercados pirados,
às
forças antipovo, antinação, anticivilização.
O
momento dramático não permite omissão, neutralidade. O muro é do candidato da ditadura, da opressão, da violência, da
destruição, do nojo.
É
urgente que todos os democratas estejam na trincheira contra Jair Bolsonaro.
Todos. No passado, o país conseguiu fazer o comício das Diretas. Precisamos de um novo comício das Diretas.
O antipetismo não pode servir de biombo
para mergulhar o país nas trevas.
Por
isso, vejo com assombro intelectuais e
empresários se aliarem à extrema direita, ao que há de mais abjeto. Perderam a razão? Pensam que a vida
seguirá da mesma forma no dia 29 de outubro caso o pior aconteça? Esperam estar livres da onda destrutiva que
tomará conta do país? Imaginam que essa vaga será contida pelas ditas
instituições – que estão esfarrapadas?
Os
arrivistas do mercado financeiro festejam
uma futura orgia com os fundos públicos.
Para eles,
pouco importam o país e seu povo. Têm a ilusão de que seus lucros
estarão assegurados com Bolsonaro. Eles
e ele são a verdadeira escória de nossos dias.
A
eles se submete a mídia brasileira,
infelizmente. Aturdida pelo terremoto que os grandes cartéis norte-americanos promovem no seu mercado, embarcou
numa cruzada antibrasileira e antipopular. Perdeu mercado, credibilidade,
relevância. Neste momento, acovardada, alega isenção para esconder seu apoio
envergonhado ao terror que se avizinha.
Este
jornal [Folha de S. Paulo] escreveu
história na campanha das Diretas.
Depois, colocou-se claramente contra os descalabros
de Collor. Agora, titubeia – para dizer o mínimo. A defesa da democracia,
dos direitos humanos, da liberdade está no cerne do jornalismo.
Não
adianta pedir desculpas 50 anos depois.
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