Isso ninguém imaginava!
Os jovens que excluem perfis em redes sociais para aproveitar a vida real
Luiz Felipe Castro
Jornalista
As
mídias sociais não têm influência hegemônica sobre a Geração Z como se pensava.
Nova pesquisa revela que muitos estão se distanciando delas
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LONGE DO CELULAR: o escritor Enrique Coimbra abandonou até seu canal no YouTube: ele não quer distrações em sua vida! Foto: Brenno Prado / VEJA |
entre os jovens de 18 a 24 anos, a Geração Z, um em cada cinco afirmou ter desativado suas contas nas redes sociais.
O número também impressiona por outro motivo: a debandada é duas vezes maior nessa faixa etária do que entre usuários acima de 45, mostrando que os mais velhos parecem se sentir menos afetados pelo admirável mundo novo. Entretanto, a maior preocupação apontada pelos que pularam fora das redes, em qualquer idade, é o dano que elas estariam causando à saúde mental. Mas qual seria, na prática, esse prejuízo psicológico? Harris diz que o ambiente virtual vicia. Trata-se de um processo químico no cérebro. Sempre que vivenciamos algo prazeroso, o neurotransmissor chamado dopamina é ativado, fazendo com que procuremos mais do mesmo, e receber curtidas no Facebook e Instagram dispara o processo. Na mesma medida, a sensação contrária é frustrante.
O escritor carioca Enrique Coimbra, de 28 anos, faz parte do grupo de
desertores das redes sociais. Ele largou todas elas, até mesmo seu canal no
YouTube, no qual dava dicas de controle emocional e tratamentos para
ansiedade e depressão a mais de 200 000 inscritos.
“Minha
vida sem rede social melhorou 2000%. As pessoas não fazem ideia da manipulação
emocional que elas nos impõem”, conta o escritor.
Antes leitor assíduo de livros pelo celular, mudou para o leitor de e-book a fim de evitar distrações.
A Dentsu detalha a posição dos entrevistados brasileiros em sua pesquisa: 39% afirmaram que pretendem se distanciar do mundo virtual. A empresa ressaltou, porém, que resultados mais concretos devem ser observados quando a pandemia acabar. Com a Covid-19, as pessoas usaram mais o computador para trabalhar e se divertir, possivelmente ficando sobrecarregadas de tanto contato com as redes. Uma vez que as restrições forem sendo afrouxadas, elas talvez passem a se preocupar menos com a exposição a elas.
O cenário de polarização política e propagação de notícias falsas também tem tratado de afastar
usuários. Muitos ficam desiludidos
quando ofendidos e acabam se dando conta de que estão em um ambiente hostil. Há
queixas dirigidas também a um dos maiores sucessos dos últimos anos, o TikTok,
aplicativo que tomou o mundo. A psicóloga Marina
Haddad Martins ressalta que as redes dão uma ilusão de falso
preenchimento. “A Geração Z, que já nasceu na era da internet, talvez dê
menos importância às redes do que os mais velhos, que pegaram a virada da
tecnologia”, diz ela. Isso explicaria a disposição em largá-las.
Eles
estariam valorizando o palpável, a segurança emocional e as relações pessoais.
Quem diria, o mundo real, este no qual sempre vivemos, parece estar na moda outra vez. Que bom.
Fonte: VEJA – Geral / Internet – Edição 2717 – Ano 53 – Nº 51 – 16 de dezembro de 2020 – Págs. 74-75 – Internet: clique aqui (acesso em: 14/12/2020).
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